O trabalho em feriados voltou ao centro do debate político e econômico no Brasil. A Câmara dos Deputados votou, nesta segunda-feira (16), a possível revogação da Portaria nº 3.665/2023, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que impõe novas regras para o funcionamento do comércio em feriados.
Trabalho em feriados: deputados se opõem à nova portaria e tentam impedir mudança nas regras
Entenda por que deputados querem derrubar regras do trabalho em feriados. Veja quem ganha e quem perde.
A norma, que entra em vigor em 1º de julho, exige convenções coletivas para permitir que setores como supermercados, farmácias e concessionárias operem nesses dias.
Enquanto parlamentares da oposição se mobilizam para derrubar a medida, sindicatos defendem sua manutenção. O embate escancara um velho dilema brasileiro: como equilibrar direitos trabalhistas e as demandas econômicas do setor produtivo.
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O que diz a portaria 3.665/2023?

Regras principais da portaria
- Estabelece que 12 setores do comércio só podem funcionar em feriados com convenção coletiva assinada entre patrões e sindicatos.
- Exige contrapartidas, como:
- Folgas compensatórias;
- Pagamento em dobro;
- Benefícios adicionais, como alimentação.
Qual lei ela reforça?
A portaria está fundamentada na Lei nº 10.101/2000, que já previa que o trabalho em feriados no comércio depende de acordo coletivo.
Por que a portaria é alvo de críticas?
Argumentos da oposição
- Burocratiza o comércio, principalmente em cidades pequenas, onde muitas vezes não há sindicatos formalizados.
- Pode levar ao fechamento de lojas em feriados, afetando a economia local.
- Aumenta os custos trabalhistas, com pagamentos extras e benefícios.
- Parlamentares defendem que essa mudança deveria ser discutida no Congresso, não imposta via portaria.
Lideranças contrárias
- Joaquim Passarinho (PL-PA);
- Luiz Gastão (PSD-CE).
Ambos afirmam que a regra prejudica micro e pequenos empresários.
Posição dos empresários
Setores mais afetados
- Supermercados e hipermercados;
- Farmácias;
- Concessionárias de veículos;
- Varejo de alimentos perecíveis;
- Comércio em portos, aeroportos e estâncias.
Riscos para o varejo
- Perda de vendas em datas estratégicas, como:
- Corpus Christi;
- Independência;
- Finados;
- Impacto direto na geração de empregos temporários.
O que dizem os sindicatos?
Defesa dos trabalhadores
- A portaria garante que o trabalho em feriados seja feito com valorização e compensações adequadas.
- Argumentam que abrir mão do descanso em feriados precisa ser negociado.
Declaração de Julimar Roberto (Contracs/CUT)
“Não somos contra o trabalho nos feriados, mas ele não pode ser imposto. Tem que ser negociado, com respeito aos direitos dos trabalhadores.”
Aspectos jurídicos da disputa
Legalidade da portaria
- Especialistas afirmam que é legal, pois respeita a Lei nº 10.101/2000.
- A portaria de 2021, do governo anterior, que liberava o trabalho em feriados sem acordo coletivo, seria inconstitucional, segundo juristas.
Insegurança jurídica
- Enquanto não há decisão definitiva, empresas ficam em dúvida:
- Abrir e correr risco de multa?
- Fechar e perder faturamento?
Histórico da controvérsia
De onde veio a mudança?
- 2021 (governo Bolsonaro): liberação geral do trabalho em feriados, sem necessidade de acordos coletivos, para 122 atividades.
- 2023 (governo Lula): revogação parcial, com foco em 12 atividades, para fortalecer a negociação sindical.
Quantos adiamentos já houve?
- 4 adiamentos desde 2023.
- Nova data de entrada em vigor: 1º de julho de 2025, podendo ser prorrogada novamente.
Pressão no Congresso
Frentes em atuação
- Frente Parlamentar de Comércio e Serviços (FCS);
- Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE).
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Ambas trabalham para derrubar a portaria e, possivelmente, propor uma nova lei que regule o trabalho em feriados de forma permanente.
Crise no financiamento sindical
- Após a reforma trabalhista de 2017, a arrecadação dos sindicatos despencou:
- De R$ 3 bilhões (2017) para R$ 57,6 milhões (2024).
Quais os setores afetados?
Setores que precisam de acordo coletivo para abrir em feriados:
- Supermercados e hipermercados;
- Farmácias e drogarias;
- Concessionárias de veículos, tratores e caminhões;
- Comércio em portos, aeroportos e estâncias hidrominerais;
- Varejo de carnes, peixes, frutas e hortifrutigranjeiros.
Setores que continuam liberados:
- Transporte;
- Indústrias;
- Construção civil;
- Hotéis e hospedagem.
Impactos econômicos e sociais

Para as empresas:
- Aumento de custos operacionais;
- Necessidade de negociação sindical;
- Risco de fechamento em feriados.
Para os trabalhadores:
- Mais segurança jurídica;
- Possibilidade de receber benefícios adicionais;
- Proteção contra jornadas abusivas.
Para cidades pequenas:
- Risco de comércio fechado por falta de sindicatos;
- Queda no movimento econômico local.
Conclusão: o que esperar?
A votação na Câmara dos Deputados pode mudar o rumo do trabalho em feriados no Brasil. Se a portaria for derrubada, prevalecem as regras mais flexíveis. Se for mantida, sindicatos ganham força, e as empresas precisarão negociar.
O debate vai além do funcionamento do comércio. Ele revela um embate entre modelos de país: mais flexível para o mercado ou mais protetivo para os trabalhadores.
Imagem: Mircea Moira / Shutterstock
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