Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Tesouro Direto via Pix 24h estreia neste mês, veja como isso pode turbinar seus investimentos

Tesouro Direto prepara saques 24h em 2026 e cria título para competir com poupança e caixinhas dos bancos. Entenda como vai funcionar.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes7 min de leitura
tesouro direto

O Tesouro Nacional confirmou, ainda no ano passado, que pretende dar um passo histórico a partir de janeiro de 2026: permitir saques e investimentos no Tesouro Direto 24 horas por dia, sete dias por semana. Apesar de ainda não haver uma data oficial para o início da operação, o anúncio já movimenta o mercado financeiro e reacende o debate sobre o futuro da poupança, das caixinhas digitais dos bancos e da própria forma como o brasileiro lida com sua reserva de emergência.

A iniciativa não surge do nada. Trata-se de um objetivo antigo, que chegou a ser associado ao desenvolvimento do Drex, o chamado “real digital”. O projeto acabou pausado, mas o governo encontrou um caminho mais simples e imediato: integrar o Tesouro Direto ao Pix, sistema que já funciona de forma ininterrupta no Brasil. Com isso, o Tesouro passa a operar na mesma lógica de disponibilidade que os serviços bancários digitais modernos.

Leia mais:

Tesouro Direto lança simulador para planejar compra e aposentadoria

Integração do Tesouro Direto ao Pix

Funcionamento da operação 24/7

A ideia central é “plugar” o Tesouro Direto ao Pix, permitindo aplicações e resgates em qualquer dia e horário. Hoje, o investidor está limitado ao horário de funcionamento do mercado financeiro, justamente porque, na prática, não existe saque direto: o que ocorre é a venda do título ao mercado.

Com o Pix operando 24 horas, o Tesouro pretende contornar essa limitação em casos específicos, criando um título desenhado desde o início para não sofrer oscilações de preço que inviabilizem saques imediatos.

Limitações iniciais

Nem todos os títulos poderão participar dessa novidade. O próprio Tesouro reconhece que, por questões operacionais e de risco, a operação 24/7 começará de forma restrita, com um novo papel pensado exclusivamente para essa finalidade.

Surge a “Poupança de Emergência”

Um título criado para liquidez imediata

O nome ainda é provisório, mas bastante ilustrativo: Poupança de Emergência. O objetivo é claro. Trata-se de um produto voltado para quem precisa de liquidez imediata, sem sustos no valor aplicado, algo muito parecido com as caixinhas digitais dos bancos e com a tradicional caderneta de poupança.

Esse novo título será, na prática, um “irmão” do Tesouro Selic. Ele acompanhará a taxa básica de juros definida pelo Banco Central, mas com uma diferença crucial: o Tesouro vai garantir que o saldo aumente todos os dias, independentemente das condições do mercado.

Rentabilidade diária garantida

No Tesouro Selic tradicional, apesar da baixa volatilidade, já houve dias em que o valor não subiu, por conta de turbulências pontuais no mercado. No novo título, isso não acontecerá. O rendimento será diário, na alegria ou na tristeza do mercado financeiro.

Se o papel pagar 100% da Selic, hoje em torno de 15% ao ano, isso equivaleria a cerca de 0,0006% ao dia. Em valores práticos, seriam aproximadamente R$ 5,59 por dia, antes de impostos, para cada R$ 10 mil investidos.

Percentual da Selic ainda indefinido

Ainda não está claro se o novo título pagará exatamente 100% da Selic. Para efeito de comparação, o Tesouro Selic com vencimento em 2031 rende atualmente 100,1% da taxa básica. Caso o novo produto pagasse mais do que isso, o Tesouro Selic tradicional perderia parte de sua razão de existir.

Por esse motivo, a tendência é que a Poupança de Emergência renda um pouco menos, compensando o investidor com liquidez total e previsibilidade absoluta.

Por que prefixados e IPCA+ ficam de fora

Oscilações inviabilizam saques 24h

A impossibilidade de incluir títulos prefixados e IPCA+ nessa modalidade não é uma escolha arbitrária. Esses papéis sofrem oscilações diárias que podem ser bastante intensas.

