Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Estudo revela que 50% das dicas de saúde mental no TikTok contêm desinformação

Descubra por que 50% das dicas de saúde no TikTok são enganosas. Saiba como se proteger agora!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Celular com a logo do aplicativo tiktok e ao fundo, o símbolo da rede social flutuando.

O TikTok, uma das redes sociais mais populares entre adolescentes e jovens adultos, tornou-se uma espécie de consultório digital.

Hashtags como #mentalhealth e #mentalhealthtips acumulam bilhões de visualizações, com vídeos que prometem alívio imediato para ansiedade, depressão e outros transtornos psicológicos. No entanto, um estudo recente revelou um dado alarmante: mais da metade dessas dicas contém desinformação.

Leia mais:

Ambiente hostil disfarçado? Flexibilização de punições na saúde mental pode esconder esgotamento

Estudo revela banalização de transtornos graves

saúde mental
Imagem: Freepik

Análise identificou 52% de conteúdos enganosos

Segundo uma investigação conduzida por especialistas e publicada pelo The Guardian, 52 dos 100 vídeos mais populares do Tiktok com a hashtag #mentalhealthtips apresentam informações falsas, imprecisas ou enganosas.

O levantamento envolveu profissionais em saúde mental que analisaram o conteúdo com base em critérios clínicos e evidências científicas.

Os vídeos analisados no Tiktok trazem desde sugestões absurdas, como “comer uma laranja no banho para aliviar ansiedade”, até diagnósticos não qualificados e soluções milagrosas para traumas complexos.

A conclusão é clara: muitos criadores de conteúdo confundem bem-estar com transtornos mentais reais e transformam emoções normais em doenças psiquiátricas.

Especialistas criticam uso incorreto de linguagem terapêutica

Psiquiatras alertam sobre o perigo da autoidentificação online

O neuropsiquiatra David Okai, do King’s College London, destacou o uso irresponsável de termos terapêuticos nos vídeos do TikTok.

Segundo ele, expressões como “transtorno de personalidade borderline” ou “trauma complexo” são frequentemente usadas sem o devido contexto, o que pode levar ao uso indevido de diagnósticos sérios.

Psicóloga alerta para generalizações perigosas

A psicóloga Amber Johnston ressaltou a tendência de simplificar traumas profundos em vídeos curtos, geralmente de 15 a 60 segundos.

“Essas experiências são únicas, complexas e muitas vezes dolorosas. Resumir isso a uma dublagem ou legenda criativa não ajuda quem realmente precisa de ajuda clínica”, disse.

Ex-ministro da saúde denuncia patologização de emoções comuns

Dan Poulter, psiquiatra e ex-ministro da saúde britânico, alertou sobre a normalização da autoidentificação sem base profissional.

Segundo ele, muitos usuários estão tratando sentimentos comuns como tristeza, cansaço ou frustração como indicadores de doenças mentais graves, o que dificulta diagnósticos corretos e pode resultar em automedicação ou desespero desnecessário.

Parlamentares exigem regulamentação urgente

Pressão por maior responsabilidade das plataformas digitais

Os resultados do estudo geraram reações no parlamento britânico. A deputada Chi Onwurah classificou a situação como “urgente” e afirmou que os algoritmos das redes sociais amplificam conteúdos enganosos, favorecendo vídeos sensacionalistas em detrimento de fontes confiáveis.

Já a deputada Victoria Collins cobrou ações imediatas para proteger usuários vulneráveis, especialmente adolescentes que estão mais propensos a consumir e acreditar em conteúdos virais.

TikTok se defende, mas especialistas pedem cautela

Plataforma afirma que promove conteúdos verificados

Em nota, o TikTok declarou que remove vídeos potencialmente perigosos e trabalha em parcerias com organizações sérias, como o NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O TikTok reforçou que possui mecanismos para direcionar os usuários a fontes confiáveis quando pesquisam termos ligados à saúde mental.

Conteúdo viral não substitui orientação clínica

Apesar dos esforços da plataforma, especialistas insistem: nenhum vídeo viral pode substituir um atendimento clínico profissional. A orientação é clara: quem sentir sintomas persistentes deve procurar psicólogos ou psiquiatras qualificados.

Como identificar dicas falsas de saúde mental

Sinais de alerta em conteúdos virais

  • Diagnósticos rápidos: Se o vídeo no TikTok sugere que você tem um transtorno com base em poucos sintomas, desconfie.
  • Soluções milagrosas: Promessas de cura imediata para traumas ou depressão são, em geral, enganosas.
  • Falta de fontes: Vídeos no TikTok que não citam profissionais ou estudos científicos não têm credibilidade.
  • Sensacionalismo emocional: Conteúdos que usam trilhas sonoras tristes ou cortes dramáticos para chocar muitas vezes visam engajamento, não informação de qualidade.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

O que fazer ao encontrar esse tipo de conteúdo?

  • Verifique o perfil do criador: É um profissional da área?
  • Procure por fontes confiáveis, como sites governamentais ou instituições reconhecidas.
  • Nunca se autodiagnostique com base em vídeos curtos.

Riscos reais da desinformação em saúde mental

Confusão entre sentimentos e doenças mentais

A banalização de termos clínicos pode fazer com que emoções naturais — como tristeza após uma perda ou nervosismo antes de uma prova — sejam confundidas com depressão clínica ou transtorno de ansiedade generalizada.

Impactos no diagnóstico e no tratamento

Quando o público se identifica erroneamente com um transtorno, pode haver uma demora na procura por ajuda profissional, além de recusa em seguir tratamentos indicados por especialistas. Isso atrasa a recuperação e agrava quadros clínicos reais.

Consequências sociais e econômicas

A difusão de desinformação no TikTok pode gerar estigmas sociais, dificultar relações familiares e comprometer produtividade no trabalho ou nos estudos. Além disso, aumenta a demanda por serviços de saúde mental já sobrecarregados, dificultando o acesso de quem realmente precisa.

Papel da educação digital e da mídia

TikTok
Imagem: Canva

Como promover consumo consciente de conteúdo online

Especialistas defendem a inclusão da educação digital nos currículos escolares, com foco em saúde mental e pensamento crítico. Além disso, jornalistas, influenciadores e criadores de conteúdo devem se comprometer com a veracidade e responsabilidade das informações que compartilham.

Conclusão: Informação confiável salva vidas

A crescente popularização da saúde mental como pauta social é um avanço, mas também traz desafios. O TikTok pode ser uma ferramenta de conscientização, desde que usada com responsabilidade. O estudo revela que não basta viralizar, é preciso informar com qualidade.

Para quem busca ajuda, o melhor caminho ainda é o tradicional: conversar com um profissional capacitado. Emoções são humanas. Transtornos, quando reais, precisam ser tratados com a seriedade que merecem.

Imagem: DANIEL CONSTANTE e Evgenyrychko / shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

Topicos relacionados