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Alternativa à poupança, Tesouro Reserva chega a R$ 5,7 bilhões aplicados

Tesouro Reserva cresce entre brasileiros, rende 100% da Selic e oferece liquidez. Veja como funciona, vantagens, impostos e mais.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··10 min de leitura
Alternativa à poupança, Tesouro Reserva chega a R$ 5,7 bilhões aplicados

O Tesouro Reserva vem ganhando espaço entre brasileiros que procuram uma forma simples de guardar dinheiro sem abrir mão da rentabilidade e da possibilidade de resgate. Criado pelo Tesouro Nacional em parceria com a B3 e o Banco do Brasil, o investimento foi lançado em maio de 2026 com uma proposta diferente dentro do Tesouro Direto: permitir aplicações a partir de R$ 1 e oferecer uma experiência semelhante às chamadas “caixinhas” de bancos e fintechs.

A procura pelo produto cresceu rapidamente desde o lançamento. Em junho, as vendas do Tesouro Reserva chegaram a R$ 2,09 bilhões, representando 14,2% de todas as vendas do Tesouro Direto no mês. O desempenho ajudou o programa a alcançar R$ 14,76 bilhões em vendas no período, o segundo maior volume mensal de sua história.

O movimento mostra que existe espaço para produtos de renda fixa voltados a quem ainda mantém dinheiro parado na conta ou concentrado na caderneta de poupança. A proposta do Tesouro Reserva é justamente reduzir a complexidade percebida por quem está começando a investir.

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Tesouro Reserva e poupança: entenda as diferenças

Tesouro Reserva
Imagem: Reprodução

O que é o Tesouro Reserva

O Tesouro Reserva é um título público do Tesouro Direto criado principalmente para quem deseja formar uma reserva financeira ou manter dinheiro disponível para situações de curto prazo.

Na prática, o investidor empresta dinheiro ao Tesouro Nacional e recebe uma remuneração vinculada à taxa Selic. O produto pode ser contratado pelo Banco do Brasil e foi desenvolvido para funcionar de maneira mais próxima dos produtos de liquidez oferecidos pelos bancos digitais.

O investimento mínimo é de apenas R$ 1. Além disso, a proposta prevê operações 24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive fora do horário tradicional de funcionamento do mercado. O Tesouro Nacional destaca que o produto não possui marcação a mercado, característica que o diferencia do Tesouro Selic tradicional.

Essa combinação de baixo valor inicial, rendimento atrelado à Selic e facilidade de movimentação é uma das principais razões para o interesse crescente.

Como funciona o rendimento do Tesouro Reserva

A remuneração do Tesouro Reserva acompanha a Selic. Segundo as informações oficiais do Tesouro Direto, o dinheiro aplicado rende 100% da Selic em dias úteis.

Isso significa que o retorno acompanha o comportamento da taxa básica de juros da economia. Quando a Selic está elevada, aplicações pós-fixadas ligadas a esse indicador tendem a apresentar uma remuneração mais atrativa.

Em junho de 2026, por exemplo, a Selic estava em 14,25% ao ano, cenário que ajudava a explicar a forte procura por títulos públicos vinculados aos juros básicos.

É importante, entretanto, não confundir “rendimento de 100% da Selic” com uma taxa fixa de 14,25% ao ano para todo o período. A Selic pode subir ou cair ao longo do tempo, e o rendimento do investimento acompanha essas mudanças.

Por que o Tesouro Reserva não sofre marcação a mercado

Uma das características que mais chamam atenção no produto é a ausência de marcação a mercado.

Em outros títulos do Tesouro Direto, o preço de mercado pode variar antes do vencimento. Essas oscilações podem ocorrer principalmente quando há mudanças nas expectativas para os juros futuros.

No Tesouro Reserva, a estrutura foi desenhada para eliminar essa característica. Com isso, o investidor não precisa acompanhar diariamente uma cotação que possa mostrar variações negativas no valor do título.

Essa característica torna o produto especialmente interessante para quem prioriza previsibilidade e simplicidade.

O próprio Tesouro Nacional destaca que a ausência de marcação a mercado elimina o risco de oscilações relacionadas à negociação do título.

Tesouro Reserva pode ser usado como reserva de emergência?

