Em Boa Vista, Roraima, o investidor Saulo se surpreendeu ao perceber que seus investimentos no Tesouro Prefixado se valorizaram ao longo de 2025, mesmo com a taxa Selic ainda em níveis elevados. Inicialmente, ele acreditava que o ganho com esses títulos estaria atrelado à queda da taxa básica de juros. Mas o que aconteceu foi algo um pouco mais técnico — e extremamente relevante para quem investe em renda fixa.
Selic em alta e Tesouro Prefixado subindo: veja o que explica essa movimentação
Tesouro Prefixado valoriza em 2025 apesar da Selic alta; queda dos juros futuros impulsiona preço dos títulos.
Neste artigo, explicamos detalhadamente por que os títulos prefixados subiram de valor, o papel dos juros futuros nesse movimento e por que esse comportamento é sinal de expectativa de corte da Selic nos próximos anos.
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Entendendo os dois tipos de juros: Selic x Juros Futuros
O que é a Selic?
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Banco Central por meio do Comitê de Política Monetária (Copom). Ela influencia diretamente:
- Os juros de empréstimos e financiamentos
- Os rendimentos da renda fixa pós-fixada (Tesouro Selic, CDB, poupança)
- A inflação e o consumo
Hoje, a Selic atua como um instrumento de política monetária. Se o Banco Central deseja conter a inflação, aumenta a Selic. Se deseja estimular o crescimento, tende a reduzi-la.
O que são os juros futuros?
Enquanto a Selic representa o presente, os juros futuros (ou taxa a termo) refletem as expectativas do mercado para os juros em anos seguintes. Eles são formados nas negociações de títulos públicos e contratos de derivativos (como os DI futuros negociados na B3).
Essas taxas indicam:
- Qual o rendimento esperado para aplicações de renda fixa em anos futuros
- Como o mercado está precificando a política monetária nos próximos ciclos
- A percepção dos agentes econômicos quanto à inflação, crescimento e risco fiscal
O caso de Saulo: o impacto da queda dos juros futuros no Tesouro Prefixado
Juros futuros de 2026 a 2028 caíram
No início de 2025, as taxas implícitas nos contratos de juros e nos papéis do Tesouro Prefixado eram as seguintes:
- 2026: 15,5% ao ano
- 2027: 15% ao ano
- 2028: 14,5% ao ano
Agora, meses depois, essas taxas caíram significativamente:
- 2026: 13,5%
- 2027 e 2028: 12,5%
Essa queda nos juros futuros — mesmo com a Selic ainda elevada — fez com que os títulos prefixados já adquiridos por Saulo subissem de preço.
Por que o preço do prefixado sobe quando os juros caem?
Isso acontece por uma relação inversa entre preço e juros. Funciona assim:
- Quando os juros de mercado sobem, os títulos prefixados perdem valor, pois novos papéis passam a pagar mais.
- Quando os juros de mercado caem, os títulos ganham valor, pois seus rendimentos se tornam mais atrativos que os novos.
No caso de Saulo, ele comprou os títulos com uma taxa mais alta. Agora que o mercado aceita juros menores, os papéis que ele possui ficaram mais valorizados — é possível até vendê-los com lucro, se desejar.
Tesouro Prefixado: o que é, como funciona e para quem é indicado

O que é o Tesouro Prefixado?
O Tesouro Prefixado (antigo Tesouro Nacional Série LTN) é um título público federal com rentabilidade fixa, adquirível pelo Tesouro Direto, plataforma do governo em parceria com a B3.
Ele funciona assim:
- Você investe hoje sabendo exatamente quanto irá receber no vencimento
- A rentabilidade não varia com a Selic
- O valor de mercado do título pode oscilar até o vencimento, dependendo dos juros futuros
Quais os prazos mais comuns?
Atualmente, os vencimentos mais negociados estão em:
- Tesouro Prefixado 2026
- Tesouro Prefixado 2027
- Tesouro Prefixado 2029
A escolha do prazo depende do seu objetivo financeiro e tolerância ao risco de marcação a mercado.
Quais são os riscos?
- Liquidez: apesar de o Tesouro garantir recompra diária, o preço pode variar — vendê-lo antes do vencimento pode gerar prejuízo se os juros subirem
- Inflação: como o rendimento é fixo, uma inflação mais alta que a prevista pode corroer o poder de compra
- Marcação a mercado: o valor do título varia diariamente de acordo com a curva de juros
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Expectativa de queda da Selic: o que o mercado enxerga?
Quando a Selic pode cair?
O movimento de queda nos juros futuros sugere que o mercado acredita em cortes na Selic nos próximos trimestres. Isso pode ocorrer devido a:
- Inflação sob controle
- Desaceleração econômica
- Menor risco fiscal (apesar de ainda haver incertezas)
- Tendência global de afrouxamento monetário, especialmente em países desenvolvidos
Por que o mercado antecipa esse movimento?
O mercado financeiro costuma se antecipar às decisões do Banco Central. Assim, quando percebe sinais de desaceleração da economia ou queda da inflação, já começa a negociar títulos com juros futuros mais baixos.
Isso explica por que o Tesouro Prefixado subiu mesmo com a Selic ainda em dois dígitos. O mercado está precificando o futuro, não o presente.
Dicas para investidores do Tesouro Prefixado

1. Pense no longo prazo
Prefixado é mais vantajoso para quem pode segurar até o vencimento. Isso garante a taxa contratada e evita riscos de volatilidade.
2. Compre em momentos de juros altos
Se os juros futuros estão em alta, é um bom momento para travar uma taxa mais atrativa e aproveitar possíveis ganhos futuros com a queda da curva.
3. Use a marcação a mercado a seu favor
Se você comprou com taxa alta e os juros futuros caíram, pode vender o título antes do vencimento com ganho de capital — como no caso de Saulo.
4. Compare com outros títulos
O Tesouro IPCA+, por exemplo, protege contra inflação. Pode ser mais adequado se o cenário fiscal e inflacionário estiver instável.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
