A tensão entre o Judiciário e Carla Zambelli (PL-SP) atingiu um novo patamar nesta semana. Após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de prisão por envolvimento em ataques cibernéticos ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a deputada federal deixou o país.
Moraes determina e Meta e X removem perfis de Zambelli e sua mãe
Moraes determina que redes sociais removam perfis de Carla Zambelli e sua mãe após fuga da deputada.
Em resposta, o ministro Alexandre de Moraes determinou a suspensão de seus perfis nas principais redes sociais, decisão que também atingiu seus familiares. A ordem foi prontamente acatada por plataformas como X (antigo Twitter), Meta (Facebook e Instagram) e LinkedIn, ampliando o isolamento digital da parlamentar.
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Redes sociais atendem ordem judicial e bloqueiam perfis

Nesta quinta-feira (5), o X foi a última das grandes plataformas a confirmar que retirou do ar os perfis de Zambelli e de sua mãe, Rita Zambelli. A decisão de Moraes incluía explicitamente a suspensão das contas de familiares, após a deputada anunciar, antes de deixar o Brasil, que sua mãe administraria seus canais de comunicação nas redes e que ela e seu filho seriam lançados como pré-candidatos.
Meta, responsável pelo Facebook e Instagram, já havia informado o cumprimento da decisão. O LinkedIn declarou que a conta da parlamentar já estava suspensa anteriormente, por infringir suas diretrizes. Já o Telegram, segundo comunicado à Corte, está em processo de execução interna da ordem de Moraes.
O não cumprimento da decisão poderia resultar em multa diária de R$ 100 mil para cada plataforma.
Estratégia de sucessão e apelo aos seguidores
Antes de viajar para o exterior, Zambelli se dirigiu a seus apoiadores pedindo doações via Pix. Em vídeos e publicações, anunciou que sua mãe e seu filho, João Zambelli, dariam continuidade a seu “legado político”.
Ela também comunicou que suas redes passariam a ser administradas pela mãe, como uma forma de manter viva sua comunicação com os eleitores, o que levou Moraes a estender a ordem de bloqueio para os perfis familiares.
Condenação e fuga: os próximos passos
A condenação de Zambelli pelo STF ainda está em fase de recurso, o que a impede de ser presa de imediato. No entanto, a fuga do país, revelada por ela própria na terça-feira (3), gerou nova mobilização judicial. Moraes ordenou a abertura de um inquérito para investigar sua saída do território nacional, com vistas à inclusão de seu nome na lista da Interpol.
“Zambelli afirmou que deixou o país há alguns dias e que pretende permanecer na Europa, onde possui cidadania italiana”, revelou Moraes. O ministro também estuda pedir sua extradição assim que o paradeiro for confirmado pelas autoridades internacionais.
Discurso no exterior: “denunciar o regime”
Em entrevistas concedidas após sua saída do Brasil, Zambelli alegou que viajou por motivos de saúde, mas também declarou que pretende “rodar pela Itália” para denunciar o que chamou de “regime ditatorial” brasileiro. A fala reforça sua estratégia de vitimização política, usada com frequência nos últimos meses para tentar deslegitimar decisões do Judiciário.
Mesmo com a saída do advogado responsável por sua defesa, Zambelli afirmou que continuará recorrendo da decisão do Supremo e prometeu levar seu discurso a fóruns internacionais.
Moraes amplia rigor contra redes e desinformação

A decisão de Moraes não é um fato isolado, mas parte de uma política mais ampla do STF para combater o uso das redes sociais como ferramenta de disseminação de desinformação e ataques às instituições. Ao estender a ordem de suspensão de perfis aos familiares da deputada, o ministro sinalizou que tentativas de burlar decisões judiciais usando terceiros não serão toleradas.
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+311 mil seguidores
Plataformas como X e Telegram já vinham sendo pressionadas pelo STF a agir com mais rigor no cumprimento de determinações judiciais. A ameaça de multas milionárias, como a aplicada no caso Zambelli, intensificou a resposta das big techs brasileiras ao Judiciário.
Telegram sob escrutínio
Apesar de ter informado que ainda está processando internamente a ordem, o Telegram enfrenta histórico de resistência ao cumprimento de decisões do Supremo. A plataforma, popular entre apoiadores da extrema direita, já foi alvo de bloqueios temporários no Brasil por descumprimento de determinações anteriores relacionadas à desinformação.
Com o caso Zambelli, o aplicativo volta ao centro do debate sobre o papel das redes sociais na proteção da democracia e no combate à propagação de conteúdos ilegais.
O que acontece agora
Com a inclusão de seu nome na lista da Interpol, Carla Zambelli pode ser presa em qualquer país com acordo de cooperação com o Brasil. O processo de extradição, no entanto, dependerá da confirmação de seu paradeiro e de decisões da Justiça italiana, uma vez que ela possui dupla cidadania.
Enquanto isso, as investigações sobre sua fuga seguem em curso, e a suspensão de seus canais de comunicação reduz o alcance de sua atuação política, pelo menos nos meios digitais.
Com informações de: VEJA
