Sente aquela dor persistente no ombro, no punho, no cotovelo ou no joelho que insiste em não passar? Em muitos casos, o incômodo pode ser sinal de tendinite, uma inflamação nos tendões que afeta milhares de trabalhadores brasileiros todos os anos. A condição é especialmente comum entre profissionais que realizam movimentos repetitivos ou esforço físico constante, como trabalhadores da indústria, do comércio, da saúde, da educação e de serviços administrativos.
INSS paga auxílio-acidente permanente para dor no ombro; veja regras
Entenda quando a tendinite pode gerar afastamento e direito a benefício do INSS, quais documentos são exigidos e como solicitar o auxílio corretamente.
Além do impacto direto na qualidade de vida, a tendinite também pode comprometer a capacidade de trabalho. Quando isso acontece, o trabalhador pode ter direito a benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), desde que cumpra os requisitos exigidos pela legislação previdenciária.
Ao longo deste artigo, você vai entender o que é a tendinite, quais são os sintomas mais comuns, quando a doença é considerada ocupacional, quais benefícios podem ser solicitados junto ao INSS e quais documentos são necessários para garantir o direito.
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O que é tendinite e por que ela afeta tantos trabalhadores
A tendinite é uma inflamação que atinge os tendões, estruturas responsáveis por ligar os músculos aos ossos. Ela costuma surgir devido ao uso excessivo de determinada articulação, movimentos repetitivos, postura inadequada ou esforço físico contínuo sem o descanso adequado.
Entre as regiões mais afetadas estão:
Tendinite no ombro
Muito comum em profissionais que realizam movimentos repetitivos acima da linha dos ombros, como operadores de máquinas, pintores e trabalhadores da construção civil.
Tendinite no punho e na mão
Frequente entre digitadores, caixas de supermercado, operadores de telemarketing e profissionais que utilizam teclado e mouse por longos períodos.
Tendinite no cotovelo
Também conhecida como “cotovelo de tenista” ou “cotovelo de golfista”, afeta trabalhadores que fazem movimentos repetitivos de rotação do braço.
Tendinite no joelho e tornozelo
Mais comum em profissionais que permanecem muito tempo em pé ou realizam esforço físico intenso, como trabalhadores da limpeza, logística e indústria.
Segundo dados do Ministério da Previdência Social, mais de 20 mil afastamentos por ano são registrados por doenças relacionadas a lesões por esforço repetitivo e distúrbios osteomusculares, categoria que inclui a tendinite.
Tendinite é considerada doença ocupacional?
Sim, em muitos casos a tendinite pode ser reconhecida como doença ocupacional, desde que fique comprovado o nexo causal entre a atividade profissional e o desenvolvimento da lesão.
A legislação previdenciária equipara a doença ocupacional ao acidente de trabalho quando ela é adquirida ou desencadeada em função das condições específicas em que o trabalho é realizado. Isso significa que, se a atividade exercida contribuiu diretamente para o surgimento da tendinite, o trabalhador pode ter direito a benefícios diferenciados.
Entre os fatores que ajudam a caracterizar a tendinite como doença ocupacional estão:
- Repetição constante de movimentos
- Jornada de trabalho prolongada
- Falta de pausas ergonômicas
- Postura inadequada
- Ausência de equipamentos de proteção ou adaptação do posto de trabalho
Quais benefícios do INSS o trabalhador com tendinite pode receber
Quando a tendinite compromete a capacidade de trabalho, o segurado do INSS pode ter direito a diferentes tipos de benefícios, dependendo da gravidade do quadro e da possibilidade de recuperação.
Auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença)
É o benefício mais comum concedido em casos de tendinite. Ele é destinado ao trabalhador que fica temporariamente incapaz de exercer suas atividades por mais de 15 dias consecutivos.
Para empregados com carteira assinada, os primeiros 15 dias de afastamento são pagos pela empresa. A partir do 16º dia, o pagamento passa a ser responsabilidade do INSS. Já para contribuintes individuais, autônomos, MEIs e segurados facultativos, o benefício pode ser concedido desde o primeiro dia de incapacidade.
