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Trabalhadores decepcionados: metade não ganha presente de fim de ano

Pesquisa mostra que 49% dos trabalhadores não recebem presente de fim de ano e revela o que eles realmente preferem das empresas.

Abner BoianPor Abner Boian9 min de leitura
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A chegada do fim de ano costuma trazer expectativas que vão além do recesso, das festas e das confraternizações. Para milhões de trabalhadores brasileiros, dezembro também é sinônimo de reconhecimento — ou da ausência dele — por parte das empresas. Uma pesquisa recente reacendeu esse debate ao revelar um dado que chama atenção: praticamente metade dos trabalhadores não recebe nenhum tipo de presente de fim de ano das organizações em que atuam.

O levantamento, realizado pela Pluxee com 1.241 consumidores, mostra que 49% dos trabalhadores não recebem qualquer benefício extra ou lembrança natalina das empresas. Entre os 51% que recebem algo, o formato mais comum ainda é a tradicional cesta de Natal, que aparece como principal escolha das organizações, apesar de não ser a preferência da maioria dos funcionários.

Esse contraste entre o que as empresas oferecem e o que os trabalhadores realmente desejam ajuda a explicar um sentimento recorrente no mercado de trabalho brasileiro: a percepção de que o reconhecimento nem sempre acompanha as necessidades reais do colaborador, especialmente em um mês marcado por aumento de despesas, inflação sazonal e pressão sobre o orçamento familiar.

A seguir, entenda o que diz a pesquisa, por que a cesta natalina segue dominante, quais benefícios os trabalhadores preferem e como essa diferença impacta o clima organizacional e a relação entre empresas e colaboradores.

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Metade dos trabalhadores fica sem presente no fim do ano

O dado mais contundente da pesquisa é direto: quase um em cada dois trabalhadores brasileiros passa o mês de dezembro sem receber qualquer tipo de presente, bônus ou benefício adicional da empresa. Em um período tradicionalmente associado à gratidão e reconhecimento, a ausência desse gesto gera frustração em parte significativa da força de trabalho.

O resultado ganha ainda mais peso quando se observa o contexto econômico. Dezembro concentra despesas como:

  • Compras de Natal
  • Ceia e confraternizações familiares
  • Material escolar para o início do ano seguinte
  • Viagens e deslocamentos
  • Contas acumuladas ao longo do ano

Nesse cenário, qualquer valor extra ou benefício tem impacto direto no bem-estar financeiro do trabalhador. Não se trata apenas de um agrado simbólico, mas de um alívio concreto no orçamento.

A pesquisa indica que, mesmo sem obrigação legal, o presente de fim de ano é visto por muitos colaboradores como um sinal de cuidado e valorização. Quando ele não existe, o sentimento predominante é de indiferença por parte da empresa.

Entre quem presenteia, a cesta natalina ainda lidera

Entre as empresas que oferecem algum tipo de presente (51%), a cesta natalina ou alimentos típicos de Natal continuam sendo a opção mais comum, adotada por 42% das organizações. A tradição pesa, assim como a facilidade logística e o custo previsível para o empregador.

No entanto, o estudo revela um dado revelador: apenas 15% dos trabalhadores apontam a cesta de Natal como sua opção preferida. Ou seja, há uma clara desconexão entre a escolha da empresa e o desejo do colaborador.

Na sequência das opções oferecidas pelas organizações aparecem:

  • Saldo extra no vale-alimentação ou vale-refeição: 27%
  • Cartão presente para uso em diferentes lojas: 16%

Mesmo não sendo majoritárias na oferta, essas alternativas são percebidas como mais úteis, flexíveis e alinhadas às necessidades do dia a dia.

Por que a cesta de Natal segue sendo tão comum?

Apesar da baixa preferência entre os trabalhadores, a cesta natalina segue dominante por alguns motivos estruturais e culturais.

Entre os principais fatores estão:

  • Tradição histórica no ambiente corporativo brasileiro
  • Facilidade de contratação em larga escala
  • Controle de custos para a empresa
  • Padronização, que evita comparações internas

Para muitas organizações, a cesta representa uma solução “segura”, que atende a todos de forma igual e evita discussões sobre valores ou critérios. No entanto, essa padronização ignora diferenças importantes na realidade dos trabalhadores, como tamanho da família, hábitos alimentares e prioridades financeiras.

Além disso, muitos colaboradores relatam que parte dos itens da cesta não corresponde às suas preferências ou sequer é consumida, o que reduz ainda mais o valor percebido do benefício.

O que os trabalhadores realmente preferem receber

Quando a pesquisa analisa as preferências dos próprios trabalhadores, o distanciamento entre oferta e desejo se torna ainda mais evidente.

Se pudessem escolher livremente, os colaboradores optariam por:

  • Saldo extra no vale-alimentação ou vale-refeição: 57%
  • Cartão presente para comprar o que quiser: 23%
  • Outros formatos, incluindo cesta de Natal, aparecem com percentuais bem menores

O saldo adicional nos cartões de alimentação e refeição lidera com folga por um motivo simples: utilidade. Esse tipo de benefício permite que o trabalhador direcione o recurso para necessidades reais, como supermercado, refeições fora de casa ou até a organização das contas do mês.

Em um período de orçamento apertado, a flexibilidade se transforma em valor.

Quanto os trabalhadores consideram um valor ideal?

Entre aqueles que preferem receber cartões de presente ou saldo flexível, a pesquisa também investigou qual seria a faixa de valor considerada ideal.

