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Tesouro Direto: entenda por que os juros longos estão subindo com sinais dos EUA

Juros do Tesouro Direto sobem nos prazos longos apesar da queda dos Treasuries. Veja taxas atualizadas e o impacto para investidores.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
Tesouro Direto

Os juros de médio e longo prazos do Tesouro Direto operam em viés de alta, chamando a atenção do mercado financeiro mesmo em um cenário externo mais benigno. Ao longo da semana passada, os títulos públicos brasileiros apresentaram elevação nas taxas, apesar do recuo observado nos rendimentos dos Treasuries americanos, especialmente nos papéis de 10 e 30 anos.

O movimento ocorre após uma sessão anterior marcada por relativa estabilidade, com taxas praticamente de lado. Ainda assim, operadores apontam que a liquidez reduzida no mercado doméstico tem amplificado movimentos pontuais, especialmente em dias de agenda econômica fraca no Brasil.

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Liquidez reduzida influencia o comportamento das taxas

Mercado doméstico opera com cautela

Segundo participantes do mercado, a liquidez segue limitada e tende a ficar ainda menor ao longo do dia. A ausência de indicadores econômicos relevantes no cenário interno faz com que investidores operem com maior cautela, ajustando posições de forma pontual.

Impacto direto na curva de juros

Com menos negócios sendo fechados, qualquer ajuste na percepção de risco ou expectativa futura acaba refletindo com mais intensidade na curva de juros. Isso explica, em parte, o avanço das taxas dos títulos prefixados e dos indexados à inflação, mesmo diante de um cenário externo aparentemente mais favorável.

Prefixados lideram avanço nas taxas

Destaque para o Tesouro Prefixado 2035

Entre os títulos prefixados, o principal destaque foi o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2035. O papel avançou para uma taxa de 13,69% ao ano, acima dos 13,63% registrados no fechamento da véspera.

Esse movimento reflete uma reprecificação do risco de longo prazo, considerando fatores como expectativas fiscais, política monetária e inflação futura.

Outros vencimentos também sobem

Os prefixados com vencimentos intermediários e longos também apresentaram ajustes positivos, reforçando a percepção de que o investidor exige um prêmio maior para carregar papéis com prazos mais extensos.

Títulos IPCA+ acompanham movimento de alta

IPCA+ 2040 e 2050 sobem na parte prefixada

Entre os títulos atrelados à inflação, a alta também foi observada. O Tesouro IPCA+ 2040 passou de 7,20% para 7,31% na parcela prefixada, enquanto o IPCA+ 2050 avançou de 6,96% para 7,05%.

Esse tipo de papel é sensível às expectativas inflacionárias e ao comportamento da taxa básica de juros no longo prazo, o que explica a reação mesmo em um dia de pouca movimentação.

Juros reais seguem atrativos

Apesar da volatilidade, os juros reais continuam elevados quando comparados a padrões históricos, mantendo os títulos IPCA+ como uma alternativa relevante para proteção do poder de compra no longo prazo.

Dados de emprego dos EUA permanecem no radar

ADP frustra expectativas do mercado

No cenário internacional, a atenção dos investidores segue voltada aos dados de emprego dos Estados Unidos. A ADP divulgou a criação de 41 mil vagas no setor privado, número ligeiramente abaixo das expectativas do mercado.

Indicadores adicionais ao longo do dia

Além da ADP, o Departamento do Trabalho dos EUA divulga dados sobre vagas abertas, enquanto indicadores da indústria e do setor de serviços também entram na agenda. Essas informações têm potencial para alterar as apostas em relação à política monetária do Federal Reserve.

Expectativas para decisão do Federal Reserve

Manutenção dos juros segue como cenário base

Atualmente, a taxa de juros dos Estados Unidos se encontra na faixa entre 3,50% e 3,75%. Segundo a ferramenta CME FedWatch, o mercado precifica cerca de 83,9% de probabilidade de manutenção da taxa na reunião de janeiro.

Chances de corte ainda são minoritárias

A probabilidade de um corte de 25 pontos-base é estimada em apenas 16,1%, o que mantém o cenário de cautela para ativos de risco e influencia mercados emergentes, como o Brasil.

No Brasil, Copom também deve manter a Selic

Mercado aposta em estabilidade da taxa básica

No mercado doméstico, as apostas também seguem majoritariamente pela manutenção da taxa básica de juros. Na B3, as opções de Copom indicavam probabilidade de 69,50% de manutenção da Selic em 15%.

Cortes ainda não são consenso

A chance de um corte de 25 pontos-base gira em torno de 23,50%, o que mostra que, embora o ciclo de flexibilização esteja no radar, ainda não há consenso suficiente para uma mudança imediata.

Renda fixa indexada à inflação segue como aposta para 2026

Gestores mantêm posições em NTN-Bs longas

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Mesmo com a volatilidade recente, grandes gestoras seguem apostando em títulos atrelados à inflação. Instituições como UBS e Itaú mantêm alocações relevantes em papéis IPCA+ de prazos mais longos.

Estratégia combina diferentes exposições

De acordo com carta recente do fundo Itaú Janeiro, a estratégia envolve alternar entre posições direcionais em juros nominais, venda de inflação implícita e alocação em NTN-Bs longas, sempre considerando o cenário inflacionário e o ciclo de queda da Selic.

Entenda por que os juros sobem mesmo com cenário externo favorável

Fatores internos pesam mais no curto prazo

Apesar da queda dos Treasuries, fatores internos como risco fiscal, fluxo de investidores e liquidez reduzida acabam tendo maior peso na formação das taxas dos títulos brasileiros.

Mercado precifica riscos futuros

O investidor de longo prazo tende a antecipar cenários, exigindo juros maiores para compensar incertezas relacionadas à inflação, política econômica e sustentabilidade das contas públicas.

Veja as taxas do Tesouro Direto nesta quarta-feira

Títulos pós-fixados

Tesouro Selic 2028: Selic + 0,0472% ao ano
Tesouro Selic 2031: Selic + 0,1005% ao ano

Títulos prefixados

Tesouro Prefixado 2028: 12,95% ao ano
Tesouro Prefixado 2032: 13,60% ao ano
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2035: 13,69% ao ano

Títulos indexados ao IPCA

Tesouro IPCA+ 2029: IPCA + 7,78%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035: IPCA + 7,50%
Tesouro IPCA+ 2040: IPCA + 7,31%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045: IPCA + 7,28%
Tesouro IPCA+ 2050: IPCA + 7,05%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060: IPCA + 7,21%

Considerações finais

O movimento de alta nos juros de médio e longo prazos do Tesouro Direto reforça que o mercado segue atento aos riscos internos, mesmo diante de sinais mais positivos no cenário internacional. Com liquidez reduzida, qualquer ajuste nas expectativas ganha maior relevância, impactando diretamente os preços dos títulos públicos.

Para o investidor, o momento exige atenção redobrada, análise de perfil e horizonte de investimento, especialmente em um ambiente em que a renda fixa segue oferecendo oportunidades relevantes, mas não isentas de volatilidade.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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