Um turista dos Estados Unidos foi vítima de um sofisticado golpe em Londres, quando um homem se passando por motorista de Uber o drogou e roubou o equivalente a R$ 690 mil em criptomoedas.
Turista americano perde R$ 690 mil em criptomoedas com falso motorista de Uber
Turista americano é drogado por falso motorista de Uber em Londres e tem R$ 690 mil em criptomoedas roubados. Entenda como o crime aconteceu e como se proteger.
O caso reacende debates sobre os riscos de ataques físicos para acesso a carteiras digitais e o uso de substâncias como escopolamina para facilitar crimes.
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A vítima: Jacob Irwin-Cline
O americano Jacob Irwin-Cline, de Portland, Oregon, fazia uma curta escala em Londres durante uma viagem internacional. Na noite de 9 de maio de 2025, após sair do clube noturno The Roxy, em Soho, solicitou um Uber pelo aplicativo. Por volta da 1h30 da manhã, um sedã escuro se aproximou.
“Ele sabia meu nome”
Segundo relatório da polícia britânica, o suposto motorista chamou Irwin-Cline pelo nome, o que o fez acreditar que se tratava do carro solicitado. No entanto, o veículo não correspondia à descrição exibida no aplicativo — que indicava um Toyota Prius. Ainda assim, o turista entrou no carro.
Um cigarro, um apagão e o prejuízo milionário
Durante o trajeto, o motorista ofereceu um cigarro. Irwin-Cline hesitou, dizendo que havia parado de fumar, mas acabou aceitando por cortesia. Ele acredita que o cigarro continha escopolamina, uma droga conhecida por induzir estados de consciência parcial, deixando a vítima sugestionável.
Drogado, o americano foi persuadido a revelar o código de acesso do celular e o login para suas carteiras de criptomoedas, incluindo o app Revolut, que armazenava valores em Bitcoin, XRP e outras altcoins. Posteriormente, foi deixado em uma região desconhecida da cidade.
A descoberta do crime
Horas depois, ainda confuso, Irwin-Cline percebeu que havia sido roubado. Câmeras de segurança da boate confirmaram que ele entrou em um carro diferente do exibido no aplicativo. Os criminosos, segundo a investigação, acessaram suas carteiras e transferiram os criptoativos.
Detalhes das perdas: Bitcoin, XRP e mais

Valores subtraídos
- US$ 72 mil (cerca de R$ 405 mil) em XRP
- US$ 50 mil (cerca de R$ 280 mil) em Bitcoin
- Pequenas quantias em outras criptomoedas
O total da perda ultrapassa os US$ 123 mil, segundo estimativas do próprio Irwin-Cline. O valor representa um dos maiores roubos envolvendo criptomoedas a turistas nos últimos anos em solo europeu.
O que é um “wrench attack”?
No jargão da segurança digital, “wrench attack” (ataque com chave inglesa) é a expressão usada quando força física ou intimidação direta são empregadas para forçar o acesso a carteiras de criptomoedas. Trata-se de uma vulnerabilidade pouco discutida: não é a criptografia que é quebrada, mas sim o usuário.
Casos anteriores
O caso de Irwin-Cline não é isolado. Em 2024, um homem foi preso em Scottsdale, Arizona, após se passar por motorista de Uber e roubar mais de US$ 300 mil em criptoativos de vítimas sob efeito de substâncias similares.
Por que criptomoedas são alvos fáceis?

Transações em blockchain são irreversíveis e, muitas vezes, anônimas. Uma vez enviada, a criptomoeda não pode ser recuperada. Isso atrai criminosos que buscam formas rápidas e discretas de obter dinheiro.
Aplicativos como Revolut, Binance e Trust Wallet permitem o acesso rápido a fundos. Se o criminoso consegue desbloquear o telefone e acessar os apps, ele pode transferir os valores em minutos.
Autoridades investigam, mas culpados seguem soltos
A Scotland Yard confirmou que o caso está sendo investigado como roubo qualificado com uso de sedativo. Porém, até o momento, nenhuma prisão foi efetuada. Câmeras de trânsito estão sendo analisadas para rastrear o veículo utilizado.
O FBI foi notificado, já que a vítima é cidadão americana e parte dos fundos poderiam ter sido transferidos para exchanges com sede nos EUA. A colaboração entre polícias de diferentes países será crucial.
O que diz a Uber?
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A Uber declarou que não há indícios de falha na plataforma, e que o passageiro entrou voluntariamente em um veículo não autorizado. A empresa reafirma que motoristas e carros registrados podem ser conferidos no aplicativo e orienta que usuários nunca aceitem corridas fora da plataforma.
Como se proteger de crimes semelhantes
Antes de entrar em um carro
- Confirme modelo, placa e nome do motorista;
- Nunca entre em um carro apenas porque o motorista sabe seu nome;
- Observe se o carro é compatível com o aplicativo.
Durante a corrida
- Não aceite cigarros, bebidas ou alimentos de desconhecidos;
- Ative o compartilhamento de rota com amigos ou familiares;
- Prefira carros com câmeras internas.
Segurança digital
- Use autenticação em dois fatores em todos os apps financeiros;
- Evite armazenar grandes quantias em apps de celular;
- Use carteiras frias (cold wallets) para criptomoedas de longo prazo;
- Nunca digite senhas sob pressão ou sedado.
Repercussão na comunidade cripto
Especialistas alertam que a popularização das criptomoedas exige mais educação sobre segurança. A falta de intermediação é uma vantagem do Bitcoin, mas também uma fraqueza quando o usuário é coagido fisicamente.
Sugestões de melhorias
Desenvolvedores propõem funções como “modo coagir”, que permitiria o acesso a uma conta com saldo falso, ou delays obrigatórios para transferências elevadas.
Conclusão: um alerta para viajantes e investidores
O caso de Jacob Irwin-Cline evidencia a vulnerabilidade física que acompanha o uso de criptomoedas em dispositivos móveis. Mais do que um assalto, trata-se de um ataque sofisticado e planejado, explorando não apenas falhas tecnológicas, mas também comportamentos humanos previsíveis.
Com a adoção crescente de ativos digitais, cresce também a responsabilidade do usuário em proteger suas chaves, dispositivos e, principalmente, sua própria integridade física. O mundo cripto pode ser descentralizado, mas a segurança pessoal segue sendo central.