Os resultados mostram expectativas realistas, mas significativas:

  • 35% apontam como ideal um valor entre R$ 200 e R$ 500
  • 23% preferem valores entre R$ 700 e R$ 1.000

Esses números indicam que, mais do que um presente simbólico, os trabalhadores enxergam o benefício de fim de ano como um reforço financeiro relevante, capaz de aliviar despesas e trazer mais tranquilidade para o período.

Segundo Ferdinando Gomes, gerente de Market Insights da Pluxee, o impacto do cartão é significativo. De acordo com ele, 74% dos trabalhadores afirmam que ficariam satisfeitos ao receber esse tipo de benefício.

A avaliação reforça uma tendência clara: o colaborador busca liberdade de escolha e a sensação de que a empresa compreende sua realidade.

O porte da empresa influencia na concessão de presentes?

Outro ponto analisado pelo levantamento foi a relação entre o tamanho da empresa e a prática de oferecer presentes de fim de ano.

Os dados mostram que:

  • 30% das empresas com mais de 2 mil funcionários oferecem algum presente
  • 25% das empresas com 250 a 1.999 colaboradores mantêm a prática
  • 20% das PMEs, com até 249 funcionários, também presenteiam
  • 26% dos trabalhadores não sabem informar o porte da empresa

Embora seja comum associar grandes empresas a políticas mais estruturadas de benefícios, os números indicam que a diferença não é tão grande quanto se imagina. Em todos os portes, a oferta de presentes ainda está longe de ser uma prática universal.

Para pequenas e médias empresas, limitações orçamentárias costumam ser o principal obstáculo. Já nas grandes corporações, questões como padronização, escala e políticas internas acabam influenciando as decisões.

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Especialistas em gestão de pessoas apontam que o presente de fim de ano, independentemente do formato, carrega um simbolismo importante. Ele representa reconhecimento, cuidado e valorização do esforço coletivo ao longo do ano.

Quando o benefício não existe ou não atende às expectativas, o impacto pode ser silencioso, mas profundo:

  • Sensação de desvalorização
  • Queda no engajamento
  • Redução da identificação com a empresa
  • Aumento da rotatividade no médio prazo

Por outro lado, quando a empresa demonstra atenção às preferências dos colaboradores, mesmo um benefício simples tende a gerar efeito positivo no clima organizacional.

Flexibilidade como tendência no mercado de benefícios

A pesquisa da Pluxee reforça uma tendência já observada no mercado de recursos humanos: a migração de benefícios engessados para modelos mais flexíveis e personalizados.

Cartões multibenefícios, saldos livres e plataformas que permitem escolhas individuais ganham espaço porque dialogam melhor com a diversidade do quadro de funcionários.

Entre as principais vantagens desse modelo estão:

  • Maior percepção de valor pelo colaborador
  • Redução de desperdícios
  • Adaptação a diferentes realidades familiares
  • Simplicidade operacional para a empresa

No contexto do fim de ano, essa flexibilidade se torna ainda mais relevante, pois permite que cada trabalhador utilize o benefício conforme suas prioridades imediatas.

O impacto humano por trás dos números

Por trás das estatísticas, existem histórias concretas. Trabalhadores que usam o saldo extra para reforçar a ceia, comprar presentes para os filhos ou simplesmente equilibrar as contas do mês. Outros que recebem uma cesta e não conseguem aproveitar parte dos itens, sentindo que o gesto, embora bem-intencionado, não conversa com sua realidade.

Esse contraste ajuda a explicar por que a discussão sobre presentes de fim de ano deixou de ser apenas uma tradição e passou a integrar debates mais amplos sobre valorização, empatia e escuta ativa dentro das empresas.

Reconhecer o esforço do colaborador não se resume a um objeto físico. Trata-se de entender o contexto, as dificuldades e as prioridades de quem faz a empresa funcionar todos os dias.

Empresas que escutam tendem a reter mais talentos

Em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, a forma como a empresa trata seus colaboradores faz diferença direta na atração e retenção de talentos.

Benefícios alinhados às preferências reais dos trabalhadores:

  • Aumentam o engajamento
  • Fortalecem a marca empregadora
  • Reduzem custos com turnover
  • Criam vínculos mais sólidos e duradouros

O presente de fim de ano, embora pontual, se insere nesse contexto como um sinal claro de atenção às pessoas.

Considerações finais

A pesquisa revela mais do que números. Ela expõe uma desconexão que ainda persiste entre o que muitas empresas oferecem e o que os trabalhadores realmente valorizam. Enquanto quase metade dos profissionais não recebe qualquer presente de fim de ano, entre os que recebem, a maioria considera que o formato poderia ser mais útil e flexível.

O desafio para as organizações está em repensar práticas tradicionais e avançar para modelos que coloquem o colaborador no centro das decisões. Em um mês tão sensível para o orçamento e para as relações humanas, pequenas mudanças podem gerar grandes impactos.

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Abner Boian

Autor

Abner Boian

Abner Boian é um profissional com mais de 10 anos de experiência na área de Tecnologia da Informação, com atuação em empresas nacionais e multinacionais nos setores financeiro, corporativo e digital. Especialista em infraestrutura, suporte técnico e transformação digital, destaca-se por sua capacidade de integrar soluções tecnológicas com estratégias de conteúdo. Atualmente, atua como Redator SEO no portal Seu Crédito Digital, onde combina seu conhecimento técnico com habilidades de comunicação para produzir conteúdos relevantes sobre finanças, tecnologia e benefícios sociais. Está cursando graduação em Gestão da Tecnologia da Informação, aprimorando continuamente sua visão analítica e estratégica para o ambiente digital.

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