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Queda da Selic muda cenário da renda fixa e favorece títulos prefixados

Descubra quando o Tesouro Prefixado vale a pena, como funciona, quais são os riscos e por que a queda da Selic pode favorecer esse investimento.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa··7 min de leitura
Juros

Quem pretende investir para o médio ou longo prazo costuma se deparar com uma dúvida recorrente: vale a pena aplicar no Tesouro Prefixado quando a taxa básica de juros começa a cair?

A questão ganhou destaque após um investidor perguntar se fazia sentido investir no Tesouro Prefixado, que oferece taxas próximas de 14% ao ano com vencimentos em 2029 e 2032, considerando a expectativa de redução da Selic nos próximos meses. A resposta passa pelo entendimento de como esse título funciona, quais são seus riscos e em quais situações ele pode ser uma alternativa interessante.

Neste artigo, você entenderá como funciona o Tesouro Prefixado, por que ele costuma se beneficiar de ciclos de queda da Selic, quais são os riscos envolvidos e para quais perfis de investidores esse investimento pode ser indicado.

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O que é o Tesouro Prefixado?

Tesouro
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O Tesouro Prefixado é um título público emitido pelo Tesouro Nacional. Sua principal característica é permitir que o investidor saiba, no momento da aplicação, qual será a taxa de rentabilidade contratada caso mantenha o investimento até o vencimento.

Na prática, isso significa que, ao investir em um título pagando 14% ao ano, essa será a remuneração anual garantida até a data final, independentemente das oscilações futuras da taxa Selic.

Essa previsibilidade torna o título uma alternativa para quem busca planejamento financeiro de médio e longo prazo.

Por que a queda da Selic favorece o Tesouro Prefixado?

Quando o mercado acredita que a Selic entrará em trajetória de queda, os títulos prefixados costumam ganhar atratividade.

Isso acontece porque o investidor consegue “travar” uma taxa elevada antes que os juros diminuam. Se a expectativa se confirmar, novos títulos tendem a oferecer remunerações menores, valorizando aqueles adquiridos anteriormente com taxas mais altas.

Além disso, quem precisar vender o título antes do vencimento poderá, em alguns cenários, obter ganhos adicionais devido à valorização do papel no mercado.

No entanto, esse benefício não é garantido e depende da evolução da economia e das expectativas dos investidores.

O maior risco está na marcação a mercado

Apesar da previsibilidade da rentabilidade no vencimento, o Tesouro Prefixado apresenta um risco que muitos investidores desconhecem: a marcação a mercado.

Esse mecanismo faz com que o preço do título varie diariamente de acordo com as condições econômicas, especialmente as expectativas para os juros.

Na prática, isso significa que o saldo exibido no extrato pode subir ou cair antes da data de vencimento.

Exemplo ilustrativo

Imagine um investidor que compra um Tesouro Prefixado pagando 14% ao ano.

Se, meses depois, novos títulos passarem a oferecer apenas 11% ao ano, o título antigo se torna mais valioso, já que garante uma remuneração maior. Nesse cenário, seu preço sobe.

Por outro lado, se as taxas futuras aumentarem para 16%, o título comprado anteriormente perde valor temporariamente, pois o mercado passa a preferir papéis mais rentáveis.

Quem mantém o investimento até o vencimento continua recebendo exatamente a taxa contratada. Já quem vende antes pode registrar lucro ou prejuízo.

Por que o imposto de renda influencia essa decisão?

Outro fator importante é a tributação.

Os investimentos em renda fixa seguem uma tabela regressiva do Imposto de Renda. Quanto maior o prazo da aplicação, menor será a alíquota cobrada sobre os rendimentos.

A tributação funciona da seguinte forma:

  • 22,5% para aplicações de até 180 dias;
  • 20% entre 181 e 360 dias;
  • 17,5% entre 361 e 720 dias;
  • 15% para investimentos mantidos por mais de dois anos.

Essa estrutura incentiva aplicações de prazo mais longo, mas também faz com que o investidor permaneça mais tempo exposto às oscilações do mercado.

