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Trabalho em feriados: deputados se opõem à nova portaria e tentam impedir mudança nas regras

Entenda por que deputados querem derrubar regras do trabalho em feriados. Veja quem ganha e quem perde.

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro4 min de leitura
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O trabalho em feriados voltou ao centro do debate político e econômico no Brasil. A Câmara dos Deputados votou, nesta segunda-feira (16), a possível revogação da Portaria nº 3.665/2023, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que impõe novas regras para o funcionamento do comércio em feriados.

A norma, que entra em vigor em 1º de julho, exige convenções coletivas para permitir que setores como supermercados, farmácias e concessionárias operem nesses dias.

Enquanto parlamentares da oposição se mobilizam para derrubar a medida, sindicatos defendem sua manutenção. O embate escancara um velho dilema brasileiro: como equilibrar direitos trabalhistas e as demandas econômicas do setor produtivo.

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O que diz a portaria 3.665/2023?

Feriado
Imagem: Nattakorn_Maneerat / shutterstock.com

Regras principais da portaria

  • Estabelece que 12 setores do comércio só podem funcionar em feriados com convenção coletiva assinada entre patrões e sindicatos.
  • Exige contrapartidas, como:
    • Folgas compensatórias;
    • Pagamento em dobro;
    • Benefícios adicionais, como alimentação.

Qual lei ela reforça?

A portaria está fundamentada na Lei nº 10.101/2000, que já previa que o trabalho em feriados no comércio depende de acordo coletivo.

Por que a portaria é alvo de críticas?

Argumentos da oposição

  • Burocratiza o comércio, principalmente em cidades pequenas, onde muitas vezes não há sindicatos formalizados.
  • Pode levar ao fechamento de lojas em feriados, afetando a economia local.
  • Aumenta os custos trabalhistas, com pagamentos extras e benefícios.
  • Parlamentares defendem que essa mudança deveria ser discutida no Congresso, não imposta via portaria.

Lideranças contrárias

  • Joaquim Passarinho (PL-PA);
  • Luiz Gastão (PSD-CE).

Ambos afirmam que a regra prejudica micro e pequenos empresários.

Posição dos empresários

Setores mais afetados

  • Supermercados e hipermercados;
  • Farmácias;
  • Concessionárias de veículos;
  • Varejo de alimentos perecíveis;
  • Comércio em portos, aeroportos e estâncias.

Riscos para o varejo

  • Perda de vendas em datas estratégicas, como:
    • Corpus Christi;
    • Independência;
    • Finados;
  • Impacto direto na geração de empregos temporários.

O que dizem os sindicatos?

Defesa dos trabalhadores

  • A portaria garante que o trabalho em feriados seja feito com valorização e compensações adequadas.
  • Argumentam que abrir mão do descanso em feriados precisa ser negociado.

Declaração de Julimar Roberto (Contracs/CUT)

“Não somos contra o trabalho nos feriados, mas ele não pode ser imposto. Tem que ser negociado, com respeito aos direitos dos trabalhadores.”

Aspectos jurídicos da disputa

Legalidade da portaria

  • Especialistas afirmam que é legal, pois respeita a Lei nº 10.101/2000.
  • A portaria de 2021, do governo anterior, que liberava o trabalho em feriados sem acordo coletivo, seria inconstitucional, segundo juristas.

Insegurança jurídica

  • Enquanto não há decisão definitiva, empresas ficam em dúvida:
    • Abrir e correr risco de multa?
    • Fechar e perder faturamento?

Histórico da controvérsia

De onde veio a mudança?

  • 2021 (governo Bolsonaro): liberação geral do trabalho em feriados, sem necessidade de acordos coletivos, para 122 atividades.
  • 2023 (governo Lula): revogação parcial, com foco em 12 atividades, para fortalecer a negociação sindical.

Quantos adiamentos já houve?

  • 4 adiamentos desde 2023.
  • Nova data de entrada em vigor: 1º de julho de 2025, podendo ser prorrogada novamente.

Pressão no Congresso

Frentes em atuação

  • Frente Parlamentar de Comércio e Serviços (FCS);
  • Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE).

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Ambas trabalham para derrubar a portaria e, possivelmente, propor uma nova lei que regule o trabalho em feriados de forma permanente.

Crise no financiamento sindical

  • Após a reforma trabalhista de 2017, a arrecadação dos sindicatos despencou:
    • De R$ 3 bilhões (2017) para R$ 57,6 milhões (2024).

Quais os setores afetados?

Setores que precisam de acordo coletivo para abrir em feriados:

  • Supermercados e hipermercados;
  • Farmácias e drogarias;
  • Concessionárias de veículos, tratores e caminhões;
  • Comércio em portos, aeroportos e estâncias hidrominerais;
  • Varejo de carnes, peixes, frutas e hortifrutigranjeiros.

Setores que continuam liberados:

  • Transporte;
  • Indústrias;
  • Construção civil;
  • Hotéis e hospedagem.

Impactos econômicos e sociais

Chuvas feriado feriados 13 de maio
Imagem: Africa Studio / shutterstock.com

Para as empresas:

  • Aumento de custos operacionais;
  • Necessidade de negociação sindical;
  • Risco de fechamento em feriados.

Para os trabalhadores:

  • Mais segurança jurídica;
  • Possibilidade de receber benefícios adicionais;
  • Proteção contra jornadas abusivas.

Para cidades pequenas:

  • Risco de comércio fechado por falta de sindicatos;
  • Queda no movimento econômico local.

Conclusão: o que esperar?

A votação na Câmara dos Deputados pode mudar o rumo do trabalho em feriados no Brasil. Se a portaria for derrubada, prevalecem as regras mais flexíveis. Se for mantida, sindicatos ganham força, e as empresas precisarão negociar.

O debate vai além do funcionamento do comércio. Ele revela um embate entre modelos de país: mais flexível para o mercado ou mais protetivo para os trabalhadores.

Imagem: Mircea Moira / Shutterstock

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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