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Títulos atrelados ao IPCA superam CDI em agosto com ganhos acima de 1%

Depois de meses de protagonismo dos investimentos ligados ao CDI, agosto trouxe uma mudança importante para a renda fixa. Os títulos do Tesouro IPCA+ apresentaram fortes valorizações e, em alguns vencimentos, entregaram no mês mais de três vezes o retorno do principal indicador usado por CDBs e outras aplicações conservadoras. O Tesouro IPCA+ 2040 avançou […]

Avatar de Bruna Machado Bruna Machado · · 14 min de leitura
ipca

Depois de meses de protagonismo dos investimentos ligados ao CDI, agosto trouxe uma mudança importante para a renda fixa. Os títulos do Tesouro IPCA+ apresentaram fortes valorizações e, em alguns vencimentos, entregaram no mês mais de três vezes o retorno do principal indicador usado por CDBs e outras aplicações conservadoras.

O Tesouro IPCA+ 2040 avançou 3,67% em agosto, enquanto o Tesouro IPCA+ 2050 valorizou 3,43%. O papel com vencimento em 2032 subiu 1,60%. No mesmo período, o CDI acumulou aproximadamente 1,09%.

Os números chamam a atenção, mas exigem interpretação. O desempenho não significa que os títulos passarão a render mais de 3% todos os meses. Boa parte da alta veio da marcação a mercado, mecanismo que ajusta diariamente o preço dos investimentos conforme as expectativas para inflação, juros e economia.

Quem mantém o Tesouro IPCA+ até o vencimento conserva a lógica contratada na compra: variação da inflação medida pelo IPCA mais uma taxa fixa. Quem vende antes, no entanto, recebe o preço de mercado daquele dia, que pode gerar lucro ou prejuízo.

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Quais títulos IPCA+ mais renderam em agosto?

IPCA 4
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Os papéis com vencimentos mais longos apresentaram os maiores ganhos no mês. Isso aconteceu porque eles são mais sensíveis às mudanças nas expectativas para os juros futuros.

InvestimentoRetorno em agosto de 2026
Tesouro IPCA+ 20403,67%
Tesouro IPCA+ 20503,43%
Tesouro IPCA+ 20321,60%
CDI1,09%

Os percentuais mostram o comportamento dos preços durante agosto. Portanto, representam o retorno que apareceu no saldo dos investidores naquele intervalo, antes da eventual incidência de impostos e taxas.

Para transformar a valorização em ganho realizado, seria necessário vender o título. Se o investidor continuar com o papel, o preço poderá subir ou cair nos meses seguintes.

Essa diferença evita uma conclusão precipitada: o Tesouro IPCA+ não passou a pagar 3,67% mensalmente. O título apenas se valorizou nesse percentual durante uma janela específica.

O que é o Tesouro IPCA+?

O Tesouro IPCA+ é um título público federal vendido pelo Tesouro Nacional. Ao investir, a pessoa empresta dinheiro ao governo e recebe uma remuneração vinculada à inflação.

O rendimento é composto por duas partes:

  • a variação do IPCA no período;
  • uma taxa fixa definida no momento da compra.

IPCA é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, calculado pelo IBGE e considerado a medida oficial da inflação brasileira.

Se um investidor compra um título que oferece IPCA mais 7% ao ano, por exemplo, a proposta é preservar o poder de compra do dinheiro e acrescentar um ganho real de aproximadamente 7% ao ano, desde que o papel seja mantido até o vencimento e sejam respeitadas as condições contratadas.

O ganho real é aquilo que sobra acima da inflação. Se os preços aumentarem 4% e o investimento render 11,28% no mesmo período, o retorno real ficará próximo de 7%, considerando a composição das taxas.

Para quais objetivos o título costuma ser utilizado?

Como protege o dinheiro contra a inflação e possui opções de vencimento longo, o Tesouro IPCA+ costuma ser utilizado para objetivos como:

  • aposentadoria;
  • compra de imóvel no futuro;
  • formação de patrimônio;
  • pagamento da faculdade dos filhos;
  • projetos previstos para daqui a vários anos.

Apesar de ser um título público, ele não funciona como uma reserva de emergência. Seu preço pode oscilar consideravelmente antes do vencimento, especialmente nos papéis mais longos.

