A Telebras, estatal brasileira de telecomunicações, anunciou uma parceria estratégica com a SES, empresa de satélites com sede em Luxemburgo, para fornecer internet via satélite de média órbita com performance até dez vezes superior à das antenas atualmente em uso no país.
Telebras anuncia internet turbo 10x mais rápida que Starlink no Brasil
Telebras e SES firmam parceria para levar internet via satélite até 10x mais rápida à COP30 e a regiões isoladas, com foco na Amazônia.
O memorando de entendimento será assinado oficialmente nesta quarta-feira (05/11/2025) e inaugura uma nova fase da conectividade nacional, com estreia marcada para a COP30, conferência da ONU sobre mudanças climáticas, que acontece entre 10 e 21 de novembro em Belém (PA).
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Conectividade avançada para a COP30
A vitrine ideal: Belém e a COP30
A escolha da COP30 como palco para o lançamento da nova solução de conectividade não é casual. O evento reúne lideranças globais, organizações ambientais e a imprensa internacional em um debate sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável, temas que se alinham diretamente com os pilares da proposta da Telebras.
Durante a conferência, será oferecido acesso gratuito à internet via satélite para todos os participantes, com infraestrutura de solo provida pela Telebras e sinal de satélite fornecido pela SES. Trata-se de uma demonstração pública de que o Brasil pode entregar internet de alta velocidade, escalável e com controle nacional.
Prova de conceito para políticas públicas
Além de exibir a tecnologia ao mundo, o governo federal pretende usar a experiência como prova de conceito para futuras políticas públicas de conectividade. A iniciativa busca provar que áreas remotas como a Amazônia Legal podem receber internet estável e rápida sem a necessidade de grandes obras de cabeamento.
A tecnologia por trás: satélites de média órbita
O que é a média órbita?
A parceria entre Telebras e SES aposta na média órbita terrestre (MEO, na sigla em inglês), uma faixa de posicionamento de satélites situada entre a baixa órbita (LEO), usada por constelações como Starlink, e a órbita geoestacionária (GEO), tradicionalmente explorada por grandes satélites com cobertura ampla, mas alta latência.
Os satélites MEO oferecem um equilíbrio entre velocidade, alcance e latência, sendo ideais para:
- Cobrir grandes áreas com menor número de satélites;
- Oferecer latência reduzida (tempo de resposta mais rápido);
- Suportar aplicações de governo digital, saúde, educação e segurança.
Até 10x mais desempenho
De acordo com a Telebras, a performance da solução é até dez vezes superior à das antenas atualmente usadas por operadoras concorrentes no Brasil. Isso significa:
- Velocidade de download e upload mais altas;
- Estabilidade na conexão, mesmo com alta demanda;
- Capacidade para suportar eventos com grande concentração de usuários.
Soberania digital: um diferencial brasileiro
Tráfego de dados com controle nacional
Um dos grandes diferenciais da parceria é que todo o tráfego de dados será roteado por infraestrutura em solo brasileiro, através da rede nacional de teleportos da Telebras, atualmente com cinco unidades espalhadas pelo país.
Dessa forma, o serviço:
- Não depende exclusivamente de hubs estrangeiros;
- Garante maior segurança e privacidade dos dados;
- Permite ao governo exercer controle e monitoramento efetivos da conectividade.
A Telebras como integradora
Com essa estratégia, a Telebras assume um papel de integradora de soluções satelitais no Brasil. A empresa nacional oferece a base terrestre e a expertise operacional, enquanto empresas como a SES trazem a tecnologia em órbita.
Essa combinação:
- Agiliza a expansão da conectividade sem grandes obras;
- Permite testar novas soluções com parceiros diversos;
- Garante que o Brasil não fique refém de um único provedor internacional.
Impacto social e ambiental da parceria

Inclusão digital na Amazônia e interior
O foco da parceria vai além da COP30. A Telebras já sinalizou que a meta de longo prazo é usar essa tecnologia para conectar áreas remotas e com baixa densidade de infraestrutura, especialmente na Amazônia Legal, onde o custo do cabeamento é elevado e o acesso à internet ainda é escasso.
Com a nova solução, será possível oferecer:
- Internet em postos de saúde e escolas rurais;
- Conexão em comunidades ribeirinhas e indígenas;
- Apoio à fiscalização ambiental e combate ao desmatamento com dados em tempo real.
Menor impacto ambiental
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Ao adotar satélites em média órbita, a Telebras e a SES também reduzem o número de lançamentos necessários para cobrir o território nacional. Isso:
- Minimiza a pegada de carbono associada ao envio de satélites;
- Evita a saturação da órbita terrestre com detritos;
- Reforça o discurso ambiental do Brasil durante a COP30.
Memorando de entendimento: uma porta aberta
Contrato não exclusivo
A assinatura do memorando de entendimento com a SES não representa exclusividade. A Telebras deixou claro que pretende firmar novos acordos com outras operadoras de satélite, testando diferentes tecnologias e modelos de operação.
Essa estratégia tem como benefícios:
- Evitar dependência de um único fornecedor;
- Aumentar a competição e a inovação;
- Tornar a infraestrutura mais resiliente e escalável.
Próximos passos
Após a assinatura do memorando, os próximos marcos da parceria incluem:
- Instalação e testes operacionais antes e durante a COP30;
- Avaliação do desempenho da rede em campo;
- Expansão para postos estratégicos da administração pública nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste;
- Possível modelo híbrido com uso simultâneo de fibra e satélite, conforme a demanda.
O Brasil no mapa da conectividade global

Com a parceria entre Telebras e SES, o Brasil dá um passo relevante para ocupar uma posição ativa no mercado global de internet via satélite. O país:
- Demonstra capacidade de integração tecnológica soberana;
- Avança na inclusão digital de áreas remotas;
- Torna-se referência internacional ao utilizar um evento como a COP30 para lançar uma solução tecnológica de impacto social e ambiental.
Além disso, a estratégia fortalece a imagem do Brasil como líder climático e digital na América Latina, um posicionamento que pode trazer benefícios diplomáticos e econômicos em futuras rodadas de negociações globais.
Imagem: Reprodução / Telebras
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