O governo de Donald Trump renovou oficialmente o pedido para afastar Lisa Cook de seu cargo como diretora do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos. O movimento ocorreu dentro do prazo estabelecido pelo Tribunal de Apelações de Washington, que determinou que o presidente deveria responder às alegações apresentadas pela defesa da economista até esta semana.
Trump insiste na saída de Lisa Cook do Fed; ação judicial segue em andamento
Trump renovou o pedido para afastar Lisa Cook do Federal Reserve, alegando fraude hipotecária. O caso é inédito.
A ofensiva é sustentada por acusações de fraude hipotecária, mas especialistas avaliam que o caso ultrapassa a questão pessoal e coloca em risco a independência do Fed, instituição que há mais de um século atua livre de pressões políticas diretas.
As alegações contra Lisa Cook

Acusação de fraude hipotecária
A Casa Branca fundamenta seu pedido de afastamento nas denúncias feitas por Bill Pulte, empresário do setor imobiliário e indicado por Trump a uma agência federal de habitação. Segundo a acusação, Cook teria declarado duas propriedades — uma em Michigan e outra em Atlanta — como residência principal em momentos distintos, para obter condições de financiamento mais favoráveis.
Leia mais: EUA e China fecham acordo sobre TikTok, diz Scott Bessent
Investigação em andamento
O Departamento de Justiça dos EUA abriu investigação para apurar a veracidade das informações. Ainda assim, novos documentos analisados por veículos como Reuters e The New York Times indicam que, antes de sua nomeação para o Fed em 2022, Lisa Cook já havia registrado a propriedade em Atlanta como uma residência secundária ou casa de lazer, enfraquecendo o principal argumento apresentado pela Casa Branca.
A defesa de Lisa Cook
Os advogados da diretora argumentam que não há provas de irregularidade e que a acusação se baseia em interpretações conflitantes de registros antigos. Além disso, alertam que permitir a destituição de um membro do conselho do Fed por decisão direta do presidente criaria um precedente perigoso.
Segundo a defesa, a autonomia da instituição seria colocada em xeque, gerando instabilidade nos mercados e reduzindo a credibilidade internacional do banco central norte-americano.
Linha do tempo do caso
Para compreender a disputa, é importante observar os principais acontecimentos até agora:
| Data | Evento |
|---|---|
| 25 de agosto de 2025 | Trump envia carta destituindo Lisa Cook do cargo no Fed |
| 28 de agosto de 2025 | Tribunal federal de Washington ordena a reintegração provisória de Cook |
| 12 de setembro de 2025 | Defesa de Cook apresenta petição reforçando inexistência de provas |
| 15 de setembro de 2025 | Governo Trump renova pedido de afastamento, alegando “justa causa” |
| Semana de 16 de setembro | Fed se prepara para votar corte de juros de 0,25 ponto |
Implicações para a independência do Fed
Um precedente histórico
Desde sua fundação, em 1913, o Federal Reserve jamais teve um diretor removido diretamente por um presidente. A tentativa de Trump representa uma ruptura histórica e levanta temores de interferência política em uma das instituições mais respeitadas do sistema financeiro global.
O risco para a política monetária
O episódio ocorre justamente em uma semana decisiva, quando o Fed deve decidir sobre a redução da taxa de juros em 0,25 ponto percentual. A pressão pública da Casa Branca aumenta a percepção de que decisões técnicas podem ser influenciadas por disputas políticas, prejudicando a confiança de investidores internacionais.
Repercussão no mercado
Analistas de Wall Street acompanham o litígio com apreensão. A eventual saída de Lisa Cook, primeira mulher negra a integrar o conselho do Fed, poderia abrir espaço para indicações mais alinhadas à agenda política de Trump, alterando o equilíbrio interno da instituição.
Brasil na rota dos capitais
Economistas destacam que a instabilidade nos EUA pode tornar o Brasil e outros emergentes mais atrativos para investidores, sobretudo diante da perspectiva de cortes de juros pelo Fed. A expectativa é de aumento no fluxo de capitais para mercados que oferecem retornos mais elevados.
As contradições da acusação
Apesar da ofensiva da Casa Branca, os documentos revelados pela imprensa norte-americana colocam em dúvida a versão sustentada por Bill Pulte. Embora existam inconsistências no histórico de registros, não há evidência direta de fraude intencional.
A insistência de Trump em manter o caso ativo sugere que a disputa pode ter menos relação com questões legais e mais com a tentativa de influenciar o comportamento do Fed em um momento delicado para a economia.
Especialistas avaliam os riscos

Autonomia em xeque
Para acadêmicos e ex-dirigentes do banco central, a independência do Fed é pilar fundamental da economia norte-americana. A possibilidade de um presidente remover conselheiros sem provas robustas ameaça minar a confiança no sistema.
Impacto global
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Como maior banco central do mundo, o Fed influencia diretamente os mercados internacionais. Qualquer sinal de fragilidade institucional repercute em moedas, bolsas de valores e preços de commodities em escala global.
Perguntas frequentes (FAQ)
Quem é Lisa Cook?
Lisa Cook é economista e diretora do Federal Reserve desde 2022. Foi a primeira mulher negra a integrar o conselho da instituição.
Por que Trump quer a saída de Cook?
O ex-presidente alega que Cook cometeu fraude hipotecária ao declarar duas propriedades como residência principal para obter empréstimos com condições melhores.
Há provas contra Lisa Cook?
Até o momento, não há evidências sólidas. Documentos analisados pela imprensa mostram que Cook havia registrado uma das casas como residência secundária antes de assumir no Fed.
O que está em jogo nesse processo?
Mais do que a permanência de Lisa Cook, o processo coloca em xeque a independência do Federal Reserve e pode abrir um precedente histórico de interferência presidencial.
Qual o impacto para a economia global?
A disputa gera incerteza nos mercados e pode reduzir a confiança internacional no Fed, com reflexos sobre moedas, juros e investimentos em diversos países, incluindo o Brasil.
Considerações finais
A ofensiva de Donald Trump contra Lisa Cook ultrapassa a esfera de uma acusação individual e se transforma em uma batalha institucional. Pela primeira vez em 112 anos, a independência do Federal Reserve é desafiada de forma direta por um presidente norte-americano.
Independentemente do desfecho, o processo já deixou marcas na credibilidade do banco central e ampliou as tensões entre política e economia nos Estados Unidos.