Um exemplo recente ajuda a ilustrar: entre os dias 4 e 5 de dezembro, um Tesouro Prefixado com vencimento em 2031 caiu cerca de 2,5% em apenas um dia. Trata-se de uma variação típica de renda variável, incompatível com a promessa de liquidez imediata.

Risco para o Tesouro

Se uma notícia política relevante surgir em um fim de semana, esses títulos podem abrir a semana seguinte com forte queda. Permitir saques nesse intervalo significaria prejuízo direto para o Tesouro, o que torna o modelo inviável.

Reserva de emergência e o papel da Selic

Onde deve ficar o dinheiro do imprevisto

Especialistas são unânimes: reserva de emergência deve ficar em produtos atrelados à Selic ou ao CDI, que acompanha de perto a taxa básica. Nesse contexto, o nome Poupança de Emergência faz ainda mais sentido.

O novo título chega justamente para ocupar esse espaço, oferecendo rendimento superior à poupança e liquidez comparável às soluções bancárias digitais.

A disputa direta com a poupança

Um desafio de escala

A caderneta de poupança ainda reúne cerca de 32 milhões de brasileiros, enquanto o Tesouro Direto conta com aproximadamente 3,3 milhões de investidores. Do ponto de vista do governo, isso representa um problema: o dinheiro da poupança não financia diretamente as contas públicas, sendo direcionado majoritariamente ao crédito imobiliário.

Atrair mais recursos para o Tesouro Direto significa ampliar a base de financiamento da dívida pública.

Diferença de rentabilidade

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Em 2025, a poupança rendeu cerca de 8% líquidos, somando 6% fixos mais a TR. No mesmo período, o Tesouro Selic entregou aproximadamente 12% líquidos, já descontado o Imposto de Renda. A diferença é expressiva.

Além disso, a poupança só rende na data de aniversário. Quem saca antes perde o rendimento do período, algo que não ocorre nos títulos públicos.

Críticas do Banco Central à poupança

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tem sido um crítico aberto da caderneta. Em novembro, ele classificou a poupança como um “Robin Hood às avessas”, ao argumentar que ela paga pouco aos pequenos poupadores e subsidia juros mais baixos para financiamentos imobiliários de camadas mais ricas.

Segundo ele, o dinheiro usado em habitação popular não vem da poupança, mas do FGTS, o que reforça o argumento de que o modelo atual é ineficiente e socialmente regressivo.

A decadência da aplicação mais popular

Apesar das críticas, a poupança ainda é a aplicação preferida de 23% dos brasileiros, segundo a Anbima. No entanto, essa participação vem caindo. A pesquisa mais recente mostrou uma redução de seis pontos percentuais.

Desde 2021, a caderneta acumula resgates líquidos de R$ 272,7 bilhões no segmento destinado ao financiamento imobiliário, de acordo com dados da Abecip, sinalizando uma perda gradual de relevância.

Mudanças recentes no Tesouro Direto

Fim do investimento mínimo fixo

Desde 18 de novembro, o Tesouro Direto eliminou o valor mínimo fixo de R$ 30 por aplicação. Agora, vale apenas a regra de 1% do valor unitário do título. Isso permitiu entradas muito menores em alguns papéis.

No Tesouro Prefixado 2028, por exemplo, 1% do valor correspondia a apenas R$ 7,82 no fim de dezembro.

Tesouro Selic ainda é o mais caro para entrar

O título com maior exigência de aporte mínimo segue sendo o Tesouro Selic, com cerca de R$ 180. Para competir com caixinhas digitais e com a poupança, o novo título 24/7 deve reduzir significativamente essa barreira de entrada.

Limite mensal ampliado

Na outra ponta, o Tesouro dobrou o limite mensal de aplicações, que agora chega a R$ 2 milhões a cada 30 dias. A estratégia é clara: atrair pequenos investidores e, ao mesmo tempo, grandes volumes de capital.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

Topicos relacionados