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Trump amplia “taxa das blusinhas” e encarece itens da Shein e Temu nos Estados Unidos

Trump fecha isenção de impostos para Shein e Temu e triplica tarifas de importação. Itens abaixo de US$ 800 agora são taxados em até 90%.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decretou o fim de uma importante isenção fiscal que beneficiava empresas chinesas de comércio eletrônico, como Shein e Temu. A medida, que entra em vigor imediatamente, impõe tarifas que podem chegar a 90% sobre os produtos importados dessas plataformas, mesmo aqueles com valor inferior a US$ 800 — valor até então isento de tributações.

A decisão foi oficializada por meio de uma ordem executiva assinada na última semana e representa um endurecimento na política comercial norte-americana em relação à China. Antes da mudança, encomendas com valores abaixo de US$ 800 podiam entrar nos Estados Unidos sem qualquer tipo de tarifa. Agora, consumidores americanos que compram roupas, acessórios ou eletrônicos vindos da China, via plataformas como Shein e Temu, passarão a arcar com tributos pesados.

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De 30% a 90%: tarifas aumentam em ritmo acelerado

China Trump
Imagem: shutterstock/shutterstock.com

No momento da assinatura da ordem, a Casa Branca havia anunciado que o novo imposto começaria em 30%, com previsão de aumento para 50% a partir de 1º de junho. No entanto, a medida foi rapidamente revisada, e agora prevê tarifas de até 90% — valor que triplica a alíquota inicial. A escalada tarifária gerou preocupações entre consumidores e especialistas, que temem o impacto direto no custo de vida nos Estados Unidos.

Segundo reportagem exclusiva do jornal econômico Axios, o objetivo da medida é proteger os varejistas norte-americanos que, nos últimos anos, enfrentam forte concorrência das plataformas chinesas. Entre os apoiadores do novo imposto está a tradicional rede de moda Forever 21, que atribui à Shein parte da culpa pelo fechamento de lojas em território americano.

“A capacidade de varejistas não americanos de vender seus produtos a preços drasticamente mais baixos para consumidores dos EUA impactou significativamente a capacidade da empresa de manter sua base tradicional de clientes,” afirmou Stephen Coulombe, co-diretor de reestruturação da Forever 21.

Reações divididas: proteção local ou imposto ao consumidor?

Se por um lado os varejistas tradicionais comemoram, por outro, consumidores e analistas criticam a decisão, alegando que ela terá efeito direto no bolso da população. Para muitos, o chamado “tarifaço de Trump” representa, na prática, um aumento de impostos para os próprios americanos, que ficarão limitados nas opções de consumo acessível.

Além disso, espera-se que o tempo de envio dos produtos aumente significativamente, uma vez que a imposição tarifária exigirá novos processos de liberação alfandegária, aumentando a burocracia nas importações.

Nova fase da guerra comercial entre EUA e China

A medida também reacende a já conhecida guerra comercial entre Estados Unidos e China, iniciada durante o primeiro mandato de Trump. Na tarde desta terça-feira (8), a Casa Branca confirmou que as tarifas norte-americanas contra produtos chineses — que já estavam em 54% — subirão para 104% a partir desta quarta-feira (9), como retaliação ao aumento das tarifas chinesas sobre produtos americanos.

Pequim, por sua vez, afirma que “em uma guerra comercial não há vencedores”, mas reitera que não voltará atrás nas decisões. Na última sexta-feira (4), o governo chinês havia anunciado uma tarifa de 34% sobre produtos dos Estados Unidos como resposta ao movimento inicial de Washington. O impasse se intensificou quando Trump ameaçou impor novas tarifas de 50% caso a China não recuasse até esta terça-feira.

“Estamos prontos para responder a qualquer provocação. A China não será intimidada,” declarou um porta-voz do Ministério do Comércio chinês.

Tarifaço global: impacto em mais de 180 países

O episódio marca também um novo capítulo no chamado “tarifaço global” dos Estados Unidos. Desde o dia 2 de abril, o governo Trump anunciou tarifas de importação sobre produtos provenientes de 180 países — afetando diretamente parceiros comerciais importantes.

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A Ásia tem sido o continente mais afetado pelas novas políticas protecionistas. No caso específico da China, a tarifa geral aumentou de 34% para 54%, antes da mais recente escalada para 104%. A justificativa do governo norte-americano é reduzir déficits comerciais e incentivar a produção interna, mas especialistas alertam para os riscos de represálias comerciais e inflação de produtos importados.

Possíveis consequências: economia e diplomacia em xeque

Imagem aproximada do início de tela do aplicativo da Shein
Imagem: PixieMe / shutterstock.com

O endurecimento nas relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo pode gerar impactos relevantes tanto para os mercados quanto para os consumidores. Além do aumento de preços em produtos populares — especialmente no segmento de vestuário e eletrônicos —, há riscos de interrupções em cadeias logísticas globais.

Do ponto de vista diplomático, o atrito entre EUA e China pode dificultar acordos multilaterais e intensificar a polarização econômica mundial. Países da Europa e América Latina acompanham com cautela o desenrolar das decisões de Trump, uma vez que também podem ser atingidos por tarifas personalizadas.


Conclusão: o que esperar daqui para frente?

Com a aplicação das novas tarifas, o governo Trump envia uma mensagem clara de proteção ao mercado interno, ainda que isso implique custos para os consumidores. O fim da isenção de impostos para encomendas de baixo valor representa um marco na política de importação dos EUA, encerrando uma brecha utilizada por gigantes do varejo chinês para conquistar o público americano com preços baixos.

Enquanto defensores da medida argumentam que ela é necessária para equilibrar o jogo e salvar empresas locais, críticos enxergam uma medida populista que penaliza o consumidor comum. Com as tarifas de 104% em vigor e a China disposta a revidar, o cenário aponta para uma escalada de tensões, cujos desdobramentos podem ultrapassar as fronteiras do comércio e influenciar a geopolítica global.

Imagem: Spalnic / shutterstock

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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