O setor comercial brasileiro enfrenta mudanças significativas com a implementação de novas regras sobre trabalho em feriados e domingos. A alteração, que passou a vigorar em janeiro de 2025, veio após mais de um ano de debates envolvendo governo, trabalhadores, sindicatos e empresários.
Brasileiros terão rotina alterada com novas regras de trabalho em feriados e domingos
Regras de trabalho em feriados e domingos mudam em 2025, trazendo mais proteção aos direitos trabalhistas e equilíbrio ao setor comercial.
O adiamento inicial da nova estrutura regulatória, anunciado em novembro de 2023, destacou a complexidade de conciliar interesses econômicos com a proteção dos direitos trabalhistas. A legislação vigente desde 2021 permitia que o trabalho em feriados ocorresse sem exigência de acordos coletivos, mas essa prática gerou controvérsias e levou o Supremo Tribunal Federal (STF) a reforçar a necessidade de negociações sindicais.
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Desafios enfrentados pelos legisladores

Equilíbrio entre economia e direitos
Os legisladores tiveram que lidar com o desafio de harmonizar interesses distintos. Por um lado, o setor comercial buscava flexibilidade para manter operações em feriados, períodos tradicionalmente de alto movimento e receita adicional. Por outro, a proteção aos trabalhadores exigia garantias de descanso, remuneração adequada e negociações coletivas.
A principal preocupação era evitar impactos negativos na economia, como aumento do desemprego ou expansão da informalidade. Muitos trabalhadores do comércio dependem da remuneração extra de feriados, e mudanças abruptas poderiam afetar significativamente suas finanças.
Harmonização das legislações
Outro desafio foi alinhar regras federais, estaduais e municipais. Diversas cidades possuíam normas próprias sobre funcionamento do comércio em feriados, o que tornou essencial a cooperação entre diferentes esferas do governo e representantes sindicais.
O objetivo era criar uma legislação que fosse clara, justa e aplicável em todo o país, garantindo segurança jurídica para empresas e empregados.
Cooperação entre governo, sindicatos e empresas

A construção de um consenso envolveu comunicação constante e mesas de negociação. Audiências públicas conduzidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego reuniram representantes do setor, trabalhadores e órgãos públicos para discutir propostas de atualização da Lei 10.101/2000, que regula o funcionamento do comércio em feriados.
O diálogo buscou ajustar as regras às realidades regionais, levando em conta as diferenças econômicas e sociais entre estados e municípios. Além disso, a legislação precisava respeitar acordos coletivos e escalas de revezamento, sem comprometer a arrecadação fiscal ou a estabilidade do emprego.
Trabalho em domingos e feriados – regras e referências
| Aspecto | Descrição / Lei | Detalhes Importantes |
|---|---|---|
| Trabalho em domingos | Constituição Federal, Art. 7º, XVII | O repouso semanal remunerado deve coincidir, preferencialmente, com o domingo. |
| Exceções | CLT, Art. 68 | Atividades como indústria, comércio, saúde, transporte, turismo e serviços essenciais podem exigir trabalho aos domingos. |
| Remuneração extra | CLT, Art. 9º e 59 | Trabalho em domingos deve ser remunerado em dobro ou compensado com folga na mesma semana. |
| Trabalho em feriados | CLT, Art. 9º | Permitido apenas mediante acordo ou convenção coletiva. Remuneração em dobro ou folga compensatória obrigatória. |
| Acordos coletivos | CLT, Art. 7º, XXVI | Estabelecem regras de compensação, escalas e jornada específica para domingos e feriados. |
| Escala de revezamento | CLT, Art. 59 e Súmula 146 TST | Empresas que funcionam diariamente devem garantir folgas proporcionais aos empregados. |
| Atividades essenciais | Lei nº 7.102/1983 | Saúde, segurança, transporte, energia, alimentação e telecomunicações podem exigir trabalho nestes dias. |
| Folga compensatória | CLT, Art. 67 | Empregado deve receber outra folga, respeitando mínimo de 24 horas consecutivas de descanso. |
| Penalidades | CLT, Art. 467 e 477 | Descumprimento pode gerar ações trabalhistas com pagamento de horas extras e indenizações. |
Impactos para o setor comercial
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O adiamento da implementação das novas regras permitiu avaliar cuidadosamente as consequências da legislação. Empresários puderam se preparar para reorganizar escalas de trabalho, e sindicatos garantiram que direitos dos empregados fossem preservados.
Especialistas destacam que a medida deve aumentar a previsibilidade jurídica e reduzir conflitos trabalhistas, beneficiando ambos os lados. Para os empregados, a legislação reforça a segurança de folgas compensatórias e pagamento correto. Para os empregadores, a clareza das regras auxilia na gestão de horários e na redução de passivos trabalhistas.
Lições e expectativas
A nova regulamentação mostrou a importância do diálogo entre governo, trabalhadores e empresas. Ela reforça que mudanças complexas no mercado de trabalho exigem tempo de análise, planejamento e negociação.
A expectativa é que as novas regras tragam maior estabilidade e equilíbrio, respeitando as especificidades do comércio em diferentes regiões do Brasil. O acompanhamento contínuo da Lei 10.101/2000 e de decisões judiciais permanece essencial, sobretudo para quem atua no setor comercial e deseja evitar conflitos legais ou prejuízos financeiros.
A implementação em janeiro de 2025 marcou um passo importante na atualização da legislação trabalhista, reforçando o compromisso do país com um mercado de trabalho mais justo, eficiente e equilibrado.
Imagem: Jorge Aguado Martin/shutterstock.com
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