Auxílio-acidente
Se, após o tratamento, a tendinite deixar sequelas permanentes que reduzam a capacidade de trabalho, mesmo que de forma parcial, o segurado pode ter direito ao auxílio-acidente. Esse benefício tem caráter indenizatório e pode ser recebido juntamente com o salário, caso o trabalhador continue exercendo atividade remunerada.
Aposentadoria por incapacidade permanente
Em situações mais graves, quando a tendinite evolui para um quadro irreversível que impossibilita qualquer tipo de atividade profissional, o trabalhador pode ter direito à aposentadoria por incapacidade permanente, desde que a perícia médica do INSS confirme a condição.
Quem pode solicitar o benefício por tendinite
Podem solicitar benefícios relacionados à tendinite:
Trabalhadores com carteira assinada
Empregados formais que contribuam para o INSS e comprovem incapacidade temporária ou permanente.
Trabalhadores autônomos e contribuintes individuais
Incluem profissionais liberais, prestadores de serviço e empresários que contribuem por conta própria.
MEI e segurados facultativos
Desde que estejam com as contribuições em dia no momento do afastamento.
Trabalhadores rurais
Também têm direito, desde que comprovem o exercício da atividade rural e a incapacidade causada pela tendinite.
Como comprovar a tendinite perante o INSS
A concessão do benefício depende da comprovação médica da doença e do vínculo com o trabalho. Para isso, é fundamental reunir documentação adequada.
Documentos médicos essenciais
- Laudos médicos detalhados
- Exames de imagem, como ultrassonografia ou ressonância magnética
- Atestados com CID correspondente à tendinite
- Relatórios indicando a incapacidade para o trabalho
Documentos trabalhistas
- Carteira de trabalho
- Contratos de prestação de serviço
- Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), quando aplicável
A perícia médica do INSS é o momento decisivo para avaliação do caso. O perito analisará os documentos e poderá confirmar ou não o direito ao benefício.
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O que fazer se o benefício for negado
Infelizmente, muitos pedidos de auxílio por tendinite são negados na primeira análise. Isso pode ocorrer por falta de documentos, entendimento de que não há incapacidade ou ausência de nexo causal com o trabalho.
Nesses casos, o segurado pode:
Solicitar recurso administrativo
O pedido pode ser feito dentro do prazo estabelecido pelo INSS, apresentando novos documentos ou esclarecimentos médicos.
Entrar com ação judicial
Quando o recurso administrativo não resolve, é possível buscar a Justiça. Em muitos casos, uma perícia judicial mais detalhada reconhece o direito ao benefício.
Prevenção: como reduzir o risco de desenvolver tendinite
Embora nem sempre seja possível evitar totalmente a doença, algumas medidas ajudam a reduzir significativamente o risco:
Ergonomia no trabalho
Adequar altura de mesas, cadeiras e equipamentos reduz a sobrecarga nas articulações.
Pausas regulares
Intervalos durante a jornada ajudam a evitar movimentos repetitivos contínuos.
Alongamentos e fortalecimento muscular
Atividades orientadas por profissionais de saúde ajudam a proteger músculos e tendões.
Atenção aos primeiros sintomas
Dor persistente, formigamento e perda de força não devem ser ignorados.
A importância do acompanhamento médico e jurídico
Muitos trabalhadores convivem com dor por medo de perder o emprego ou por desconhecerem seus direitos. No entanto, ignorar os sintomas pode agravar o quadro e dificultar a recuperação.
Buscar atendimento médico logo no início e manter toda a documentação organizada faz toda a diferença na hora de solicitar um benefício previdenciário. Além disso, contar com orientação especializada pode aumentar as chances de concessão do auxílio.
Conclusão
A tendinite é uma condição séria, que afeta milhares de trabalhadores brasileiros todos os anos e pode comprometer significativamente a capacidade laboral. Quando associada às atividades profissionais, ela pode garantir acesso a benefícios importantes do INSS, como o auxílio por incapacidade temporária, o auxílio-acidente ou até a aposentadoria por incapacidade permanente.
Conhecer seus direitos, reunir documentação adequada e buscar orientação especializada são passos fundamentais para garantir proteção financeira durante o período de afastamento. Ignorar os sinais do corpo pode custar caro, tanto para a saúde quanto para a estabilidade profissional.
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