Para despesas imprevisíveis e de curto prazo, normalmente são consideradas aplicações com menor oscilação e liquidez diária, como o Tesouro Selic. A escolha depende do objetivo, do prazo e da tolerância ao risco de cada pessoa.

Por que os títulos subiram tanto em agosto?

O principal motivo foi a queda das taxas de juros negociadas pelo mercado para determinados prazos. Quando a taxa exigida pelos investidores diminui, o preço dos títulos antigos sobe.

A relação parece estranha no primeiro contato, mas segue uma lógica simples: se um título antigo paga uma taxa maior do que os novos papéis disponíveis, ele se torna mais valioso.

Imagine que uma pessoa tenha comprado um investimento que paga IPCA mais 8% ao ano. Algum tempo depois, títulos semelhantes passam a oferecer IPCA mais 7%. O papel antigo, que garante uma remuneração mais elevada até o vencimento, passa a valer mais no mercado.

O movimento contrário também acontece. Se as taxas novas subirem para IPCA mais 9%, o título antigo, que paga IPCA mais 8%, perde atratividade e seu preço cai.

Expectativa de queda da Selic favoreceu os preços

Em agosto, dados mais favoráveis de inflação reforçaram a expectativa de continuidade dos cortes na taxa Selic. O Comitê de Política Monetária do Banco Central havia reduzido a taxa básica para 14,25% ao ano.

A Selic continua elevada, mas o mercado financeiro não observa apenas a taxa atual. Investidores tentam antecipar como estarão os juros daqui a dois, cinco ou dez anos.

Quando aumenta a expectativa de queda dos juros, as taxas dos títulos de longo prazo podem recuar. Como consequência, o preço dos papéis já emitidos tende a subir.

Foi esse ajuste que favoreceu principalmente o Tesouro IPCA+ com vencimentos mais distantes. Quanto maior o prazo, mais intenso costuma ser o efeito de uma mudança nas taxas sobre o preço.

Como funciona a marcação a mercado?

A marcação a mercado é a atualização diária do preço de um investimento. Ela mostra quanto o título valeria se fosse vendido naquele momento.

O valor exibido no aplicativo do banco ou da corretora não cresce sempre em uma linha reta. Mesmo que a taxa contratada pareça atraente, o saldo pode alternar períodos de alta e queda antes do vencimento.

Isso ocorre porque o Tesouro Nacional recompra os títulos pelo preço vigente no mercado, e não necessariamente pelo valor pago pelo investidor.

Exemplo de valorização

Considere um exemplo hipotético em que uma pessoa tenha R$ 10 mil aplicados no Tesouro IPCA+ 2040 no início de agosto.

Com uma valorização de 3,67%, o saldo bruto poderia chegar a aproximadamente R$ 10.367 ao final do mês. A diferença de R$ 367 ainda seria um ganho não realizado caso o título permanecesse na carteira.

Se as taxas continuassem caindo, o preço poderia avançar mais. Se os juros voltassem a subir, parte da valorização poderia desaparecer.

Exemplo de queda

Imagine agora que, depois da compra, o mercado passe a exigir uma taxa maior para financiar o governo. O preço do título adquirido anteriormente cairá para se tornar competitivo diante dos novos papéis.

O investidor poderá ver um saldo inferior ao valor aplicado. Se não precisar do dinheiro e mantiver o investimento até o vencimento, continuará seguindo a remuneração contratada na compra.

O risco de transformar a oscilação em prejuízo aparece quando o título precisa ser vendido antes da data prevista.

Quais índices lideraram a renda fixa na B3?

O avanço dos investimentos ligados à inflação não ficou limitado a títulos individuais. Um levantamento oficial da B3 mostrou que índices compostos por títulos públicos e privados atrelados ao IPCA ocuparam as primeiras posições do ranking de agosto.

O principal destaque foi o TP10, que acompanha uma carteira de títulos públicos indexados ao IPCA com prazo de aproximadamente dez anos. O índice avançou 1,78%.

