O governo federal enviou ao Congresso, em 18 de março, o Projeto de Lei (PL) 1087/2025, que propõe uma série de mudanças na tributação de pessoas físicas no Brasil. A principal novidade da proposta é a ampliação da isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para cidadãos que ganham até R$ 5 mil.
Tributação de dividendos: entenda a proposta do governo
O PL 1087/2025 propõe a taxação de dividendos, afetando cidadãos com rendimentos acima de R$ 600 mil. Entenda as implicações e o debate em torno da proposta.
Porém, uma das medidas para compensar a perda de arrecadação gerou controvérsia: a taxação de dividendos. Essa proposta visa tributar os lucros distribuídos por empresas para seus acionistas, atingindo principalmente as pessoas com rendimentos anuais superiores a R$ 600 mil provenientes de dividendos.
O debate sobre essa medida tem gerado muitas discussões, e o tema promete ser um ponto de atrito no Congresso Nacional.
Neste artigo, vamos explicar em detalhes a proposta do governo, as reações de especialistas, as possíveis implicações dessa mudança para os empresários e a economia como um todo, além das críticas que surgiram em relação à possível “dupla tributação”.
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O que São Dividendos?

A Tributação de Dividendos no Brasil
Os dividendos são a parte do lucro de uma empresa que é distribuída entre seus acionistas, proporcionalmente às ações que cada um detém. No Brasil, os dividendos têm sido isentos de tributação desde 1995, com base na Lei 9.249/1995, que considera os lucros já tributados na esfera da pessoa jurídica (empresas).
O Contexto Atual
Atualmente, as empresas no Brasil pagam impostos sobre seus lucros por meio do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), com alíquotas que podem atingir até 34%. No caso dos bancos, essa carga pode ser ainda mais elevada, chegando a 45%. Com a isenção de dividendos, os acionistas não pagam impostos sobre os lucros distribuídos pelas empresas.
Essa isenção, no entanto, tem sido alvo de críticas, principalmente porque pessoas com grandes fortunas, muitas vezes, obtêm boa parte de sua renda através desses dividendos, pagando menos impostos do que aqueles que recebem salários. A proposta do governo visa alterar esse cenário.
A Proposta de Tributação de Dividendos

A Mudança Proposta pelo PL 1087/2025
A proposta contida no PL 1087/2025 visa tributar os dividendos recebidos por pessoas físicas que ultrapassem R$ 600 mil por ano, com alíquotas progressivas que vão de 0% até 10%, dependendo da renda do contribuinte.
O objetivo do governo é corrigir distorções no sistema tributário, uma vez que aqueles que recebem grandes dividendos de empresas, por serem isentos de impostos, pagam menos tributos proporcionalmente.
Como Funciona a Tributação de Dividendos?
De acordo com o projeto, a tributação será feita de forma separada da tributação sobre os rendimentos do trabalho. Ou seja, pessoas que recebem salários ou outros tipos de rendimentos, como honorários, continuarão a pagar o Imposto de Renda normalmente. No caso dos dividendos, a tributação será feita na fonte, ou seja, será descontada diretamente antes de o valor ser repassado aos acionistas.
Se os rendimentos totais do contribuinte (incluindo salários, dividendos e outras fontes de renda) forem inferiores a R$ 600 mil, não haverá cobrança de imposto adicional. Para quem ultrapassar esse valor, a alíquota será progressiva, podendo chegar até 10% para rendimentos superiores a R$ 1,2 milhão por ano.
O Debate sobre a Dupla Tributação
A Crítica da “Dupla Tributação”
Uma das principais críticas à proposta de tributação de dividendos é a chamada “dupla tributação”. Isso ocorre porque as empresas já pagam impostos sobre seus lucros, e, com a tributação dos dividendos, os acionistas estariam sendo tributados novamente sobre a mesma renda. Esse fenômeno é conhecido como tributação em cascata.
A Visão do Economista Otto Nogami
O economista Otto Nogami, professor do Insper, explica que a tributação dos dividendos pode ser vista como uma “tributação em cascata” se não forem adotadas medidas para evitar a duplicidade de cobrança.
Contudo, ele destaca que a proposta do governo prevê mecanismos para mitigar essa duplicidade. Por exemplo, o governo propõe um teto, de modo que a soma da tributação sobre a pessoa jurídica e a pessoa física não ultrapasse determinados limites, como 34% para as empresas e 45% para os bancos.
Além disso, a proposta do governo sugere a possibilidade de restituição de valores, caso esse teto seja ultrapassado. A intenção, segundo Nogami, é redistribuir a carga tributária entre as empresas e os acionistas, sem aumentar a carga geral sobre as empresas.
A Repercussão no Congresso e na Sociedade
Reações e Expectativas para o Congresso
O anúncio do PL 1087/2025 gerou um intenso debate, tanto entre especialistas quanto no Congresso Nacional. Durante a apresentação do projeto, o presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que o Congresso irá tratar o tema com sensibilidade, mas também sinalizou que o texto sofrerá modificações antes de ser aprovado.
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Possíveis Alterações no Texto
O PL ainda será discutido nas comissões da Câmara e do Senado, e pode passar por ajustes significativos. A proposta de taxação de dividendos, em particular, tem gerado resistência por parte de empresários e especialistas, que alertam para os possíveis impactos negativos na economia, especialmente para as empresas de médio e grande porte.
No entanto, a proposta também tem apoio de setores que defendem uma maior justiça tributária, alegando que a isenção de dividendos favorece os mais ricos e contribui para a desigualdade social. A discussão promete continuar, com fortes argumentos de ambos os lados.
Implicações Econômicas e Fiscais

O Impacto na Economia Brasileira
A introdução da tributação de dividendos pode ter diversos impactos na economia brasileira. De um lado, o governo argumenta que a medida ajudará a aumentar a arrecadação e reduzirá a desigualdade tributária, já que os mais ricos pagariam mais impostos.
O Efeito Sobre os Empresários
Por outro lado, empresários alertam para o risco de desestimular os investimentos e a geração de empregos, especialmente em um momento de recuperação econômica pós-pandemia.
A possibilidade de uma “dupla tributação” pode aumentar a carga fiscal sobre as empresas, tornando-as menos competitivas, especialmente no cenário global.
O Contexto Internacional
É importante notar que, ao contrário do Brasil, muitos países já praticam a tributação de dividendos. De fato, entre os membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apenas Brasil, Letônia e Estônia mantêm a isenção de dividendos. Essa mudança pode alinhar o Brasil a práticas mais comuns em economias desenvolvidas, mas a transição exige cautela.
Considerações finais
O Projeto de Lei 1087/2025, que propõe a taxação de dividendos, gerou um debate acalorado no Brasil. A medida, que visa corrigir distorções no sistema tributário e aumentar a arrecadação, é vista por muitos como uma forma de justiça fiscal. No entanto, a crítica à possível “dupla tributação” e os impactos sobre os empresários indicam que a proposta ainda tem muitos pontos a serem debatidos e ajustados.
O futuro da tributação de dividendos no Brasil depende de como o Congresso Nacional irá lidar com a proposta e suas implicações para a economia do país. A medida ainda passará por diversas discussões antes de ser finalizada, e os próximos meses serão decisivos para entender qual será o real impacto dessa mudança no cenário fiscal brasileiro.
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