As recentes políticas tarifárias implementadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltam a causar apreensão no comércio global. Um levantamento divulgado na quarta-feira (16) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que a economia norte-americana deve ser a mais impactada negativamente pelas próprias medidas de proteção comercial, com queda prevista de 0,37% no PIB.
PIB dos EUA será mais impactado que Brasil e China com tarifas de Trump, diz CNI
Política tarifária de Trump pode retrair economia global e afetar mais o PIB dos EUA do que o da China e Brasil, segundo estudo da CNI.
Em contraste, a China e o Brasil sofreriam retrações menores, de 0,16% cada. No caso brasileiro, essa redução no crescimento econômico equivale a uma perda estimada de R$ 19,2 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB). O relatório da CNI destaca ainda que os efeitos se espalham por diversos setores produtivos e regiões do país, enquanto o comércio global deve recuar 2,1%, uma retração de US$ 483 bilhões.
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Reação às tarifas de Trump: efeito bumerangue na economia dos EUA
As medidas adotadas por Donald Trump têm como foco a imposição de tarifas elevadas sobre importações, sob a justificativa de proteger a indústria americana e estimular a produção interna. No entanto, os próprios Estados Unidos sentirão um impacto mais profundo, com queda de 0,37% no seu PIB — segundo a CNI, uma consequência direta da elevação dos preços internos e do enfraquecimento das relações comerciais com parceiros estratégicos.
Efeitos no Brasil: prejuízo bilionário nas exportações e produção
Perdas no comércio exterior
Para o Brasil, os efeitos também são significativos, mas menos severos que os observados nos Estados Unidos. A queda nas exportações brasileiras deve atingir R$ 52 bilhões, enquanto as importações devem cair R$ 33 bilhões, refletindo uma desaceleração geral da corrente de comércio.
Setores mais afetados
De acordo com a análise, os segmentos mais prejudicados pela política tarifária norte-americana são os de máquinas agrícolas, equipamentos de transporte e produtos agropecuários, como mostra o quadro abaixo:
- Tratores e máquinas agrícolas:
- Queda de 23,61% nas exportações
- Redução de 1,86% na produção interna
- Aeronaves, embarcações e equipamentos de transporte:
- 22,33% de queda nas exportações
- 9,19% de retração na produção
- Carne de aves:
- 11,31% de queda nas exportações
- 4,18% de redução na produção
Esses dados demonstram que a integração produtiva com os EUA, especialmente nos setores industrial e agropecuário, torna o Brasil vulnerável às mudanças tarifárias impostas de forma unilateral.
Impactos sociais: queda no emprego e perda de renda
Além das perdas econômicas, a CNI projeta efeitos negativos no emprego em diferentes áreas. Os segmentos mais atingidos pela retração econômica, segundo o estudo, são:
- Agropecuária: menos 40 mil postos de trabalho
- Comércio: menos 31 mil empregos
- Indústria: menos 26 mil vagas
Esses números refletem uma cadeia de impactos que começa no recuo da produção e termina na redução do consumo e na retração do mercado interno.
Estados mais prejudicados
Alguns estados brasileiros devem sentir mais intensamente os efeitos das novas tarifas. A análise da CNI aponta que os seguintes entes federativos terão as maiores perdas no PIB:
- São Paulo: -R$ 4,4 bilhões
- Rio Grande do Sul: -R$ 1,9 bilhão
- Paraná: -R$ 1,9 bilhão
- Santa Catarina: -R$ 1,74 bilhão
- Minas Gerais: -R$ 1,66 bilhão
Essas unidades da federação concentram fortes polos industriais e agrícolas, com grande volume de exportações para os Estados Unidos. Como consequência, sentem com mais intensidade os efeitos da política restritiva adotada pela gestão Trump.
Comércio bilateral: interdependência produtiva

A CNI destaca que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada pela complementariedade econômica. Há um fluxo constante de insumos e componentes que circulam entre os dois países, caracterizando uma integração produtiva típica de cadeias globais de valor.
Cadeias integradas
Um exemplo dessa interdependência é o setor aeronáutico, onde componentes produzidos no Brasil são exportados para finalização e montagem em solo norte-americano. O mesmo vale para partes de veículos, máquinas e equipamentos industriais.
Essa dinâmica torna a elevação unilateral de tarifas especialmente danosa, pois interrompe cadeias produtivas, reduzindo a competitividade de ambos os lados.
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Tarifa desproporcional aplicada aos produtos brasileiros
O relatório da CNI também questiona a coerência das tarifas aplicadas pelos EUA contra o Brasil, com destaque para uma tarifa específica de 50% sobre determinados produtos brasileiros, aplicada recentemente.
Comparativo com tarifas brasileiras
De acordo com dados da Receita Federal, em 2023 o Brasil impôs tarifa média de apenas 2,7% sobre os produtos importados dos Estados Unidos. O contraste entre as duas posturas evidencia um desequilíbrio na política comercial bilateral, que poderá agravar tensões diplomáticas e comprometer acordos futuros.
Cenário global: retração de US$ 483 bilhões no comércio
O efeito das medidas tarifárias norte-americanas vai além das fronteiras bilaterais e impacta o fluxo global de comércio, que, segundo a CNI, pode cair 2,1%. Isso representa uma perda de US$ 483 bilhões, valor que reforça o alcance do impacto das decisões de Trump.
Esse cenário de retração preocupa organismos multilaterais, que defendem o fortalecimento do sistema multilateral de comércio como mecanismo de estabilidade e previsibilidade para as economias emergentes e desenvolvidas.
Repercussão internacional: alerta para escalada protecionista

A adoção de políticas comerciais protecionistas tem sido uma marca do governo Trump e acende um alerta para uma possível escalada nas tensões entre grandes potências.
Riscos de guerra comercial ampliada
Se outros países decidirem responder com tarifas retaliatórias, o mundo poderá presenciar um novo ciclo de guerra comercial, nos moldes do que ocorreu entre os EUA e a China no primeiro mandato de Trump. Isso prejudicaria cadeias produtivas globais, aumentaria preços ao consumidor e reduziria investimentos.
Posição da indústria brasileira
A CNI ressalta que o Brasil precisa atuar com firmeza, defendendo seus interesses no cenário internacional. A entidade cobra uma estratégia comercial clara do governo federal, voltada à diversificação de parceiros e ao reforço da inserção do Brasil em acordos multilaterais e regionais.
Imagem: Uuganbayar/ shutterstock.com
