Em uma declaração que acirra os ânimos entre Brasília e Washington, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Brasil pode ser alvo de tarifas comerciais de até 50%, as maiores previstas dentro de um novo pacote que começa a vigorar em 1º de agosto.
Trump anuncia possíveis tarifas entre 15% e 50% para o Brasil
EUA anunciam possíveis tarifas de até 50% ao Brasil e tensão cresce no comércio internacional.
O anúncio, feito durante um evento sobre inteligência artificial na capital americana, marca um novo capítulo nas disputas comerciais entre os dois países e amplia o risco para setores estratégicos da economia brasileira.
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Medidas visam países em “desacordo” com os EUA

De acordo com Trump, a política tarifária será simples, com alíquotas variando entre 15% e 50%, sendo o patamar máximo reservado a países com os quais os Estados Unidos enfrentam divergências políticas e comerciais. “Temos 50% porque não temos nos dado muito bem com esses países”, justificou o ex-presidente, deixando claro que o Brasil ocupa posição de destaque nessa lista.
A tensão aumentou após o governo americano reagir a críticas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e a alegações de práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil. Investigações posteriores ampliaram o foco para aspectos sensíveis como o sistema de pagamentos Pix e a famosa Rua 25 de Março, em São Paulo.
Governo brasileiro age para mitigar impactos
Diante da ameaça iminente, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mobilizou diversos ministérios para evitar danos à economia. O Ministério da Fazenda, liderado por Fernando Haddad, elaborou um plano emergencial que prevê a criação de um fundo temporário com linhas de crédito voltadas a empresas impactadas pelas tarifas, especialmente no setor siderúrgico — um dos mais vulneráveis à perda de competitividade no mercado americano.
Segundo Haddad, a proposta está pronta e deverá ser ativada caso as medidas entrem em vigor. A expectativa é que o fundo seja financiado por meio de crédito extraordinário, oferecendo apoio direto a exportadores brasileiros.
Ofensiva diplomática e tentativa de adiamento
Além das ações econômicas, o Palácio do Planalto investe em uma ofensiva diplomática. O vice-presidente Geraldo Alckmin sugeriu o envio de uma missão interministerial aos Estados Unidos, com o objetivo de solicitar um adiamento de até 90 dias na entrada em vigor das tarifas e abrir espaço para negociações bilaterais.
A comitiva apresentaria possíveis contrapartidas, como a remoção de barreiras impostas atualmente a produtos americanos no Brasil. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apoia a proposta, alertando para os impactos imediatos que as tarifas podem gerar nas exportações nacionais.
Estratégia inclui sensibilização do consumidor americano
Em paralelo às tratativas diplomáticas, empresários brasileiros foram orientados a destacar junto aos consumidores dos EUA os efeitos das tarifas sobre itens do cotidiano. Produtos como carne, café e suco de laranja — amplamente exportados pelo Brasil — podem ter seus preços inflacionados nos supermercados americanos.
Um caso emblemático já chegou à Justiça: uma distribuidora de sucos nos EUA entrou com ação contra a medida, alegando que o aumento de custos gerado pelas tarifas comprometerá empregos e a sustentabilidade da empresa.
Obstáculos políticos e interferência bolsonarista
Apesar dos esforços, o governo Lula enfrenta obstáculos internos. O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou em suas redes sociais que irá pressionar a Casa Branca para que não receba comitivas brasileiras. Segundo ele, essa ação tem como objetivo reforçar o pedido de anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
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A declaração de Eduardo é vista por analistas como uma tentativa de instrumentalizar a política externa americana para fins internos, ao custo de aumentar o isolamento do Brasil no cenário comercial.
Reação firme na Organização Mundial do Comércio
No plano internacional, o Brasil reagiu duramente. Em pronunciamento na Organização Mundial do Comércio (OMC), o embaixador brasileiro Philip Gough condenou o uso de tarifas como instrumento de coerção política. Sem mencionar diretamente os Estados Unidos, Gough classificou a prática como “um ataque sem precedentes ao sistema multilateral de comércio”.
Perspectivas e riscos para o Brasil

Caso as tarifas de fato entrem em vigor no início de agosto, o Brasil poderá enfrentar perdas significativas em diversos setores, principalmente aqueles que dependem fortemente das exportações para os EUA. A medida pode ainda comprometer a relação diplomática entre os dois países e gerar desdobramentos econômicos em cadeia.
Especialistas alertam que o aumento de barreiras comerciais, motivadas por tensões políticas, compromete a previsibilidade necessária para o planejamento das empresas e pode afastar investidores internacionais.
Enquanto isso, o governo brasileiro tenta ganhar tempo para negociar, utilizando todos os instrumentos disponíveis, de missões diplomáticas à mobilização de empresários e entidades setoriais. O desfecho dessa crise poderá definir os rumos do comércio exterior brasileiro nos próximos anos.
Com informações de: InfoMoney