Sim. Essa é justamente uma das principais finalidades para as quais o produto foi desenvolvido.

Uma reserva de emergência deve estar em uma aplicação que combine segurança, disponibilidade e facilidade de resgate. Não faz sentido deixar dinheiro destinado a despesas inesperadas em investimentos que possam sofrer grandes oscilações ou exigir um prazo longo para retirada.

O Tesouro Reserva foi estruturado para atender esse perfil. O Tesouro Direto apresenta o produto como uma alternativa para manter dinheiro disponível, com possibilidade de saque e rendimento vinculado à Selic.

Imagine, por exemplo, uma pessoa que tenha despesas mensais de R$ 3 mil. Se ela quiser construir uma reserva equivalente a seis meses de gastos, precisará acumular R$ 18 mil.

Em vez de deixar esse valor integralmente parado na conta corrente, pode utilizar uma aplicação de alta liquidez para manter o dinheiro rendendo enquanto não precisa utilizá-lo.

Isso não significa que o Tesouro Reserva seja automaticamente a melhor opção para todas as pessoas. A escolha depende de fatores como tributação, prazo, necessidade de acesso ao dinheiro e alternativas disponíveis para cada investidor.

Tesouro Reserva x poupança: qual é a diferença?

A comparação com a poupança é inevitável porque os dois produtos podem ser utilizados para guardar dinheiro com objetivo de segurança e disponibilidade.

A principal diferença está na forma de remuneração.

A poupança possui regras próprias de rendimento, enquanto o Tesouro Reserva acompanha a Selic. Em períodos de juros elevados, essa diferença pode fazer com que aplicações pós-fixadas ligadas à taxa básica apresentem retorno superior ao da caderneta.

Outra diferença importante é a frequência com que o rendimento é incorporado. O Tesouro Reserva rende diariamente nos dias úteis, enquanto a poupança possui a chamada data de aniversário para o crédito da remuneração.

Para quem movimenta o dinheiro antes do aniversário da aplicação, essa característica pode ser relevante.

Além disso, o Tesouro Reserva foi desenvolvido com uma experiência digital de movimentação e resgate integrada ao Banco do Brasil, inclusive com utilização do Pix.

E o Tesouro Reserva contra o Tesouro Selic?

Os dois investimentos possuem relação direta com a Selic, mas apresentam diferenças importantes.

O Tesouro Selic tradicional é um título público pós-fixado que acompanha a taxa básica de juros. Entretanto, seu preço pode sofrer pequenas oscilações no mercado secundário em razão da marcação a mercado.

Já o Tesouro Reserva foi desenvolvido especificamente para oferecer uma experiência mais estável e simplificada para quem deseja manter dinheiro disponível.

Outra diferença está no funcionamento. O Tesouro Reserva foi concebido para operações 24 horas por dia, sete dias por semana, enquanto o Tesouro Direto tradicional possui horários específicos de negociação.

Portanto, apesar de ambos estarem ligados à Selic, não são exatamente o mesmo produto.

Quanto é possível investir no Tesouro Reserva?

O investimento pode começar com apenas R$ 1, o que coloca o produto entre as alternativas de renda fixa com menor barreira de entrada disponíveis para o pequeno investidor.

De acordo com as informações divulgadas sobre o produto, existe limite de aplicação de até R$ 500 mil por investidor.

Esse desenho reforça a proposta de atingir principalmente pessoas que estão começando a investir ou que querem separar pequenas quantias ao longo do mês para formar uma reserva.

Um trabalhador que consiga economizar R$ 50 por mês, por exemplo, já pode começar a construir uma reserva utilizando o produto, sem precisar esperar acumular centenas ou milhares de reais para fazer o primeiro investimento.

Quem pode investir no Tesouro Reserva?

No lançamento, o produto ficou disponível exclusivamente para clientes do Banco do Brasil.

O Tesouro Nacional informou desde o início que outras instituições financeiras estavam em processo de testes para oferecer o título.

O próprio Banco do Brasil ainda apresenta o Tesouro Reserva como uma opção disponível exclusivamente por meio de sua plataforma de investimentos.

Isso significa que a expansão para outros bancos depende da conclusão das integrações necessárias.

