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BC: taxa das blusinhas contribui para redução das importações de pequeno valor

Importações de pequeno valor caem 13,6% após taxa das blusinhas, enquanto ecommerce brasileiro cresce 10%, veja!

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Fraude

As importações de pequeno valor, conhecidas popularmente por movimentarem o chamado mercado das “compras baratinhas” no exterior, atingiram o menor nível desde 2021. A queda ocorreu após a implementação da “taxa das blusinhas”, que passou a cobrar impostos federais e ICMS para compras internacionais de até US$ 50.

De acordo com dados divulgados nesta semana pelo Banco Central, as importações intermediadas por plataformas de pagamento somaram US$ 4,6 bilhões, o que representa uma redução de 13,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

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Imagem: Canva/Edição: Seu Crédito Digital

Impacto direto da cobrança de impostos

A queda nas importações mostra que a medida teve impacto significativo no comportamento de compra dos consumidores brasileiros. Ao incluir tributos nas compras de baixo valor — antes isentas — o governo alterou o equilíbrio de preços, encarecendo produtos importados e favorecendo, de forma indireta, o comércio local.

Especialistas apontam que a mudança afetou principalmente consumidores das classes C, D e E, público que mais buscava itens de baixo custo em plataformas internacionais. Segundo o levantamento, o volume de compras internacionais desse grupo caiu 35%.

Crescimento do ecommerce nacional

Apesar da retração nas importações, o ecommerce nacional teve um desempenho positivo. O faturamento cresceu 10% no período, evidenciando uma migração do consumo para vendedores e marketplaces locais.

Esse movimento indica que, com a elevação do preço de produtos importados e a demora na entrega de mercadorias compradas no exterior, o consumidor brasileiro passou a priorizar a rapidez de entrega e a redução de custos extras.

Fatores que impulsionaram o crescimento doméstico

  • Aumento da competitividade dos preços nacionais frente aos importados taxados;
  • Menor prazo de entrega para compras feitas em território brasileiro;
  • Promoções e descontos agressivos de grandes marketplaces para atrair consumidores migrantes;
  • Adoção de vendedores locais por plataformas estrangeiras, adaptando-se ao novo cenário.

Estratégia de adaptação dos varejistas chineses

Plataformas como Shopee, Shein e Temu foram diretamente afetadas pela “taxa das blusinhas”, pois grande parte de suas operações era baseada em envios internacionais de baixo valor. Para manter a relevância no Brasil, essas empresas iniciaram um processo de nacionalização das vendas.

Segundo Alberto Serrentino, sócio da consultoria Varese Retail, essa adaptação já traz resultados:

“Mais de 90% da venda do Shopee já é feita localmente, e a Shein e a Temu começaram a recrutar vendedores nacionais para aumentar gradualmente a fatia de vendas locais e não depender exclusivamente do cross border.”

Essa mudança na estratégia permite que as empresas mantenham preços competitivos e prazos de entrega mais curtos, além de reduzir a exposição às novas regras de importação.

Cross border versus vendas locais

Olist taxa das blusinhas
Imagem: William Potter / shutterstock.com

O que é o cross border

No contexto do comércio eletrônico, cross border é o modelo de venda no qual a mercadoria é enviada diretamente do país de origem do vendedor para o consumidor final, geralmente com custos de frete mais baixos, mas com prazos de entrega mais longos e, agora, com maior incidência de tributos.

Vantagens da venda local

Com o aumento da carga tributária sobre o cross border, as vendas locais ganham destaque por oferecer:

  • Entrega em poucos dias;
  • Menor burocracia alfandegária;
  • Possibilidade de trocas e devoluções mais ágeis;
  • Maior segurança na compra.

O efeito nas classes C, D e E

O recuo mais acentuado nas compras internacionais veio de consumidores das classes C, D e E, que tradicionalmente buscavam produtos importados mais baratos para itens como roupas, acessórios e eletrônicos de pequeno porte.

Com o aumento dos preços devido à tributação e ao ICMS, muitos migraram para o mercado interno em busca de preços mais acessíveis e promoções. A consequência foi a redução de 35% no volume de compras internacionais desse público, reforçando a tendência de fortalecimento do ecommerce local.

Vencedores e perdedores do novo cenário

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Ganhadores

  • Lojas e marketplaces nacionais: absorveram a demanda reprimida de consumidores que abandonaram compras internacionais;
  • Vendedores locais em plataformas estrangeiras: passaram a ter maior visibilidade e relevância;
  • Empresas de logística interna: registraram aumento na demanda por entregas rápidas no território nacional.

Perdedoras

  • Plataformas com forte dependência do cross border: precisaram reestruturar operações para se manter competitivas;
  • Pequenos importadores: viram sua margem de lucro reduzir com a cobrança de impostos;
  • Consumidores que buscavam produtos importados de baixo custo: perderam acesso a preços muito inferiores aos do mercado interno.

Adaptação do consumidor

O brasileiro, historicamente sensível a preço, ajustou rapidamente seu padrão de compra:

  • Maior atenção a promoções nacionais;
  • Preferência por produtos disponíveis em estoque no Brasil;
  • Busca por prazos de entrega reduzidos, especialmente em datas comemorativas e de alta demanda, como Black Friday.

Além disso, a mudança levou muitos consumidores a descobrir marcas e vendedores nacionais que antes não eram considerados nas compras online.

O futuro das importações de pequeno valor

Taxa das blusinhas
Imagem: Maxx-Studio / Shutterstock.com

O cenário indica que as importações de baixo valor dificilmente voltarão ao patamar anterior sem alterações na legislação tributária. A tendência é que:

  • Plataformas internacionais invistam cada vez mais em operações locais;
  • Vendedores brasileiros ampliem a oferta e a variedade de produtos;
  • O ecommerce nacional se fortaleça, com mais competitividade frente ao comércio exterior.

No entanto, especialistas apontam que o governo deve acompanhar o impacto da medida sobre a competitividade do mercado e o acesso a produtos mais baratos, especialmente para consumidores de baixa renda.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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