O ex-presidente dos Estados Unidos e pré-candidato à reeleição, Donald Trump, revelou neste domingo (21) que bilionários americanos como Rupert Murdoch, Michael Dell e Larry Ellison podem integrar um grupo empresarial que negociaria o controle das operações do TikTok nos EUA, em um acordo que está em discussão com o governo chinês. As declarações foram feitas durante uma entrevista transmitida pela Fox News e representam um novo capítulo nas tensões entre Washington e Pequim envolvendo a popular plataforma de vídeos curtos.
Trump confirma que bilionários americanos podem controlar o TikTok em negociação histórica
Donald Trump revelou que Rupert Murdoch, Michael Dell e Larry Ellison podem integrar grupo que assumirá controle do TikTok nos EUA.
A proposta visa responder às preocupações crescentes com a segurança nacional em torno do TikTok, atualmente controlado pela empresa chinesa ByteDance, acusada por autoridades americanas de manipular o algoritmo da rede para fins geopolíticos e de estar sujeita à influência direta do Partido Comunista Chinês.
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Nomes de peso no suposto acordo: Murdoch, Dell e Ellison
Murdoch e Dell entram no radar
Na entrevista à Fox News, Trump declarou que Rupert Murdoch, de 94 anos, seu filho Lachlan Murdoch, e o fundador da Dell Technologies, Michael Dell, poderiam estar entre os membros de um grupo americano que assumiria a administração e o controle do TikTok nos Estados Unidos:
“Acho que eles vão fazer parte do grupo. Alguns outros. Pessoas muito boas, pessoas muito importantes. E também são patriotas americanos, sabe, eles amam este país. Acho que vão fazer um ótimo trabalho”, disse Trump.
Rupert Murdoch é presidente emérito da News Corp e da Fox Corporation, conglomerados de mídia que incluem veículos como Fox News, The Wall Street Journal, New York Post e outros canais com forte influência no cenário político norte-americano. Já Michael Dell é CEO da gigante de tecnologia Dell Technologies, com operações globais em infraestrutura digital, cloud computing e segurança.
Larry Ellison e a Oracle
Trump também mencionou o envolvimento de Larry Ellison, fundador e CEO da Oracle, o qual já havia sido citado anteriormente em outras propostas de aquisição ou parceria envolvendo o TikTok. No sábado, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou que a Oracle deve ser a responsável pela segurança dos dados dos usuários americanos e que os americanos controlariam seis das sete cadeiras do novo conselho administrativo da versão americana do TikTok, caso o acordo se concretize.
Detalhes do acordo com a China seguem indefinidos
Conversas diretas com Xi Jinping
Ainda durante a entrevista, Trump revelou ter discutido diretamente o tema com o presidente da China, Xi Jinping, durante uma longa conversa telefônica na sexta-feira. O ex-presidente não revelou os detalhes da conversa, mas afirmou que as negociações seguem em andamento.
“Estamos tentando garantir que a plataforma continue operando, mas de forma segura, sob controle americano”, disse Trump.
O prazo atual para o fechamento de um possível acordo entre o governo dos EUA, a ByteDance e os grupos interessados termina em 16 de dezembro de 2025, após prorrogação autorizada pela própria administração Trump, que ainda exerce grande influência sobre a política republicana, mesmo fora do cargo.
TikTok sob cerco legislativo e judicial

Congresso já aprovou proibição
O Congresso dos Estados Unidos já aprovou legislação prevendo a proibição do TikTok em território americano, com data de entrada em vigor em janeiro de 2026, caso um acordo de venda das operações nos EUA não seja formalizado. No entanto, Trump tem adotado uma postura ambivalente.
Durante seu mandato, ele chegou a assinar decretos para banir o aplicativo, mas recuou em diversas ocasiões, sempre justificando a tentativa de buscar uma alternativa viável que mantivesse o TikTok funcionando sem riscos à segurança nacional.
TikTok, geopolítica e influência sobre jovens eleitores
Trump admite que TikTok o ajudou com jovens
Apesar da postura crítica anterior, Trump reconheceu na entrevista que o TikTok teve papel importante para sua aproximação com o eleitorado jovem:
“Era um pouco preconceituoso em relação ao TikTok, mas acabei me adaptando. É uma plataforma que me ajudou a conectar com os jovens eleitores, e isso é fundamental”, disse o ex-presidente.
Ele também afirmou que o ativista conservador Charlie Kirk, morto em um atentado em abril deste ano, teria incentivado sua presença na plataforma como forma de engajar o público mais jovem.
Por que o TikTok preocupa o governo dos EUA?
Acusações de espionagem e manipulação de algoritmos
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+311 mil seguidores
A popularidade explosiva do TikTok — com mais de 150 milhões de usuários só nos EUA — tornou-se um desafio para a segurança e para a diplomacia americana. Agências de inteligência alertam que o algoritmo da plataforma é capaz de moldar comportamentos, promover narrativas e interferir em debates políticos, sem transparência ou controle externo.
O temor é de que autoridades chinesas tenham acesso privilegiado aos dados dos usuários americanos e possam usar a plataforma para espionagem ou campanhas de desinformação, especialmente em ano eleitoral.
Representantes não comentaram
Silêncio de Murdoch, Dell e Ellison
Até o momento, os representantes de Rupert Murdoch, Michael Dell e Larry Ellison não comentaram as declarações de Trump. Também não há confirmação oficial de que as empresas ligadas a esses empresários tenham sido formalmente envolvidas nas tratativas.
Trump, por sua vez, não revelou quem lideraria o consórcio de aquisição, nem se o grupo teria ligação direta com a Oracle, que já mantém parceria com o TikTok nos EUA em infraestrutura de armazenamento.
Contradições e disputa judicial com Murdoch
É importante lembrar que Trump moveu um processo contra Rupert Murdoch e o The Wall Street Journal em julho, após a publicação de um artigo investigativo sobre possíveis conexões do ex-presidente com Jeffrey Epstein, o milionário condenado por abuso sexual e morto em prisão. A nova aproximação com Murdoch, portanto, revela uma reviravolta política ou, no mínimo, uma estratégia de conveniência.
Próximos passos: incerteza até dezembro

Cronograma das negociações
- Setembro de 2025: negociações reabertas entre EUA e ByteDance, com mediação de nomes do mercado privado;
- Outubro/novembro: devem ocorrer reuniões técnicas e jurídicas para definir estrutura do conselho americano;
- 16 de dezembro de 2025: prazo final para definição de um acordo que evite o banimento do TikTok.
Caso não haja avanço, a legislação aprovada pelo Congresso entrará em vigor e o TikTok será proibido de operar nos EUA, medida que poderá gerar impactos políticos, econômicos e diplomáticos relevantes.
Imagem: Evan El-Amin/shutterstock.com
