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Tesouro Direto registra retorno de 14% ao ano em maio

Taxas do Tesouro Direto sobem e superam 14% ao ano. Entenda o impacto, riscos e oportunidades para investidores em 2026.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes4 min de leitura
Tesouro Direto registra retorno de 14% ao ano em maio

A primeira sessão de negociações de maio de 2026 trouxe uma mudança relevante para quem acompanha a renda fixa brasileira: os títulos do Tesouro Direto voltaram a oferecer retornos acima de 14% ao ano em alguns papéis prefixados.

O movimento reflete um cenário macroeconômico ainda desafiador, com juros elevados no Brasil e expectativas de inflação que continuam exigindo prêmios mais altos para investidores. Na prática, isso significa que o governo precisa pagar mais para captar recursos — o que, para o investidor, pode representar uma janela interessante de oportunidades.

Um dos destaques foi o Tesouro Prefixado 2037 com juros semestrais, cuja taxa subiu de 13,84% ao ano no fim de abril para cerca de 14,04% ao ano no dia 4 de maio.

Leia mais:

Tesouro Direto: prefixados e IPCA+ voltam a subir

Por que as taxas subiram?

A elevação das taxas no Tesouro Direto está diretamente ligada à dinâmica da economia e às decisões do Banco Central do Brasil, especialmente em relação à taxa básica de juros (Selic).

Fatores que explicam o movimento

Expectativas de inflação

Quando o mercado projeta inflação mais persistente, os títulos públicos precisam oferecer maior retorno real para atrair investidores.

Política monetária restritiva

A manutenção de juros elevados pelo Banco Central tende a pressionar toda a curva de juros, impactando diretamente os títulos prefixados e atrelados ao IPCA.

Risco fiscal

Incertezas sobre as contas públicas também elevam o prêmio exigido pelos investidores, aumentando as taxas dos títulos.

Marcação a mercado: por que investidores tiveram perdas?

Apesar das taxas mais altas beneficiarem novos investidores, quem já havia aplicado anteriormente enfrentou perdas momentâneas devido à chamada marcação a mercado.

Entenda o que aconteceu

O preço do Tesouro Prefixado 2037 caiu de R$ 833,14 para R$ 825,15 entre o fim de abril e o início de maio. Isso representa uma desvalorização de quase -1% no período.

Esse movimento ocorre porque:

  • Quando as taxas sobem, os preços dos títulos caem
  • Quando as taxas caem, os preços sobem

Ou seja, há uma relação inversa entre taxa e preço.

Isso é prejuízo real?

Depende. Se o investidor mantiver o título até o vencimento, continuará recebendo a rentabilidade contratada no momento da compra. A perda só se concretiza caso haja venda antecipada.

Panorama atualizado dos títulos públicos

A seguir, um resumo das principais taxas e valores mínimos observados no início de maio de 2026:

Títulos prefixados

  • Tesouro Prefixado 2029: 13,86% ao ano (mínimo de R$ 7,09)
  • Tesouro Prefixado 2032: 13,97% ao ano (mínimo de R$ 4,87)
  • Tesouro Prefixado 2037 (com juros semestrais): 14,03% ao ano (mínimo de R$ 8,25)

Títulos pós-fixados

  • Tesouro Selic 2031: Selic + 0,0823% ao ano (mínimo de R$ 188,52)

Títulos atrelados à inflação (IPCA+)

  • Tesouro IPCA+ 2032: IPCA + 7,68% ao ano
  • Tesouro IPCA+ 2040: IPCA + 7,14% ao ano
  • Tesouro IPCA+ 2050: IPCA + 6,95% ao ano

Também se destacam versões com juros semestrais e prazos mais longos, voltadas para geração de renda periódica.

Tesouro para objetivos específicos

Aposentadoria (Renda+)

Os títulos do Tesouro Renda+ seguem oferecendo retornos reais próximos de IPCA + 7% ao ano, com aportes mínimos acessíveis e foco em renda futura.

Educação (Educa+)

Já o Tesouro Educa+ apresenta taxas ainda mais elevadas nos vencimentos mais curtos, chegando a IPCA + 7,86% ao ano.

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Vale a pena investir com juros acima de 14%?

O retorno elevado chama atenção, mas exige análise cuidadosa.

Pontos positivos

  • Rentabilidade historicamente alta
  • Proteção contra oscilações futuras de juros (no caso dos prefixados)
  • Possibilidade de ganhos com marcação a mercado se as taxas caírem

Pontos de atenção

  • Risco de volatilidade no curto prazo
  • Impacto da inflação nos títulos prefixados
  • Necessidade de alinhar o investimento ao prazo

Estratégias para o investidor brasileiro

Diante desse cenário, algumas estratégias podem fazer sentido:

Diversificação entre indexadores

Combinar títulos prefixados, pós-fixados e atrelados à inflação pode reduzir riscos.

Escalonamento de vencimentos

Distribuir investimentos em diferentes prazos ajuda a equilibrar liquidez e rentabilidade.

Foco no objetivo

Investidores devem priorizar títulos alinhados a metas específicas, como aposentadoria ou educação.

O que esperar para os próximos meses?

O comportamento das taxas do Tesouro Direto continuará dependente de fatores como inflação, política fiscal e decisões do Banco Central.

Caso haja sinalização de queda da Selic nos próximos meses, os títulos prefixados podem se valorizar, beneficiando quem entrou agora com taxas mais altas.

Por outro lado, se o cenário fiscal se deteriorar ou a inflação surpreender, as taxas podem continuar subindo, gerando mais volatilidade.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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