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Taxas altas, exclusividade e monopólio? Cade investiga iFood após denúncia de bares e restaurantes

O iFood está no centro de uma nova investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), após uma denúncia apresentada pela Associação Brasileira

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
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O iFood está no centro de uma nova investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), após uma denúncia apresentada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). A entidade acusa a plataforma de adotar práticas anticompetitivas e de criar um “ecossistema digital fechado”, que limitaria a liberdade de escolha dos comerciantes parceiros.

O caso reacende o debate sobre o poder de mercado das plataformas de delivery e seus impactos na concorrência. Continue a leitura para entender os detalhes do processo e as respostas do iFood às acusações.

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O que está sendo investigado pelo Cade

O Cade instaurou um procedimento preparatório de inquérito administrativo para avaliar se há indícios de infração à ordem econômica por parte do iFood. Essa etapa inicial serve como uma análise prévia antes da possível abertura de um processo administrativo formal.

Segundo a Abrasel, a plataforma teria imposto aos restaurantes condições comerciais restritivas, forçando-os a utilizar serviços específicos de pagamento, crédito e logística oferecidos pelo próprio aplicativo.

Essas práticas, afirma a associação, criariam um ambiente de dependência econômica e barreiras à entrada para concorrentes menores, dificultando o desenvolvimento de novos players no setor de entregas.

As acusações da Abrasel contra o iFood

Na denúncia, a Abrasel aponta que o iFood utiliza um sistema que vincula diferentes serviços dentro da plataforma, prática que poderia ser interpretada como uma forma de venda casada.

Entre os principais pontos apresentados estão:

  • Obrigatoriedade no uso do sistema de pagamentos do iFood, com taxas acima da média do mercado;
  • Controle da logística de entregas, priorizando restaurantes parceiros exclusivos;
  • Uso de inteligência artificial para direcionar pedidos de forma desigual;
  • Expansão para o atendimento presencial, por meio do projeto iFood Salão.

A associação afirma que o modelo de negócios da empresa estaria reduzindo a concorrência e limitando o poder de escolha dos comerciantes que dependem do aplicativo para suas vendas.

A resposta do iFood às acusações

O iFood reagiu de forma firme à denúncia e afirmou que a Abrasel está “equivocada” em suas alegações. Em nota oficial, a empresa declarou que prepara uma manifestação técnica detalhada para apresentar ao Cade e reforçou seu papel positivo na economia brasileira.

“A Abrasel tenta usar a autoridade concorrencial para prejudicar uma empresa brasileira com histórico reconhecido de impactos positivos para o setor de delivery e para a economia do país”, destacou a nota.

A companhia também apresentou dados de desempenho para sustentar sua defesa. De acordo com o iFood, entre 2023 e 2024, os restaurantes parceiros cresceram 2,3 vezes mais do que a média do setor, segundo dados comparativos com o IBGE.

Além disso, a empresa afirmou que suas soluções de fintech — como antecipação de recebíveis, empréstimos e taxas competitivas — beneficiam um setor historicamente subatendido pelos bancos tradicionais.

“Quando os restaurantes crescem, nós crescemos juntos. Essa é a base do nosso modelo de negócio”, concluiu o comunicado do iFood.

Como o iFood consolidou seu domínio no mercado

O iFood é, hoje, a principal plataforma de entregas de comida no Brasil, com presença em mais de 1.700 cidades e milhões de usuários ativos. Desde sua fundação, em 2011, a empresa expandiu seu portfólio, investindo em tecnologia, pagamentos digitais, crédito para restaurantes e até totens de autoatendimento.

Essas inovações, segundo a empresa, aumentaram em até 30% a eficiência operacional de estabelecimentos parceiros. Contudo, críticos apontam que a concentração de serviços sob um mesmo ecossistema cria dependência excessiva dos comerciantes em relação à plataforma.

A investigação do Cade busca justamente avaliar o equilíbrio entre inovação e concorrência, identificando se o modelo do iFood ultrapassa os limites legais do mercado.

O papel da Abrasel na denúncia

A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) representa um dos segmentos mais impactados pelo crescimento dos aplicativos de delivery. Desde a pandemia, o setor tornou-se ainda mais dependente das plataformas digitais para manter as vendas.

Segundo a associação, as altas taxas cobradas pelos aplicativos — que podem ultrapassar 25% por pedido — comprometem a lucratividade dos pequenos estabelecimentos.

Com a denúncia ao Cade, a Abrasel busca garantir maior transparência e competitividade no setor, além de reduzir a concentração de poder de uma única empresa sobre toda a cadeia de delivery.

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Cade e os próximos passos da investigação

Com a abertura do procedimento preparatório, o Cade agora deve analisar documentos, depoimentos e dados técnicos antes de decidir se transforma o caso em um processo administrativo.

Caso sejam encontrados indícios suficientes, o órgão poderá:

  • Convocar representantes do iFood e da Abrasel para audiências;
  • Solicitar informações financeiras e operacionais;
  • Determinar medidas preventivas caso perceba risco de dano à concorrência.

O processo pode se estender por meses e, se confirmadas as irregularidades, o iFood poderá ser multado ou obrigado a alterar práticas comerciais.

Debate sobre exclusividade e monopólio digital

O caso entre Abrasel e iFood levanta um tema mais amplo: o equilíbrio entre o avanço tecnológico e a livre concorrência.

Enquanto as plataformas argumentam que oferecem eficiência e acesso a crédito, especialistas alertam para os riscos de monopólios digitais e dependência econômica de pequenos comerciantes.

O desafio para o Cade será determinar se o sucesso do iFood decorre de práticas legítimas de mercado ou de uma estrutura que restringe a competição.

O iFood se mantém como líder absoluto no setor de delivery no Brasil, mas agora enfrenta uma das maiores investigações de sua história. O desfecho do caso poderá definir novos parâmetros regulatórios para as plataformas digitais e impactar diretamente bares, restaurantes e entregadores em todo o país.

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Com informações de: Metrópoles

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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