A Comissão Europeia apresentou uma nova proposta para enfrentar os desafios logísticos, regulatórios e econômicos trazidos pelo grande volume de importações de baixo valor oriundas de países como a China. A medida prevê a cobrança de uma taxa fixa de 2 euros sobre pacotes importados por consumidores e de 0,50 euro para contribuintes logísticos, com previsão de entrada em vigor nos próximos meses.
União Europeia anuncia taxa de 2 euros para importados, foco na China
A UE pretende implementar uma taxa de 2 euros sobre pacotes importados de baixo valor, com foco nas remessas vindas da China. Entenda!
Contexto da medida

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Aumento exponencial nas importações de baixo valor
Nos últimos anos, o bloco europeu registrou um crescimento sem precedentes no volume de remessas internacionais, em especial da China. Estima-se que mais de 4,6 bilhões de itens de baixo valor sejam importados anualmente para a UE. Só em 2024, mais de 1 bilhão de pacotes chegaram pela Holanda e Bélgica, dois dos principais pontos logísticos do continente.
Preço baixo e concorrência desleal
A proposta surge em meio a crescentes reclamações de varejistas europeus, que alegam estar enfrentando concorrência desleal por parte de plataformas asiáticas, que conseguem oferecer preços reduzidos sem os mesmos encargos regulatórios.
Além disso, o aumento no número de produtos inseguros e falsificados levanta preocupações com a qualidade e segurança dos itens importados. A ausência de fiscalização eficaz em tantos pacotes compromete a integridade do mercado europeu.
Entenda a nova taxa da União Europeia
Como funcionará a cobrança?
A proposta prevê dois tipos de cobrança:
- Consumidores: pagarão 2 euros por pacote importado de fora da UE, independentemente do valor declarado.
- Transportadoras e operadores logísticos: arcarão com uma taxa adicional de 0,50 euro por pacote, como compensação pelos custos operacionais gerados ao bloco.
Destinação dos recursos
Parte da arrecadação será destinada a reforçar os serviços alfandegários e de fiscalização, permitindo maior rastreabilidade e controle sanitário sobre os produtos. A outra parte será incorporada ao orçamento geral da União Europeia, como forma de financiamento adicional da máquina pública do bloco.
Impactos econômicos e comerciais
Reação de plataformas e consumidores
Especialistas apontam que a taxação poderá alterar significativamente a dinâmica do comércio eletrônico transfronteiriço. Grandes plataformas asiáticas, como Shein, Temu e AliExpress, que operam com margens baixas e grandes volumes, poderão enfrentar desafios operacionais e comerciais.
Varejistas locais apoiam medida
Representantes do setor varejista em países como Alemanha, França e Itália apoiam a iniciativa. Segundo essas associações, a cobrança ajuda a equilibrar a competição, já que os comerciantes locais precisam cumprir rigorosos requisitos fiscais, ambientais e de qualidade, enquanto muitos concorrentes estrangeiros não estão sujeitos às mesmas exigências.
Segurança e fiscalização sob pressão
Risco crescente de produtos inseguros
O aumento expressivo no número de encomendas internacionais tem elevado o risco de entrada de produtos fora dos padrões exigidos pela União Europeia. Autoridades alertam para a chegada de brinquedos, cosméticos e eletrônicos que podem ser inseguros ou falsificados.
Segundo Maroš Šefčovič, o alto volume representa um desafio inédito para garantir a conformidade com as normas. Já os centros logísticos, especialmente na Bélgica e na Holanda, operam no limite.
O papel da China no comércio com a União Europeia

Domínio chinês nas remessas
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De acordo com o Financial Times, 9 em cada 10 pacotes de baixo valor têm origem na China. O país asiático se consolidou como principal fornecedor de produtos de moda, eletrônicos, acessórios e utilidades domésticas para os consumidores europeus.
Essa concentração levanta preocupações geopolíticas e econômicas, com a União Europeia avaliando a necessidade de diversificar sua cadeia de suprimentos e proteger suas indústrias estratégicas.
FAQ — Perguntas frequentes
Como isso afeta o consumidor?
O consumidor europeu pagará 2 euros adicionais por pacote importado. Isso poderá encarecer compras em plataformas da China.
A medida afeta o Brasil?
Não diretamente. No entanto, o Brasil já adota medida semelhante com a chamada “taxa da blusinha”, e o movimento europeu pode influenciar discussões globais sobre regulação de e-commerce.
Quais produtos serão taxados?
Todos os pacotes importados por consumidores, independentemente do conteúdo, desde que sejam considerados de baixo valor — geralmente abaixo de 150 euros.
Considerações finais
A proposta ainda será analisada pelo Parlamento Europeu e pelos Estados-membros, podendo sofrer ajustes antes de sua implementação. Caso aprovada, poderá entrar em vigor a partir do segundo semestre de 2025.
Especialistas defendem a criação de um sistema unificado de rastreabilidade de encomendas, integração de dados alfandegários e maior cooperação com plataformas internacionais, para garantir a eficácia da medida.
