O mercado de renda fixa brasileiro iniciou a semana com forte movimentação nas taxas de rentabilidade do Tesouro Direto, em sintonia com o comportamento dos Treasuries norte-americanos.
Tesouro Direto tem alta nas taxas com disparada dos juros nos EUA
Títulos do Tesouro Direto registram alta com disparada dos juros nos EUA e acordo comercial com a China.
A disparada nos rendimentos dos títulos dos EUA, aliada a sinais do Banco Central sobre o fim do ciclo de aperto monetário no Brasil, influenciou diretamente os papéis prefixados e atrelados à inflação.
Rentabilidades sobem em diversos vencimentos

Na manhã da última segunda-feira (12), a atualização das taxas mostrava avanço na maioria dos títulos. O Tesouro IPCA+ 2029, por exemplo, chegou a oferecer IPCA + 7,36% ao ano, frente aos 7,30% registrados na última sexta-feira (9). Os vencimentos mais longos, como 2040 e 2050, também apresentaram elevações: de 7,04% para 7,06% e de 6,94% para 6,97%, respectivamente.
Os títulos prefixados seguiram a mesma tendência. A rentabilidade do Tesouro Prefixado 2028 subiu de 13,36% para 13,51% ao ano. Já os papéis com vencimento em 2032 e 2035 (este último com juros semestrais) avançaram para 13,73% e 13,83%, contra 13,60% e 13,70% na última sessão.
A expectativa sobre a Selic
Com a recente elevação da taxa básica de juros para 14,75%, os investidores aguardam agora os detalhes da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para esta semana. O documento deve esclarecer os motivos que levaram à decisão do Banco Central e fornecer pistas sobre a manutenção ou mudança da política monetária.
Para muitos analistas, o ciclo de aperto monetário chegou ao fim. Caso essa percepção se confirme, os títulos públicos podem ganhar ainda mais atratividade, já que seus rendimentos atuais incorporam prêmios elevados, mesmo com uma possível estabilização da Selic.
Influência internacional: EUA e China em trégua comercial
O cenário externo também tem papel decisivo no comportamento dos juros no Brasil. Um novo acordo entre Estados Unidos e China, anunciado em Genebra, determinou uma trégua de 90 dias na guerra comercial. Nesse período, haverá redução temporária nas tarifas bilaterais: os EUA reduzirão a alíquota de 145% para 30% sobre produtos chineses, enquanto a China cortará tarifas de 125% para 10% sobre produtos americanos.
Embora o pacto sugira alívio nas tensões comerciais, o mercado interpretou a medida como sinal de possível aceleração da economia global. Isso elevou as expectativas de inflação e juros, especialmente nos EUA, onde os Treasuries subiram com força.
Rendimentos dos Treasuries disparam
Na manhã da segunda-feira, os títulos do Tesouro norte-americano apresentaram rendimentos elevados, o que impactou o mercado global de renda fixa. Os papéis de 10, 20 e 30 anos estavam pagando, respectivamente, 4,46%, 4,92% e 4,89% ao ano.
Esse movimento pressiona também os títulos públicos brasileiros, uma vez que os investidores exigem prêmios maiores para compensar o risco e manter a atratividade frente aos ativos internacionais.
Destaques entre os títulos do Tesouro Direto
Veja abaixo alguns destaques nas rentabilidades:
Prefixados:
- Tesouro Prefixado 2028: 13,51% ao ano
- Tesouro Prefixado 2032: 13,73% ao ano
- Tesouro Prefixado com juros semestrais 2035: 13,83% ao ano
Atrelados à Selic:
- Tesouro Selic 2028: SELIC + 0,0682%
- Tesouro Selic 2031: SELIC + 0,1162%
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Atrelados à inflação:
- Tesouro IPCA+ 2029: IPCA + 7,36%
- Tesouro IPCA+ 2040: IPCA + 7,06%
- Tesouro IPCA+ 2050: IPCA + 6,97%
- Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2060: IPCA + 7,11%
Para aposentadoria:
- Tesouro Renda+ 2050: IPCA + 7,00%
- Tesouro Renda+ 2060: IPCA + 7,03%
Para educação:
- Tesouro Educa+ 2026 a 2043: rentabilidades variando entre IPCA + 7,67% e IPCA + 7,09%
O que esperar do Tesouro Direto nos próximos dias?

Com o cenário internacional agitado e a política monetária brasileira em transição, os próximos dias devem manter os investidores atentos. O foco estará na divulgação da ata do Copom e no comportamento dos mercados externos. A valorização dos títulos pode representar uma oportunidade, principalmente para quem busca rentabilidade real elevada no longo prazo.
Apesar da volatilidade, o Tesouro Direto segue como uma opção segura e acessível para investidores de diferentes perfis, com oportunidades tanto para aplicações de curto quanto de longo prazo.
Com informações de: MoneyTimes
