Em mais um movimento para reconfigurar a máquina pública americana e reforçar sua agenda “América em Primeiro Lugar”, o presidente Donald Trump anunciou nesta sexta-feira (11) a demissão de 1.350 funcionários do Departamento de Estado dos EUA. A medida ocorre apenas três dias após a Suprema Corte derrubar uma liminar que bloqueava seus planos de enxugamento da estrutura federal.
Segundo o comunicado oficial interno, os cortes miram funções consideradas não essenciais, departamentos redundantes e áreas passíveis de maior eficiência. “Estamos otimizando as operações domésticas para nos concentrarmos nas prioridades diplomáticas”, diz a nota enviada aos servidores.
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Quem foi atingido pelos cortes?

O anúncio atinge 1.107 funcionários públicos de carreira e outros 246 diplomatas do serviço exterior baseados nos EUA. Junto com aposentadorias e saídas voluntárias previstas, o total de redução deve superar 3.000 vagas, num universo de 18 mil servidores do Departamento.
A pasta — equivalente ao Itamaraty brasileiro, mas também responsável por emissão de vistos e passaportes — não detalhou ainda como as demissões afetarão esses serviços ao público.
Cortes eram promessa de campanha
Desde a campanha de 2024, Trump defendia um plano ambicioso para “limpar o estado profundo” da burocracia americana. Logo após reassumir a Casa Branca, em janeiro, assinou um decreto ordenando que departamentos e agências federais elaborassem projetos para reduzir a força de trabalho e eliminar programas com os quais seu governo não concorda.
A reestruturação no Departamento de Estado é descrita como o primeiro passo concreto dessa promessa, com o objetivo declarado de garantir que a política externa dos EUA reflita a agenda trumpista.
Em fevereiro, Trump orientou o Secretário de Estado, Marco Rubio, a “reformular o serviço exterior para assegurar sua lealdade”.
Reação de ex-diplomatas e parlamentares
As demissões não passaram sem críticas. Mais de 130 ex-diplomatas e ex-altos funcionários publicaram uma carta aberta chamando a reforma de “equivocada e perigosa”. Já o senador democrata Tim Kaine, da Virgínia, afirmou que os cortes fragilizam os EUA em um momento delicado para a diplomacia.
“O presidente Trump e o secretário de Estado Rubio estão mais uma vez tornando a América menos segura e menos protegida.”, disse Kaine, destacando o avanço diplomático da China, a persistência da agressão russa e as crises no Oriente Médio como motivos para manter um serviço exterior robusto.
Supremo libera demissões e acelera agenda de Trump
A ofensiva sobre o quadro de servidores do Departamento vinha sendo travada por decisões judiciais contrárias ao governo desde o início do ano. Com a recente decisão da Suprema Corte em favor da Casa Branca, o caminho ficou livre para Trump executar a reestruturação. A expectativa inicial era concluir as mudanças até 1º de julho, mas o litígio adiou o cronograma.
Agora, a Casa Branca trabalha para implementar rapidamente a nova configuração antes do final de 2025.
Papel estratégico do Departamento de Estado
Responsável por definir e executar a política externa dos EUA, o Departamento de Estado também cumpre funções consulares fundamentais. Além da diplomacia bilateral e multilateral, o órgão cuida da emissão de vistos para estrangeiros e passaportes para cidadãos americanos, além de operar programas de assistência no exterior.
Críticos alertam que a saída de centenas de diplomatas experientes pode comprometer a capacidade dos EUA de responder a crises internacionais e manter sua influência global. Já apoiadores da medida veem os cortes como necessários para eliminar “gastos excessivos e resistência burocrática”.
Próximos passos para a reestruturação

Embora não tenha sido divulgado um plano completo de como a pasta funcionará após os cortes, fontes do governo indicam que novas etapas de reforma devem ser anunciadas nos próximos meses. O objetivo seria eliminar ou fundir departamentos considerados “obsoletos” e reforçar áreas que Trump considera prioritárias, como segurança de fronteiras e relações bilaterais com parceiros estratégicos.
Um novo rumo para a diplomacia americana?
Com a drástica mudança na composição do Departamento de Estado, cresce o debate sobre os rumos da diplomacia dos EUA nos próximos anos. Para apoiadores, a agenda de Trump coloca os interesses americanos acima de compromissos multilaterais desgastantes. Para críticos, a redução drástica do corpo diplomático enfraquece a capacidade de mediar conflitos e projetar poder de forma inteligente.
O resultado dessas escolhas só ficará claro nos próximos anos, mas já causa divisões profundas em Washington e entre especialistas em política externa.
Com informações de: G1