A exclusividade inicial também permitiu que o produto fosse colocado no mercado de forma controlada, com acompanhamento da experiência dos clientes e dos sistemas envolvidos.

O crescimento do Tesouro Reserva

Os números divulgados pelo Tesouro Nacional mostram uma rápida adesão ao novo produto.

No primeiro mês de funcionamento, o Tesouro Reserva acumulou mais de R$ 2 bilhões em aplicações. O resultado foi considerado expressivo pelo órgão, especialmente porque o título foi criado para ampliar a participação de pequenos investidores.

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Em junho, as vendas especificamente do Tesouro Reserva chegaram a R$ 2,09 bilhões. No mesmo mês, o Tesouro Direto registrou R$ 14,76 bilhões em vendas totais, o segundo maior resultado mensal da história do programa.

Outro dado chama atenção: 50,7% das mais de 1,5 milhão de operações realizadas no Tesouro Direto em junho foram de até R$ 1 mil. Operações de até R$ 5 mil representaram 75,4% do total.

Os números ajudam a explicar por que o Tesouro Reserva ganhou destaque. Existe uma parcela significativa dos investidores brasileiros interessada em começar com valores relativamente baixos.

O que torna o investimento atrativo para o pequeno investidor

A simplicidade é provavelmente um dos maiores diferenciais.

Quem nunca investiu pode ter dificuldade para entender conceitos como vencimento, prefixado, IPCA, volatilidade e marcação a mercado. Um produto que acompanha a Selic e permite começar com R$ 1 reduz parte dessa barreira.

Além disso, o Tesouro Reserva não exige que o investidor escolha uma taxa prefixada ou faça uma previsão sobre a inflação futura.

O objetivo é mais direto: guardar dinheiro, receber uma remuneração vinculada à Selic e ter acesso aos recursos quando necessário.

Essa característica pode ajudar a estimular o hábito de poupar.

Impostos e custos do Tesouro Reserva

Apesar da simplicidade, o Tesouro Reserva não é isento de impostos.

Por ser um investimento de renda fixa, existe cobrança de Imposto de Renda sobre os rendimentos, seguindo a tabela regressiva aplicável às aplicações dessa categoria. Quanto maior o prazo do dinheiro investido, menor tende a ser a alíquota de IR incidente sobre o lucro.

Também é importante considerar o IOF caso o resgate ocorra em prazo inferior a 30 dias.

Além da tributação, o investidor deve observar eventuais custos relacionados à custódia. O Tesouro Direto informa as condições e regras vigentes em seus canais oficiais, e essas condições podem ser atualizadas.

Por isso, antes de investir, é recomendável verificar as taxas efetivamente apresentadas na plataforma utilizada.

Tesouro Reserva é seguro?

O Tesouro Reserva é um título público do Tesouro Nacional. Na prática, o investidor está adquirindo um ativo associado à dívida pública federal, e não um produto de crédito emitido pelo Banco do Brasil.

Essa diferença é importante.

O Banco do Brasil atua como instituição parceira e canal de distribuição do produto, enquanto a obrigação financeira está relacionada ao Tesouro Nacional.

O Tesouro Direto destaca que os investimentos contam com a garantia do Tesouro Nacional.

Isso não significa que todo investimento esteja livre de qualquer risco. O investidor sempre deve compreender as características do produto e as regras de tributação e resgate antes de aplicar.

Vale a pena trocar a poupança pelo Tesouro Reserva?

Tesouro
Imagem: Canva

A resposta depende da situação de cada pessoa, mas o Tesouro Reserva apresenta características que podem torná-lo uma alternativa interessante para quem mantém dinheiro de emergência na poupança.

Em um cenário de Selic elevada, o rendimento de uma aplicação que acompanha os juros básicos tende a ser competitivo. Porém, não basta comparar apenas a taxa anunciada.

É necessário considerar impostos, custos, facilidade de resgate e finalidade do dinheiro.

Para valores que precisam permanecer disponíveis imediatamente, a liquidez é tão importante quanto a rentabilidade.

Também não é recomendável retirar uma reserva financeira de uma aplicação que o investidor entende bem simplesmente porque outra promete rendimento maior. A segurança operacional e a facilidade de acesso também devem entrar na decisão.

Imagem gerada por IA

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