O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe nesta quarta-feira (23) o presidente da China, Xi Jinping, em Washington, em uma visita de Estado de três dias que coloca novamente a relação entre as duas maiores economias do mundo no centro da agenda internacional.
O encontro ocorre em um momento de forte disputa comercial e tecnológica entre Washington e Pequim. Tarifas, exportação de minerais estratégicos, inteligência artificial, Taiwan e questões de segurança estão entre os assuntos que cercam a reunião.
Xi chegou aos Estados Unidos nesta quarta-feira e foi recebido por Trump na Joint Base Andrews, em Maryland. A recepção inclui uma programação oficial com cerimônias militares e eventos na Casa Branca.
Embora a agenda tenha forte componente diplomático, os resultados econômicos da reunião interessam diretamente aos mercados globais. China e Estados Unidos exercem influência sobre preços de commodities, cadeias industriais, tecnologia, câmbio e comércio internacional.
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O que Trump e Xi devem discutir?

A pauta do encontro reúne assuntos econômicos e estratégicos que se conectam diretamente. O comércio é um dos principais pontos porque os dois países continuam tentando administrar uma disputa que envolve tarifas e restrições de exportação.
Na véspera da reunião entre os presidentes, os governos deram um passo para reduzir a pressão imediata. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que Estados Unidos e China concordaram em estender por dois meses a trégua comercial que venceria em 10 de novembro, abrindo espaço para negociações de um acordo mais amplo.
A decisão reduz, pelo menos temporariamente, o risco de uma nova escalada tarifária enquanto os dois governos tentam avançar nas negociações.
Terras raras e tecnologia estão no centro da disputa
Os minerais de terras raras são outro tema sensível. Esses materiais são importantes para setores como eletrônicos, veículos elétricos, equipamentos industriais e aplicações de defesa.
A China ocupa posição relevante na cadeia global desses minerais, enquanto os Estados Unidos buscam reduzir sua dependência externa. Por isso, eventuais acordos ou restrições podem produzir efeitos muito além das fronteiras dos dois países.
A tecnologia representa outro campo de competição. Washington mantém controles sobre determinados produtos e tecnologias avançadas, enquanto Pequim procura ampliar sua capacidade doméstica de produção de semicondutores e inteligência artificial.
A inteligência artificial também deverá fazer parte das conversas, especialmente diante da competição entre empresas americanas e chinesas e das discussões sobre segurança e governança da tecnologia.
Taiwan continua sendo um dos assuntos mais delicados
A questão de Taiwan representa um dos principais pontos de divergência política e militar entre Estados Unidos e China.
Pequim considera Taiwan parte de seu território e rejeita iniciativas que possam ampliar a autonomia internacional da ilha. Washington, por sua vez, mantém relações não oficiais com Taiwan e possui compromissos de segurança na região.
Antes da reunião, o embaixador chinês nos Estados Unidos classificou Taiwan e direitos humanos como questões que Pequim considera “linhas vermelhas”.
O tema ganha importância porque qualquer mudança na percepção de risco envolvendo o estreito de Taiwan pode afetar mercados, cadeias de semicondutores e decisões de empresas multinacionais.
O que a reunião pode significar para o Brasil?
Embora o encontro aconteça entre Washington e Pequim, suas consequências podem chegar ao Brasil por diferentes canais.
A China é o principal destino das exportações brasileiras e tem grande importância para produtos como soja, minério de ferro, petróleo e carnes. Os Estados Unidos também estão entre os principais parceiros comerciais do país.
Uma redução das tensões entre as duas potências pode favorecer um ambiente de maior previsibilidade para o comércio internacional. Por outro lado, novas barreiras ou restrições poderiam estimular mudanças nas cadeias de fornecimento e alterar preços de produtos negociados globalmente.
O mercado financeiro brasileiro também pode reagir a mudanças nas expectativas para o dólar e para as commodities. Uma deterioração da relação entre as duas maiores economias pode aumentar a percepção de risco internacional, enquanto avanços comerciais podem produzir o efeito contrário.
Isso não significa que uma decisão tomada em Washington determine automaticamente o comportamento do dólar ou da Bolsa brasileira. Os mercados também são influenciados por juros, inflação, política fiscal, petróleo, conflitos internacionais e decisões de bancos centrais.
Por que o encontro acontece agora?

A reunião ocorre depois de meses de negociações para administrar a relação econômica entre os dois países.
A visita de Xi aos Estados Unidos foi programada para ocorrer entre 23 e 25 de setembro. Segundo o Ministério das Relações Exteriores da China, os dois presidentes deverão discutir as relações bilaterais e questões internacionais relacionadas à paz e ao desenvolvimento. Pequim também afirma que pretende ampliar o diálogo, fortalecer a cooperação e administrar as diferenças entre os países.
A preparação para a cúpula incluiu reuniões entre autoridades econômicas dos dois lados. O acordo para estender a trégua comercial mostra que existe espaço para negociações mesmo diante das divergências.
Ao mesmo tempo, os dois governos continuam mantendo posições distintas em temas estratégicos. O Senado americano, por exemplo, discute medidas relacionadas a veículos chineses justamente durante a visita de Xi, mostrando que as disputas econômicas não estão restritas à negociação entre os presidentes.
Foto: Kenny Holston / POOL / AFP
