Na quinta-feira, 12 de junho de 2025, os investidores do Tesouro Direto foram surpreendidos por uma queda nas taxas de rentabilidade dos principais títulos públicos federais.
Tesouro Direto desvaloriza — mas pode ser oportunidade para investir após recalibragem do IOF!
Taxas do Tesouro Direto recuam após MP que ajusta alta do IOF. Veja como ficam os rendimentos dos títulos e os impactos para quem investe.
A mudança veio logo após a publicação de uma Medida Provisória (MP) que revisa parte dos aumentos no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) anunciados no fim de maio.
A redução na expectativa de arrecadação, somada ao realinhamento da curva de juros, provocou um movimento de reprecificação nos papéis públicos, com impacto direto na rentabilidade oferecida aos investidores.
No radar, também pesam os movimentos de juros nos Estados Unidos, que mantêm os mercados atentos.
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Queda nas taxas: veja os destaques do dia

Às 9h52 da manhã desta quinta-feira, os dados do Tesouro Nacional mostravam que diversos papéis ofereciam retornos menores em comparação ao dia anterior.
Tesouro IPCA+
- IPCA+ 2029: caiu de 7,63% para 7,55% ao ano
- IPCA+ 2040: caiu de 7,11% para 7,02%
- IPCA+ 2050: também recuou para 7,02%
Tesouro Prefixado
- Prefixado 2028: passou de 13,57% para 13,55%
- Prefixado 2032: de 13,79% para 13,76%
- Prefixado 2035 (com juros semestrais): de 13,90% para 13,88%
O recuo geral das taxas reflete, em parte, uma leitura de alívio fiscal no curto prazo, com a MP promovendo ajustes na alíquota do IOF para preservar a arrecadação sem comprometer o crescimento.
O que diz a Medida Provisória?
Publicada no Diário Oficial da União, a MP assinada pelo governo recalibra parte das elevações do IOF anunciadas anteriormente. A nova regra reduz a expectativa de aumento da carga tributária sobre determinadas operações financeiras, impactando diretamente as projeções de arrecadação federal.
O objetivo, segundo o Ministério da Fazenda, é compensar perdas fiscais com o corte em outras áreas e equilibrar o orçamento sem prejudicar o mercado de crédito ou os investimentos.
Reação do mercado
O anúncio provocou ajustes imediatos na curva de juros futuros, refletindo uma mudança na percepção de risco e inflação. Com isso, os investidores passaram a exigir menores prêmios de risco, derrubando as taxas dos títulos públicos no Tesouro Direto.
Entenda a dinâmica: por que as taxas caem?
A lógica por trás da movimentação é simples: quando a expectativa de inflação ou de juros futuros diminui, o rendimento exigido pelo mercado também recua. Esse cenário valoriza os papéis já emitidos e reduz a taxa oferecida para novos compradores.
No caso do Tesouro Direto, isso significa que o investidor que comprar agora terá um retorno menor em comparação a quem comprou na semana passada, por exemplo.
“O mercado precificou um movimento de contenção fiscal e isso reduziu a pressão sobre os juros longos. O reflexo imediato foi na curva do Tesouro Direto”, explica Roberto Lira, economista-chefe da Ativo Investimentos.
Comparativo com o cenário internacional
Enquanto isso, nos Estados Unidos, os Treasuries — os títulos do Tesouro americano — seguem em alta nesta manhã, com:
- 10 anos: 4,36%
- 20 anos: 4,87%
- 30 anos: 4,86%
Esse movimento nos EUA influencia diretamente os mercados emergentes, incluindo o Brasil, pois impacta o fluxo de capitais globais e o apetite ao risco.
Taxas atualizadas do Tesouro Direto (12/06/2025)
Confira a tabela com os principais papéis disponíveis hoje para aplicação:
Tesouro Selic
| Título | Rentabilidade anual | Preço Unitário | Vencimento |
|---|---|---|---|
| Tesouro Selic 2028 | SELIC + 0,0505% | R$ 16.720,49 | 01/03/2028 |
| Tesouro Selic 2031 | SELIC + 0,1094% | R$ 16.639,76 | 01/03/2031 |
Tesouro Prefixado
| Título | Rentabilidade anual | Preço Unitário | Vencimento |
|---|---|---|---|
| Prefixado 2028 | 13,55% | R$ 723,80 | 01/01/2028 |
| Prefixado 2032 | 13,76% | R$ 431,69 | 01/01/2032 |
| Prefixado c/ juros 2035 | 13,88% | R$ 853,21 | 01/01/2035 |
Tesouro IPCA+
| Título | Rentabilidade anual | Preço Unitário | Vencimento |
|---|---|---|---|
| IPCA+ 2029 | IPCA + 7,55% | R$ 3.403,92 | 15/05/2029 |
| IPCA+ 2040 | IPCA + 7,02% | R$ 1.622,72 | 15/08/2040 |
| IPCA+ 2050 | IPCA + 7,02% | R$ 827,37 | 15/08/2050 |
Tesouro IPCA+ com juros semestrais
| Título | Rentabilidade anual | Preço Unitário | Vencimento |
|---|---|---|---|
| 2035 | IPCA + 7,27% | R$ 4.161,69 | 15/05/2035 |
| 2045 | IPCA + 7,15% | R$ 4.021,50 | 15/05/2045 |
| 2060 | IPCA + 7,13% | R$ 3.982,67 | 15/08/2060 |
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Impactos para o investidor
A queda nas taxas pode parecer negativa para quem deseja investir agora, mas o cenário depende do perfil de cada investidor.
Quem já tem títulos
Para quem já comprou títulos com taxas maiores, o momento é de valorização da carteira. Como os juros caíram, os papéis antigos se tornaram mais atrativos e podem ser vendidos com lucro no Tesouro Direto.
Quem pretende investir agora
Já para novos investidores, o desafio será encontrar boas oportunidades de longo prazo. Ainda assim, os papéis IPCA+ continuam atraentes para proteção contra inflação, principalmente aqueles com vencimento acima de 2035.
“Mesmo com a queda, os rendimentos reais continuam interessantes em um cenário de inflação sob controle”, comenta Amanda Duarte, planejadora financeira certificada.
O que esperar para os próximos dias?

As próximas sessões do mercado devem continuar voláteis, com atenção redobrada às decisões monetárias tanto no Brasil quanto no exterior.
Super Quarta no radar
Na semana que vem, ocorre a chamada Super Quarta, com decisões simultâneas de política monetária pelo Banco Central do Brasil e pelo Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos. A expectativa é de manutenção dos juros no Brasil e possíveis sinalizações de corte nos EUA.
Esses desdobramentos devem mexer mais uma vez com os preços dos títulos públicos e afetar diretamente o Tesouro Direto.
Conclusão: oportunidade ou sinal de alerta?
A redução nas taxas do Tesouro Direto nesta quinta-feira é um reflexo de fatores fiscais e monetários, tanto no Brasil quanto no cenário global. Para o investidor, é momento de avaliar com cautela, considerando o horizonte de aplicação e o objetivo financeiro.
Em momentos de incerteza, títulos públicos ainda oferecem uma opção segura e previsível, especialmente aqueles atrelados à inflação. No entanto, quem busca oportunidades de maior rentabilidade, talvez precise diversificar mais ou aguardar novas movimentações da curva de juros.
Com o mercado de renda fixa mais dinâmico e sensível às decisões políticas, acompanhar as atualizações diárias do Tesouro Direto é essencial para tomar decisões informadas e estratégicas.
