O funcionamento do comércio em feriados está prestes a passar por uma importante transformação. A partir de março de 2026, entra em vigor a Portaria nº 3.665/2023, publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que estabelece novas regras para o trabalho nesses dias especiais.
Trabalho em feriados em 2026: Saiba o que muda para os trabalhadores
Veja o que muda no trabalho em feriados a partir de 2026 e prepare sua empresa para as novas exigências legais. Leia agora.
A medida, inicialmente prevista para 2024, teve seu prazo prorrogado, oferecendo tempo para que empresas e sindicatos se adaptem ao novo modelo. A principal mudança diz respeito à obrigatoriedade de acordos coletivos formais entre empregadores e trabalhadores para o funcionamento em feriados.
Sem essa negociação e o devido registro, estabelecimentos não poderão operar legalmente nesses dias. Isso marca uma virada no modo como se regulamenta o trabalho em datas comemorativas e feriados nacionais, estaduais e municipais.
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O que determina a Portaria nº 3.665/2023?
Foco na formalização das relações de trabalho

A Portaria nº 3.665/2023 altera o cenário anterior, em que muitos setores do comércio podiam abrir em feriados sem a exigência de acordos coletivos. Com a nova norma, o funcionamento nesses dias passa a depender da negociação coletiva formalizada, com cláusulas específicas sobre:
- Jornada de trabalho;
- Remuneração adicional (adicional de feriado ou hora extra);
- Folgas compensatórias;
- Condições de trabalho;
- Benefícios especiais.
Essas diretrizes têm como objetivo fortalecer a proteção trabalhista e promover maior segurança jurídica para empresas e trabalhadores.
Por que a negociação coletiva se torna essencial?
Um instrumento de equilíbrio nas relações trabalhistas
A negociação coletiva já é um dos pilares das relações de trabalho no Brasil. Com a nova portaria, ela ganha ainda mais centralidade ao se tornar obrigatória para o funcionamento em feriados. Isso significa que:
Evita conflitos trabalhistas
Ao prever direitos e deveres de forma clara, os acordos coletivos reduzem os riscos de ações judiciais por descumprimento de normas trabalhistas.
Dá voz aos trabalhadores
A negociação fortalece o papel dos sindicatos, garantindo que os interesses da categoria sejam representados.
Estabelece critérios objetivos
Questões como valor do adicional, número de dias de compensação e escalas de plantão são definidas por consenso.
Quem será afetado pela nova regulamentação?
Setores do comércio, serviços e indústria
O impacto da Portaria 3.665/2023 é abrangente, afetando especialmente:
- Lojas de varejo em geral;
- Supermercados;
- Shoppings;
- Farmácias e drogarias;
- Restaurantes e bares;
- Prestadoras de serviços.
Empresas que operam em feriados precisarão, a partir de março de 2026, comprovar a existência de acordo coletivo em vigor para estarem em conformidade com a legislação.
Como o comércio deve se preparar até 2026?
Passos práticos para garantir conformidade legal
O período até 2026 é uma janela estratégica para ajustes, e algumas ações são fundamentais:
Fortalecer o diálogo com os sindicatos
Empresas devem buscar aproximação com os sindicatos representativos, estabelecendo uma agenda de negociação antecipada.
Revisar contratos de trabalho e escalas
As normas internas de recursos humanos precisam refletir as mudanças legais, com atenção especial aos contratos com cláusulas sobre feriados.
Investir em capacitação jurídica
Departamentos de RH e jurídico devem ser atualizados sobre a nova legislação, com treinamentos específicos para a área de conformidade.
Participar de fóruns e associações setoriais
O envolvimento em associações comerciais e fóruns trabalhistas ajuda a trocar experiências e estratégias com outras empresas afetadas.
Quais são os riscos para quem não cumprir?
Sanções, multas e passivos trabalhistas
Empresas que descumprirem a portaria estarão sujeitas a penalidades que incluem:
- Multas administrativas por infração à legislação trabalhista;
- Autuações fiscais em fiscalizações do trabalho;
- Ações judiciais individuais ou coletivas por parte de empregados ou sindicatos;
- Interdições temporárias do funcionamento em datas específicas.
Além disso, a reputação da empresa pode ser afetada negativamente, especialmente em setores com alta rotatividade de pessoal.
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Importância do prazo de adaptação
Um período para modernizar práticas e garantir segurança
O adiamento da vigência para março de 2026 foi uma resposta a pedidos do setor empresarial, preocupado com a falta de tempo para se adequar. Esse intervalo permite:
- Maior planejamento das negociações coletivas;
- Adequação de contratos e regulamentos internos;
- Discussão de alternativas de escalas e compensações.
Com isso, o governo busca garantir que a implementação das novas normas ocorra de forma gradual e estruturada, evitando impactos negativos sobre a economia e o emprego.
Como a nova regra promove um ambiente de trabalho mais justo?
Equilíbrio entre produtividade e valorização do trabalhador
A formalização do trabalho em feriados via acordo coletivo garante:
- Remuneração justa para quem trabalha em datas especiais;
- Respeito às normas constitucionais sobre descanso semanal e jornada;
- Previsibilidade para empregadores e empregados sobre regras e obrigações;
- Redução de conflitos, com regras claras e registradas.
Esses pontos contribuem para um mercado de trabalho mais profissionalizado e equilibrado.
Papel dos sindicatos nessa nova fase

Interlocutores fundamentais para a legalidade das operações
A nova legislação também fortalece o papel dos sindicatos laborais e patronais, que passam a ser peças-chave para:
- Negociar os termos do trabalho em feriados;
- Registrar os acordos coletivos junto ao MTE;
- Fiscalizar o cumprimento dos termos acordados.
Portanto, construir uma relação de parceria institucional com os sindicatos é essencial para as empresas que pretendem operar em feriados a partir de 2026.
Considerações finais
A Portaria nº 3.665/2023 representa uma mudança estrutural no tratamento do trabalho em feriados no Brasil, exigindo mais responsabilidade, planejamento e formalização por parte dos empregadores.
Embora represente um desafio regulatório, a nova regra também é uma oportunidade de modernização e equilíbrio nas relações de trabalho.
O período até março de 2026 deve ser usado com inteligência por empresas e sindicatos, promovendo um ambiente mais seguro, justo e produtivo para todos os envolvidos.
Imagem: Freepik
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