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Trump promete ajuda a Milei e peso argentino dispara nos mercados

Avatar de Juliana Peixoto Juliana Peixoto · · 5 min de leitura
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Em encontro nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou apoio total ao governo de Javier Milei e prometeu respaldo à sua reeleição. A declaração provocou reação imediata nos mercados, com o peso argentino avançando 3% frente ao dólar e o índice S&P Merval registrando alta de 1,36% nesta terça-feira (23).

A movimentação econômica ocorre em meio a uma grave crise política e econômica na Argentina, marcada por denúncias de corrupção e instabilidade fiscal, que pressionam a confiança de investidores e a cotação da moeda local.

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Apoio explícito de Trump à gestão Milei

Milei Criptomoeda Trump
Imagem: Reprodução / G1

Durante a coletiva de imprensa em Nova York, Trump destacou: “Vamos ajudá-los. Não acho que precisem de um resgate”. O presidente norte-americano também ressaltou que seu governo está trabalhando junto à Argentina para viabilizar boas condições de dívida e mecanismos que permitam “tornar o país grande novamente”.

Além disso, Trump defendeu publicamente a reeleição de Milei, afirmando que o líder argentino precisa de um novo mandato “para completar o trabalho”. Segundo o presidente americano, os Estados Unidos oferecem não apenas apoio financeiro, mas também político, reforçando o endosso direto à administração argentina.


Reação imediata dos mercados

Os efeitos da declaração de Trump foram visíveis nos principais indicadores econômicos argentinos. O peso avançou 3% frente ao dólar, cotado a 1.364,79, enquanto o S&P Merval subiu 1,36%.

Na véspera, a promessa de apoio já havia impulsionado os ativos locais, com o S&P Merval registrando alta superior a 7%, o peso valorizando quase 5% e os títulos internacionais em dólar também se beneficiando da confiança reforçada.

No entanto, a trajetória recente do mercado argentino tem sido volátil. Nos últimos meses, os títulos internacionais sofreram queda superior a 20% e a moeda local se aproximou do limite inferior da banda cambial estabelecida pelo Banco Central.


Intervenção do Banco Central

Para conter a desvalorização do peso, o Banco Central da Argentina realizou, na sexta-feira (19), a maior venda diária de dólares em quase seis anos, totalizando US$ 678 milhões. Entre quarta e sexta-feira, a instituição vendeu US$ 1,1 bilhão, utilizando reservas para atender à forte demanda por dólares e evitar colapsos cambiais.

Especialistas alertam que a contínua utilização das reservas pode gerar riscos adicionais. Entre eles, o esgotamento de fundos estratégicos, dificuldade no pagamento da dívida de curto prazo e aumento na emissão de títulos para suprir lacunas financeiras, elevando o endividamento do país.


Crise política e instabilidade fiscal

Ilustração de uma onça em uma nota de 500 pesos argentinos. A cédula está sobre outras notas da moeda argentina.
Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com

A economia argentina sofre não apenas pela volatilidade dos mercados, mas também pelo cenário político. Denúncias envolvendo Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, agravaram a instabilidade. Escândalos como supostas exigências de propina de indústrias farmacêuticas minam a confiança de investidores e eleitores.

Em áudios vazados, Diego Spagnuolo, ex-chefe da Agência Nacional para a Deficiência (Andis), acusou Karina Milei e o subsecretário Eduardo “Lule” Menem de solicitar pagamentos irregulares para aquisição de medicamentos destinados à rede pública.

Segundo análise do Bradesco BBI, episódios de corrupção fragmentam o cenário político, prejudicando a reputação do governo e sua capacidade de implementar políticas econômicas coerentes. A perda de influência no Congresso pode gerar expansão fiscal desordenada, em conflito com as metas estabelecidas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).


Impacto na economia e nos investidores

A combinação de instabilidade política e incerteza econômica afeta diretamente a cotação do peso argentino. Com investidores estrangeiros retirando recursos do país, a oferta de dólares diminui, aumentando a demanda pela moeda americana. Consequentemente, o peso se desvaloriza, refletindo a escassez relativa de dólares frente à procura existente.

A promessa de apoio de Trump surge, portanto, como um alívio temporário para os mercados, embora especialistas ressaltem que medidas concretas de sustentabilidade econômica e política serão necessárias para evitar novas crises.


Desafios para o governo Milei

O presidente argentino enfrenta o desafio de restaurar a confiança do mercado enquanto lida com escândalos internos e pressões fiscais. A alta recente do peso e a valorização do S&P Merval demonstram otimismo imediato, mas a fragilidade estrutural do país ainda preocupa investidores.

A administração de Milei terá de equilibrar a necessidade de financiamento externo com medidas internas que contenham o déficit, evitem desvalorização cambial e promovam estabilidade política. Sem avanços concretos, o efeito Trump pode se limitar a um impulso momentâneo nos ativos argentinos.


Conclusão

O apoio público de Donald Trump a Javier Milei e a promessa de respaldo à sua reeleição trouxeram alívio imediato aos mercados argentinos, refletido na valorização do peso e do S&P Merval. No entanto, especialistas alertam que a situação econômica e política do país ainda apresenta desafios significativos, incluindo escândalos de corrupção, instabilidade fiscal e pressão sobre as reservas cambiais.

A trajetória futura da Argentina dependerá não apenas do endosso internacional, mas também da capacidade do governo Milei de implementar reformas estruturais e restaurar a confiança de investidores, estabilizando o peso e garantindo sustentabilidade econômica a médio e longo prazo.

Imagem: Evan El-Amin / shutterstock.com

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