PosiçãoÍndiceTipo de exposiçãoRetorno em agosto
TP10Títulos públicos IPCA de prazo longo1,78%
IDAP5Contratos futuros de cupom IPCA1,48%
IDICDebêntures incentivadas ligadas ao IPCA1,47%
TP02Títulos públicos IPCA de prazo curto1,35%
TP05Títulos públicos IPCA de prazo intermediário1,31%

Os dados da B3 mostram que a valorização ocorreu em diferentes áreas da renda fixa. Houve ganhos em títulos públicos, contratos ligados à inflação e debêntures incentivadas.

Ainda assim, os índices não devem ser comparados diretamente com um título isolado. Cada índice acompanha uma carteira com regras e prazos próprios, o que tende a distribuir as oscilações entre diferentes ativos.

O que significam TP10, IDAP5 e IDIC?

O TP10 acompanha uma carteira de títulos públicos federais vinculados ao IPCA com prazo longo. Ele funciona como um termômetro do desempenho de papéis semelhantes ao Tesouro IPCA+.

O IDAP5 mede contratos futuros de cupom de inflação. O nome “cupom” se refere ao juro real, isto é, à parcela de rendimento acima do IPCA.

Já o IDIC acompanha debêntures incentivadas de alta qualidade de crédito vinculadas à inflação. Debêntures são títulos emitidos por empresas para captar recursos.

Nas debêntures incentivadas, o dinheiro costuma financiar projetos de infraestrutura. Para pessoas físicas, os rendimentos desses papéis podem ter isenção de Imposto de Renda, desde que sejam atendidas as exigências legais.

A isenção tributária não elimina o risco. Diferentemente do Tesouro IPCA+, garantido pelo Tesouro Nacional, uma debênture depende da capacidade de pagamento da empresa emissora e não conta com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.

Como os ETFs participaram da valorização?

Os índices da B3 também servem como referência para ETFs de renda fixa. ETF é um fundo negociado na bolsa que busca reproduzir o desempenho de uma carteira ou indicador.

Em vez de comprar diversos títulos separadamente, o investidor adquire uma cota do fundo. Essa cota pode ser comprada ou vendida durante o horário de negociação da B3, de maneira semelhante a uma ação.

Entre os produtos relacionados aos índices que se destacaram em agosto estão:

ETFGestoraÍndice de referênciaRetorno do índice
NB1011Nu AssetTP101,78%
BDAP11BB AssetIDAP51,48%
NB0211Nu AssetTP021,35%
NB0511Nu AssetTP051,31%
MARG11BTG Pactual AssetIDEU1,28%
LFTX11InvestoTSLL1,18%
NCDI11Nu AssetTSLC1,18%
LFIX11InvestoILFB1,16%

Os percentuais da tabela são dos índices de referência, e não necessariamente o retorno líquido obtido pelo cotista. Taxa de administração, custos operacionais, diferença de acompanhamento e oscilação das cotas podem produzir resultados diferentes.

Antes de comprar um ETF, é necessário entender qual índice ele acompanha, quais títulos compõem a carteira e qual é o prazo médio dos ativos.

Tesouro IPCA+ agora é melhor que o CDI?

Não existe uma resposta única. O resultado de agosto mostra apenas que determinados títulos ligados à inflação superaram o CDI naquele mês.

O CDI acompanha de perto a Selic e apresenta comportamento mais previsível no curto prazo. Ele é usado como referência para CDBs, fundos DI e outros investimentos pós-fixados.

O Tesouro IPCA+, por outro lado, oferece proteção contra a inflação no longo prazo, mas pode oscilar bastante antes do vencimento. O investidor troca parte da estabilidade imediata pela possibilidade de assegurar uma taxa real por vários anos.

A comparação deve considerar:

  • objetivo do dinheiro;
  • prazo de investimento;
  • necessidade de liquidez;
  • risco de resgate antecipado;
  • tributação;
  • custos;
  • tolerância às oscilações.

Para uma reserva que pode ser utilizada a qualquer momento, a volatilidade do Tesouro IPCA+ longo pode ser inadequada. Para uma meta prevista para 2040, um título com vencimento próximo dessa data pode fazer mais sentido.

O melhor investimento não é necessariamente aquele que liderou o ranking do último mês, mas o que combina com o prazo em que o dinheiro será necessário.

Vale a pena comprar depois da alta?

