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União Europeia anuncia taxa de 2 euros para importados, foco na China

A UE pretende implementar uma taxa de 2 euros sobre pacotes importados de baixo valor, com foco nas remessas vindas da China. Entenda!

Helena SerpaPor Helena Serpa4 min de leitura
Dólar união sistema

A Comissão Europeia apresentou uma nova proposta para enfrentar os desafios logísticos, regulatórios e econômicos trazidos pelo grande volume de importações de baixo valor oriundas de países como a China. A medida prevê a cobrança de uma taxa fixa de 2 euros sobre pacotes importados por consumidores e de 0,50 euro para contribuintes logísticos, com previsão de entrada em vigor nos próximos meses.

Contexto da medida

Várias notas de ouro posicionadas em formato de leque ue
Imagem: VAKS-Stock Agency/ Shutterstock.com

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Aumento exponencial nas importações de baixo valor

Nos últimos anos, o bloco europeu registrou um crescimento sem precedentes no volume de remessas internacionais, em especial da China. Estima-se que mais de 4,6 bilhões de itens de baixo valor sejam importados anualmente para a UE. Só em 2024, mais de 1 bilhão de pacotes chegaram pela Holanda e Bélgica, dois dos principais pontos logísticos do continente.

Preço baixo e concorrência desleal

A proposta surge em meio a crescentes reclamações de varejistas europeus, que alegam estar enfrentando concorrência desleal por parte de plataformas asiáticas, que conseguem oferecer preços reduzidos sem os mesmos encargos regulatórios.

Além disso, o aumento no número de produtos inseguros e falsificados levanta preocupações com a qualidade e segurança dos itens importados. A ausência de fiscalização eficaz em tantos pacotes compromete a integridade do mercado europeu.

Entenda a nova taxa da União Europeia

Como funcionará a cobrança?

A proposta prevê dois tipos de cobrança:

  • Consumidores: pagarão 2 euros por pacote importado de fora da UE, independentemente do valor declarado.
  • Transportadoras e operadores logísticos: arcarão com uma taxa adicional de 0,50 euro por pacote, como compensação pelos custos operacionais gerados ao bloco.

Destinação dos recursos

Parte da arrecadação será destinada a reforçar os serviços alfandegários e de fiscalização, permitindo maior rastreabilidade e controle sanitário sobre os produtos. A outra parte será incorporada ao orçamento geral da União Europeia, como forma de financiamento adicional da máquina pública do bloco.

Impactos econômicos e comerciais

Reação de plataformas e consumidores

Especialistas apontam que a taxação poderá alterar significativamente a dinâmica do comércio eletrônico transfronteiriço. Grandes plataformas asiáticas, como Shein, Temu e AliExpress, que operam com margens baixas e grandes volumes, poderão enfrentar desafios operacionais e comerciais.

Varejistas locais apoiam medida

Representantes do setor varejista em países como Alemanha, França e Itália apoiam a iniciativa. Segundo essas associações, a cobrança ajuda a equilibrar a competição, já que os comerciantes locais precisam cumprir rigorosos requisitos fiscais, ambientais e de qualidade, enquanto muitos concorrentes estrangeiros não estão sujeitos às mesmas exigências.

Segurança e fiscalização sob pressão

Risco crescente de produtos inseguros

O aumento expressivo no número de encomendas internacionais tem elevado o risco de entrada de produtos fora dos padrões exigidos pela União Europeia. Autoridades alertam para a chegada de brinquedos, cosméticos e eletrônicos que podem ser inseguros ou falsificados.

Segundo Maroš Šefčovič, o alto volume representa um desafio inédito para garantir a conformidade com as normas. Já os centros logísticos, especialmente na Bélgica e na Holanda, operam no limite.

O papel da China no comércio com a União Europeia

Bradesco
Imagem: travelstock86 0- freepik

Domínio chinês nas remessas

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De acordo com o Financial Times, 9 em cada 10 pacotes de baixo valor têm origem na China. O país asiático se consolidou como principal fornecedor de produtos de moda, eletrônicos, acessórios e utilidades domésticas para os consumidores europeus.

Essa concentração levanta preocupações geopolíticas e econômicas, com a União Europeia avaliando a necessidade de diversificar sua cadeia de suprimentos e proteger suas indústrias estratégicas.

FAQ — Perguntas frequentes

Como isso afeta o consumidor?

O consumidor europeu pagará 2 euros adicionais por pacote importado. Isso poderá encarecer compras em plataformas da China.

A medida afeta o Brasil?

Não diretamente. No entanto, o Brasil já adota medida semelhante com a chamada “taxa da blusinha”, e o movimento europeu pode influenciar discussões globais sobre regulação de e-commerce.

Quais produtos serão taxados?

Todos os pacotes importados por consumidores, independentemente do conteúdo, desde que sejam considerados de baixo valor — geralmente abaixo de 150 euros.

Considerações finais

A proposta ainda será analisada pelo Parlamento Europeu e pelos Estados-membros, podendo sofrer ajustes antes de sua implementação. Caso aprovada, poderá entrar em vigor a partir do segundo semestre de 2025.

Especialistas defendem a criação de um sistema unificado de rastreabilidade de encomendas, integração de dados alfandegários e maior cooperação com plataformas internacionais, para garantir a eficácia da medida.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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