Tesouro Prefixado ou Tesouro Selic: qual a diferença?

Embora ambos sejam títulos públicos federais, eles possuem objetivos diferentes.

O Tesouro Selic acompanha a taxa básica de juros da economia. Sua rentabilidade é atualizada conforme as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, tornando-o uma das principais opções para reserva de emergência devido à baixa volatilidade.

Já o Tesouro Prefixado oferece uma taxa fixa definida no momento da compra. Em troca da possibilidade de obter ganhos maiores quando os juros caem, o investidor aceita uma maior variação no valor do título durante o período da aplicação.

Quando o Tesouro IPCA pode ser mais interessante?

Outra alternativa bastante utilizada pelos investidores é o Tesouro IPCA+.

Esse título combina uma taxa fixa com a variação da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Como resultado, ele preserva o poder de compra do dinheiro ao longo do tempo e costuma ser indicado para objetivos de longo prazo, como aposentadoria, formação de patrimônio ou planejamento financeiro para vários anos.

O Tesouro Prefixado pode render menos que outros investimentos?

Sim.

Embora o cenário atual seja favorável para quem acredita na continuidade da queda da Selic, o desempenho do investimento dependerá da taxa contratada e da evolução dos juros.

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Há períodos em que investidores conseguiram comprar o Tesouro Prefixado 2029 pagando aproximadamente 10% ao ano. Posteriormente, com a alta dos juros, esses títulos perderam valor no mercado, reduzindo significativamente sua rentabilidade caso fossem vendidos antes do vencimento.

Em outros momentos, investidores conseguiram contratar taxas próximas de 16% ao ano, obtendo resultados bastante superiores em comparação com diversas alternativas de renda fixa.

Esses exemplos mostram que o momento da contratação influencia diretamente o potencial de retorno.

Para quem o Tesouro Prefixado faz sentido?

O Tesouro Prefixado costuma ser mais indicado para quem:

  • já possui uma reserva de emergência em aplicações com liquidez diária;
  • pretende manter o investimento até o vencimento;
  • acredita em um cenário de queda dos juros;
  • busca diversificar a carteira de renda fixa;
  • aceita oscilações temporárias no valor do investimento.

Já investidores que podem precisar do dinheiro antes da data de vencimento devem avaliar com cautela os riscos da marcação a mercado.

Como investir no Tesouro Prefixado?

O investimento pode ser realizado por meio do programa Tesouro Direto, disponível em diversas corretoras e instituições financeiras habilitadas.

Antes da aplicação, é recomendável avaliar:

  • o prazo do investimento;
  • a necessidade de liquidez;
  • o cenário econômico;
  • os objetivos financeiros;
  • o perfil de risco.

Esses fatores ajudam a escolher o título mais adequado para cada estratégia.

O que considerar antes de investir?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O Tesouro Prefixado pode representar uma boa oportunidade para investidores que desejam aproveitar taxas elevadas antes de um ciclo de redução da Selic.

Por outro lado, esse investimento exige disciplina para manter a aplicação até o vencimento e tranquilidade para lidar com oscilações temporárias no valor do título.

Quem já possui uma reserva de emergência bem estruturada e busca diversificação na renda fixa tende a encontrar no Tesouro Prefixado uma alternativa interessante, especialmente em períodos de expectativa de queda dos juros.

Conclusão

O Tesouro Prefixado continua sendo uma opção relevante para investidores que pretendem aplicar recursos por vários anos e acreditam na redução da Selic. A possibilidade de travar uma taxa elevada pode gerar bons resultados ao longo do tempo, desde que o investimento seja compatível com os objetivos financeiros e o prazo planejado.

Antes de investir, vale analisar se será necessário utilizar o dinheiro antes do vencimento. Caso exista essa possibilidade, títulos como o Tesouro Selic podem oferecer maior previsibilidade no curto prazo. Já para quem busca diversificar a carteira e aceita oscilações temporárias, o Tesouro Prefixado pode representar uma estratégia eficiente dentro da renda fixa.

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