Em um novo movimento protecionista, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no domingo (4) que autorizou uma tarifa de 100% sobre todos os filmes produzidos fora do país.
Trump taxa em 100% filmes feitos fora dos EUA e promete “reviver Hollywood”
Donald Trump anuncia tarifa de 100% sobre filmes produzidos fora dos EUA em 2025. Medida visa proteger Hollywood e reacender a indústria!
Segundo o líder norte-americano, a medida visa proteger a indústria cinematográfica doméstica, que estaria enfrentando um declínio acelerado diante dos incentivos oferecidos por outros países a produtores e estúdios norte-americanos.
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“Queremos filmes feitos na América, novamente”
O anúncio foi feito por Trump em sua rede social, a Truth Social. “A indústria cinematográfica americana está morrendo muito rápido. Outros países estão oferecendo todos os tipos de incentivos para atrair nossos cineastas e estúdios para longe dos Estados Unidos”, escreveu o presidente.
Na mesma publicação, Trump afirmou que já orientou o Departamento de Comércio e o USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) a iniciar os trâmites para a implementação da tarifa. “Queremos filmes feitos na América, novamente!”, concluiu, em tom similar ao seu famoso slogan de campanha.
O que pode mudar com a tarifa de 100% sobre filmes estrangeiros
A decisão de Trump, caso implementada, representaria um impacto direto nas produções audiovisuais internacionais que buscam o mercado norte-americano, especialmente na exibição em salas de cinema, plataformas de streaming e redes de TV.
Impactos possíveis:
- Aumento no custo de distribuição de filmes estrangeiros nos EUA
- Redução de filmes internacionais em cartaz no país
- Pressão sobre plataformas de streaming com catálogos globais
- Potencial aumento de tensões comerciais com parceiros como Canadá, Reino Unido e Índia
Medida encontra resistência e dúvidas legais
Apesar do anúncio, a legalidade e aplicabilidade dessa tarifa ainda são nebulosas. Especialistas apontam que filmes são classificados como “serviços culturais”, o que torna sua taxação direta mais complexa em termos de comércio internacional.
O USTR, que já lida com barreiras não tarifárias em serviços digitais, ainda não detalhou como a medida seria implementada formalmente.
“A estrutura da OMC e acordos comerciais dos EUA não são claros sobre a taxação direta de bens culturais como filmes”, disse à imprensa americana um ex-funcionário da Organização Mundial do Comércio.
Guerra de incentivos: como países vêm atraindo produções
O pano de fundo da decisão de Trump envolve a disputa global por incentivos fiscais que atraem estúdios e produtoras para filmagens fora dos EUA.
Toronto (Canadá), Dublin (Irlanda), Praga (República Tcheca) e Wellington (Nova Zelândia) são exemplos de cidades que oferecem créditos de impostos, infraestrutura de ponta e mão de obra subsidiada, o que tem feito Hollywood perder terreno.
Recentemente, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, anunciou um pacote de créditos fiscais estaduais para tentar conter a saída de produções do estado.
Trump vê ameaça à segurança nacional
Em tom alarmista, Trump classificou os incentivos oferecidos por outros países como parte de um “esforço coordenado” para enfraquecer a indústria cultural dos EUA. “É uma ameaça à Segurança Nacional. É, além de tudo, mensagem e propaganda!”, escreveu em sua rede.
A fala gerou críticas por parte de especialistas em política externa e em liberdade de expressão, que consideraram o argumento exagerado e perigoso do ponto de vista diplomático e comercial.
Situação da indústria cinematográfica dos EUA
Mesmo com a retórica forte, os dados apontam que a indústria de cinema dos EUA ainda se recupera lentamente dos efeitos da pandemia.
A bilheteria doméstica, que alcançava cerca de US$ 12 bilhões em 2018, não ultrapassa os US$ 9 bilhões desde 2020. O número de lançamentos também caiu de forma significativa, afetando estúdios, salas de cinema e trabalhadores do setor.
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Reações de Hollywood e da indústria internacional

Até o momento, grandes estúdios de cinema não se pronunciaram oficialmente, mas fontes do setor ouvidas pela imprensa norte-americana indicam preocupação com os efeitos práticos e diplomáticos da medida.
Plataformas como Netflix, Amazon Prime Video e Disney+ também podem ser impactadas, já que boa parte de seus conteúdos é produzida fora dos EUA.
Possíveis impactos para as plataformas de streaming:
- Necessidade de reajustar contratos de distribuição
- Risco de encarecimento de conteúdos internacionais
- Possível retração na oferta de filmes estrangeiros ao público americano
Efeitos colaterais: e os cinéfilos?
Se implementada, a tarifa de 100% pode ter efeito direto no acesso dos consumidores norte-americanos a filmes internacionais, sobretudo os de cinema independente, produções europeias e filmes asiáticos, frequentemente indicados a prêmios como o Oscar e festivais como Cannes e Berlim.
Além disso, especialistas alertam que a medida pode desencadear retaliações comerciais, prejudicando exportações de produções americanas para outros mercados.
Conclusão
A proposta de Trump de taxar em 100% os filmes produzidos fora dos Estados Unidos, embora ainda sem clareza jurídica, acende um novo debate sobre protecionismo cultural, guerra comercial no setor audiovisual e os rumos da indústria cinematográfica global.
Resta saber se a medida se tornará viável legalmente — e se será mantida em um eventual novo mandato de Trump.
