O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, afirmou na última quarta-feira (17/9) que a União deverá pagar cerca de R$ 100 bilhões em precatórios e requisições de pequeno valor entre 2025 e 2026. Segundo ele, o primeiro semestre do ano registrou o maior número de judicializações da história do país, pressionando ainda mais as contas públicas.
União terá que quitar R$ 100 bilhões em precatórios até 2026
União deve desembolsar R$ 100 bilhões em precatórios até 2026. Veja medidas do governo para reduzir judicialização e garantir sustentabilidade.
“Os precatórios têm, em média, 12 anos de tramitação até a expedição do título. Ou seja, os pagamentos atuais refletem litígios iniciados há mais de uma década, enquanto processos recentes pesarão sobre a União em 2035 ou 2037”, destacou Messias durante o 1º Seminário de Riscos Fiscais.
O governo federal vem adotando medidas estruturantes para enfrentar o crescimento da judicialização, garantindo sustentabilidade fiscal e capacidade de execução de políticas públicas.
Leia mais: Laços: Lula e União Europeia realizam encontro
Conselho de Acompanhamento de Riscos Fiscais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criou o Conselho de Acompanhamento e Monitoramento de Riscos Fiscais Judiciais, integrado pela AGU, Ministério da Fazenda e Ministério do Planejamento e Orçamento.
O objetivo é reduzir a judicialização excessiva contra a União e implementar ações preventivas, em vez de apenas reagir aos litígios.
“Reduzir a judicialização não é apenas proteger números, mas garantir que o Estado cumpra sua missão constitucional diante da população brasileira”, afirmou Messias.
Crescimento da execução fiscal no Brasil
Segundo o ministro, até julho de 2025, 17,8 milhões de execuções fiscais estavam em tramitação. Só no primeiro semestre, 928 mil novos processos foram protocolados, representando 23% do total de ações em andamento na Justiça brasileira.
Essa escalada mostra que o país enfrenta uma judicialização estrutural, com reflexos diretos sobre o orçamento federal. Sem medidas preventivas, o passivo poderá comprometer a capacidade do Estado de implementar políticas públicas de forma sustentável.
Medidas estruturantes do governo
Para enfrentar o acúmulo de processos e reduzir os prejuízos bilionários, o governo federal lançou programas e plataformas estratégicas:
- Coordenação de Prevenção de Litígios (CPL) no INSS: atua na prevenção de conflitos relacionados à previdência
- Plataforma Pacífica: canal de resolução consensual de impasses, evitando a judicialização
- Rede Resolve: estimula soluções consensuais entre órgãos e entidades da administração pública
- Conselho de Riscos Fiscais: acompanha e monitora os passivos judiciais, propondo medidas preventivas
“Conseguimos evitar prejuízos bilionários, garantimos vitórias no STF e STJ, e celebramos acordos extrajudiciais que transformaram passivos em soluções sustentáveis”, disse Messias.
Entre janeiro e agosto de 2025, essas ações resultaram em redução de 18,2% nos litígios registrados pela União, mostrando que a política de prevenção já apresenta resultados concretos.
Impacto dos precatórios no orçamento
O desembolso de R$ 100 bilhões em precatórios até 2026 representa um dos maiores desafios fiscais do país. A média de tramitação de 12 anos significa que decisões judiciais de décadas passadas ainda impactam as contas atuais.
Os efeitos incluem:
- Redução de recursos disponíveis para investimentos públicos
- Pressão sobre a execução de políticas sociais
- Necessidade de gestão eficiente e planejamento fiscal
Especialistas destacam que medidas preventivas, como a Plataforma Pacífica, são fundamentais para reduzir custos futuros e evitar que o problema se agrave nas próximas décadas.
Prevenção versus cultura reativa
Messias enfatizou que a União precisa migrar de uma cultura reativa para uma cultura preventiva, antecipando conflitos e evitando a judicialização.
“Se nada for feito, as próximas gerações herdarão não apenas dívidas, mas também a incapacidade de formular políticas públicas sustentáveis”, alertou o ministro.
Essa mudança envolve:
- Monitoramento constante de processos judiciais
- Acordos extrajudiciais sempre que possível
- Estruturação de mecanismos de prevenção e resolução consensual
O objetivo é garantir eficiência administrativa e fiscal, reduzindo o passivo sem comprometer a Justiça ou os direitos dos cidadãos.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Papel do Conselho e da AGU
O Conselho de Riscos Fiscais, em conjunto com a AGU, supervisiona:
- Avaliação do passivo judicial federal
- Proposição de medidas preventivas para reduzir litígios
- Implementação de plataformas de conciliação e resolução de conflitos
Essa atuação busca equilibrar a proteção fiscal da União com o direito dos cidadãos a receber valores reconhecidos judicialmente.
Resultados e perspectivas

A atuação preventiva já apresentou resultados:
- Redução de 18,2% no número de litígios registrados
- Acordos extrajudiciais transformando passivos em soluções sustentáveis
- Maior eficiência na tramitação de processos e execução de políticas
Para os próximos anos, o desafio será manter o controle do passivo e impedir que novos processos se acumulem de forma insustentável. A perspectiva é que, com medidas estruturadas e planejamento fiscal, a União consiga equilibrar orçamento e judicialização.
Desafios futuros e sustentabilidade fiscal
O país enfrenta a necessidade de políticas públicas estruturantes, que evitem que litígios comprometam o orçamento e o funcionamento do Estado. Entre os desafios estão:
- Crescimento contínuo da judicialização
- Necessidade de conciliação entre interesses públicos e privados
- Gestão fiscal eficiente sem comprometer direitos adquiridos
Especialistas alertam que a adoção de uma cultura preventiva, como promovida pelo Conselho de Riscos Fiscais, será determinante para garantir sustentabilidade financeira e administrativa do Estado.
Com informações de: Metrópoles
