O abandono de emprego é uma das possíveis causas para a rescisão de contrato por justa causa, conforme a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Porém, a caracterização dessa falta não é tão simples quanto parece. Embora a ausência prolongada no trabalho possa parecer óbvia em muitos casos, é importante entender os parâmetros legais que envolvem a definição de abandono de emprego e as implicações dessa decisão para ambas as partes.
Quanto tempo sem ir para o trabalho se caracteriza abandono de emprego?
ntenda quanto tempo de ausência no trabalho é necessário para caracterizar abandono de emprego. Saiba também quais são os direitos.
Neste artigo, vamos explorar o que configura o abandono de emprego, qual o tempo necessário para que ele seja reconhecido e quais os direitos de quem é demitido por essa razão.
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O que é o Abandono de Emprego?

O abandono de emprego ocorre quando o trabalhador se ausenta do seu posto de trabalho por um longo período, sem justificar sua falta e com a intenção de não retornar às suas atividades. Essa falta pode ser caracterizada de diferentes maneiras, dependendo do contexto e das circunstâncias que envolvem a ausência.
No entanto, a ausência por si só nem sempre significa abandono de emprego. Existem situações em que o empregado não está em condições de retornar ao trabalho, como problemas de saúde, por exemplo, o que impede que a falta seja considerada justa para uma rescisão por justa causa.
Quanto Tempo de Ausência é Necessário para Caracterizar Abandono de Emprego?
A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) estabelece que o abandono de emprego pode ser motivo para rescisão por justa causa, conforme o artigo 482. Contudo, a CLT não define um prazo específico para que a ausência seja considerada abandono de emprego. Como a legislação não especifica essa questão, a jurisprudência, por meio de decisões do Tribunal Superior do Trabalho (TST), estabelece uma regra geral para esses casos.
De acordo com o TST, o abandono de emprego é configurado após 30 dias consecutivos de ausência, sem qualquer justificativa por parte do empregado. Esse período de 30 dias é considerado como um limite razoável para caracterizar que o trabalhador não tem a intenção de retornar ao seu posto de trabalho.
O Abandono de Emprego e Suas Exceções
Nem toda ausência prolongada é considerada abandono de emprego. A situação muda quando há justificativas plausíveis para a falta do empregado, como questões de saúde. O trabalhador que não consegue retornar ao trabalho devido a uma doença ou outro impedimento legítimo pode não ser penalizado com a demissão por justa causa.
Além disso, o abandono de emprego pode ser caracterizado mais rapidamente quando existem indícios de que o trabalhador não tem a intenção de retornar, como, por exemplo, quando ele aceita um novo emprego em outra cidade ou estado. Nesse caso, o empregador não precisa esperar os 30 dias para tomar uma atitude, podendo dar início ao processo de demissão por justa causa.
Como o Empregador Deve Proceder em Caso de Abandono de Emprego?

Se o empregador suspeitar que o funcionário não tem intenção de retornar ao trabalho, o primeiro passo deve ser tentar o contato imediato com o empregado. A comunicação deve ser feita por meio de ligações telefônicas, e-mails ou até mesmo por mensagem de WhatsApp. Caso não haja resposta, é fundamental que o empregador envie uma notificação extrajudicial, preferencialmente com aviso de recebimento, para formalizar a tentativa de contato.
A notificação deve informar ao empregado as consequências de sua ausência e que, caso não retorne ao trabalho, a rescisão do contrato por justa causa poderá ser efetuada. A boa-fé do empregado será analisada, e a ausência de resposta a essa notificação pode fortalecer a decisão do empregador de formalizar a rescisão do contrato.
Direitos de Quem é Demitido por Abandono de Emprego
A demissão por abandono de emprego implica a perda de alguns direitos trabalhistas. Contudo, o trabalhador ainda tem direito a receber certas verbas rescisórias. Os direitos de um empregado que abandona o emprego incluem:
1. Saldo de Salário
O trabalhador tem direito ao pagamento dos dias trabalhados no mês da rescisão, até o momento da sua última presença no trabalho.
2. Férias Vencidas e 1/3 Constitucional
Se o empregado tiver férias vencidas, ele deverá receber o valor correspondente, acrescido do 1/3 constitucional, conforme a legislação.
3. Salário-Família
Caso o trabalhador tenha direito ao salário-família, ele deverá recebê-lo até o momento da rescisão.
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Entretanto, o trabalhador que abandona o emprego perde o direito ao aviso prévio, ao seguro-desemprego, ao saque do FGTS e à multa de 40% sobre o FGTS.
O Processo de Advertências e Suspensão
Antes de considerar a rescisão por justa causa, o empregador deve seguir um processo progressivo de penalidades. A primeira ação é a advertência verbal, que pode ser seguida por uma advertência por escrito caso a falta se repita. Se o problema persistir, o empregador pode aplicar uma suspensão antes de considerar a demissão por justa causa.
Essa abordagem progressiva visa garantir que a gravidade da punição esteja de acordo com a gravidade da falta cometida. Caso essa progressão não seja seguida corretamente, o empregado pode contestar a demissão por justa causa judicialmente.
A Importância da Comunicação no Processo de Abandono de Emprego

A comunicação clara e eficiente entre empregado e empregador é essencial para evitar mal-entendidos e garantir que ambas as partes tenham seus direitos preservados. Quando um trabalhador se ausenta por um longo período, é fundamental que o empregador busque formas de contato que comprovem a tentativa de resolução da situação, como o envio de notificações formais.
Da mesma forma, o empregado deve manter o empregador informado sobre qualquer situação que possa impedir o seu retorno ao trabalho, como problemas de saúde ou mudanças imprevistas na sua vida pessoal. A transparência no processo pode evitar que a situação seja caracterizada como abandono de emprego, garantindo que, caso haja necessidade de uma rescisão, ela seja feita de forma justa e de acordo com a legislação trabalhista.
Conclusão
O abandono de emprego é uma falta grave que pode resultar em demissão por justa causa, mas para que isso aconteça, é necessário observar o tempo de ausência e as condições em que essa ausência ocorre. Embora o TST estabeleça 30 dias como o prazo para caracterizar o abandono de emprego, o empregador deve avaliar cuidadosamente a situação, tentar o contato com o empregado e aplicar as medidas disciplinares de maneira justa.
A boa-fé do trabalhador e a proporcionalidade das punições são aspectos fundamentais que devem ser considerados antes de tomar decisões definitivas.
Imagem: tsyhun/ shutterstock.com