A valorização de agosto, sozinha, não responde se este é um bom momento para investir. Comprar apenas porque um ativo subiu recentemente pode levar o investidor a entrar sem entender os riscos.

O primeiro passo é observar a taxa real oferecida no momento da aplicação. Também é necessário escolher um vencimento compatível com a data do objetivo.

Quem pretende manter o título até o vencimento deve avaliar se a remuneração contratada atende à sua meta. Nesse caso, as oscilações intermediárias tendem a ter menos importância.

Quem deseja vender antes está assumindo uma aposta adicional sobre o comportamento dos juros. Se as taxas caírem, pode obter valorização. Se subirem, poderá enfrentar perdas.

A alta de agosto não garante continuidade em setembro. Mudanças na inflação, nas contas públicas, na Selic, no câmbio ou no cenário internacional podem alterar rapidamente as taxas negociadas.

Quais custos incidem sobre o Tesouro IPCA+?

Os rendimentos do Tesouro IPCA+ estão sujeitos ao Imposto de Renda regressivo. A alíquota diminui conforme o tempo em que o dinheiro permanece aplicado:

  • 22,5% até 180 dias;
  • 20% de 181 a 360 dias;
  • 17,5% de 361 a 720 dias;
  • 15% acima de 720 dias.

Também pode existir IOF quando o resgate ocorre antes de 30 dias. Após esse período, o imposto deixa de ser cobrado.

A B3 cobra taxa de custódia de 0,20% ao ano sobre o valor dos títulos. A cobrança é proporcional ao período do investimento e pode ocorrer no vencimento, na venda antecipada ou no pagamento de juros semestrais.

Bancos e corretoras também podem cobrar taxas próprias, embora muitas instituições ofereçam taxa de administração zero. O investidor deve consultar as condições antes de aplicar.

O que fazer após a valorização?

Quem já possui Tesouro IPCA+ não precisa vender apenas porque o saldo subiu. A decisão deve partir do objetivo original.

Se o vencimento continua compatível com a data em que o dinheiro será utilizado, manter o planejamento pode ser mais coerente do que tentar acertar os melhores momentos de entrada e saída.

Quem pensa em vender para aproveitar o ganho precisa calcular Imposto de Renda, taxa de custódia e destino do dinheiro. A troca só faz sentido quando a nova estratégia melhora a adequação da carteira, e não apenas porque o saldo ficou positivo.

Para novos investidores, o cuidado é não interpretar o desempenho passado como promessa. O Tesouro IPCA+ pode voltar a cair se os juros reais subirem.

Agosto mostrou o potencial de valorização desses títulos quando as taxas recuam. Também serviu para lembrar que renda fixa não significa preço fixo durante todo o investimento.

Perguntas frequentes sobre o Tesouro IPCA+

IPCA
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Por que o Tesouro IPCA+ subiu em agosto?

Os títulos se valorizaram principalmente porque as taxas de juros exigidas pelo mercado caíram. Quando a taxa cai, o preço dos papéis já emitidos tende a subir.

O Tesouro IPCA+ continuará rendendo mais que o CDI?

Não há garantia. O desempenho de agosto foi resultado de condições específicas do mercado. Em outros períodos, o CDI pode voltar a apresentar retorno superior.

É possível perder dinheiro no Tesouro IPCA+?

Sim, se o título for vendido antecipadamente por um preço inferior ao de compra. Mantido até o vencimento, o investimento segue as condições contratadas, ressalvados impostos e custos.

O que acontece se os juros subirem?

O preço do Tesouro IPCA+ tende a cair, especialmente nos vencimentos mais longos. Essa desvalorização aparece no saldo por causa da marcação a mercado.

Tesouro IPCA+ serve como reserva de emergência?

Em geral, os títulos longos não são indicados para essa finalidade porque podem oscilar muito. A reserva de emergência exige liquidez e menor risco de perda em um resgate inesperado.

O retorno de um ETF é igual ao de seu índice?

Não necessariamente. Taxas, custos, liquidez e diferenças operacionais podem fazer o ETF entregar resultado ligeiramente diferente do índice de referência.

Qual é o principal cuidado ao comprar Tesouro IPCA+?

Escolher um vencimento próximo da data do objetivo. Quanto maior a chance de venda antecipada, maior a importância de entender a marcação a mercado.

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