O governo federal anunciou uma nova fase do programa Crédito do Trabalhador, ampliando as possibilidades de acesso ao crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada. A principal mudança é a autorização para que parte do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e das verbas rescisórias possa ser utilizada como garantia na contratação de empréstimos.
Governo regulamenta uso do FGTS no Crédito do Trabalhador
Novo programa permite usar parte do FGTS e verbas rescisórias como garantia em empréstimos, com juros menores.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a medida tem como objetivo aumentar a oferta de crédito, estimular a concorrência entre bancos e reduzir o custo das operações para os trabalhadores.
Com a nova regra, os empréstimos poderão ter juros limitados a até 1,99% ao mês, dependendo das condições da operação e da instituição financeira escolhida.
A utilização dessas garantias, porém, não será obrigatória. O trabalhador continuará tendo autonomia para decidir se deseja utilizá-las e qual percentual pretende comprometer.
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Como funciona o novo crédito com garantia do FGTS?
O programa permite que determinados recursos vinculados ao trabalhador sejam usados como uma espécie de proteção para a instituição financeira.
Na prática, o banco passa a ter uma garantia maior de recebimento, o que pode reduzir o risco da operação e permitir taxas de juros mais competitivas.
Os limites estabelecidos são:
- até 35% das verbas rescisórias;
- até 100% da multa rescisória do FGTS;
- até 10% do saldo do FGTS para trabalhadores que optaram pelo saque-rescisão.
Esses valores não são retirados automaticamente da conta do trabalhador.
Eles funcionam como garantia vinculada ao contrato de crédito.
O trabalhador perde o dinheiro do FGTS ao contratar o empréstimo?
Não.
Uma das principais dúvidas sobre a medida é se o trabalhador terá o saldo do FGTS retirado imediatamente.
Segundo o governo federal, a resposta é não.
O FGTS continua depositado na conta vinculada do trabalhador e só poderá ser utilizado nas situações previstas pela legislação, como:
- demissão sem justa causa;
- outras hipóteses previstas nas regras do Fundo de Garantia.
A nova modalidade não representa um saque automático do FGTS.
Quanto do FGTS pode ser utilizado como garantia?
O percentual permitido depende da situação do trabalhador.
Para quem aderiu ao modelo tradicional de saque-rescisão, poderá ser utilizada uma parcela do saldo do FGTS como garantia da operação.
A regra permite:
- comprometimento de até 10% do saldo disponível;
- utilização integral da multa rescisória do FGTS, quando aplicável.
Já em relação às verbas rescisórias, a garantia pode alcançar até 35% do valor previsto.
Como contratar o Crédito do Trabalhador?
As operações continuam disponíveis pela Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital).
O sistema funciona por meio de uma espécie de comparação de propostas.
O trabalhador solicita o crédito e as instituições financeiras apresentam suas condições, permitindo que o consumidor avalie:
- taxa de juros;
- prazo de pagamento;
- valor liberado;
- condições do contrato.
Depois de comparar as ofertas, o trabalhador decide se deseja contratar.
O modelo busca aumentar o poder de escolha do consumidor e evitar que ele aceite automaticamente a primeira proposta recebida.
Garantia muda conforme o canal de contratação
A cobertura da garantia pode variar dependendo de onde o empréstimo é contratado.
Segundo o governo, existem diferenças entre os canais:
Contratação diretamente pelos bancos
Nos canais das instituições financeiras, as garantias representam até 50% do valor do empréstimo.
Contratação pela Carteira de Trabalho Digital
Nas operações realizadas pela plataforma oficial, a cobertura pode chegar a 100% do valor contratado.
Essa diferença ocorre porque o sistema digital possui integração com informações trabalhistas e permite uma análise mais ampla do vínculo do trabalhador.
Medida pode reduzir juros do crédito consignado?
A expectativa do governo é que sim.
A lógica da mudança é que, ao oferecer uma garantia maior aos bancos, o risco de inadimplência diminui.
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Com menos risco, as instituições podem oferecer taxas menores.
Além disso, a entrada de mais bancos na disputa pelas operações pode aumentar a concorrência e pressionar os juros para baixo.
O governo também avalia que a medida pode ajudar trabalhadores que atualmente recorrem a modalidades de crédito mais caras, como empréstimos pessoais tradicionais.
O que acontece em caso de demissão?
A utilização da garantia está relacionada principalmente aos casos previstos na legislação trabalhista.
Se houver demissão sem justa causa, os recursos vinculados podem ser utilizados conforme as regras estabelecidas para a operação.
No caso das verbas rescisórias, a garantia de até 35% poderá ser executada nas situações previstas, incluindo desligamento sem justa causa ou pedido de demissão pelo trabalhador.
Isso significa que o trabalhador deve analisar com atenção sua capacidade de pagamento antes de contratar.
Próximas etapas do programa
O governo informou que a implementação será feita de forma gradual.
Uma próxima fase deverá permitir:
- refinanciamento de contratos existentes;
- portabilidade de empréstimos;
- utilização das garantias em novas condições de crédito.
A intenção é ampliar o alcance do programa e permitir que trabalhadores consigam melhores condições financeiras ao longo do tempo.
Cuidados antes de contratar o empréstimo
Apesar da possibilidade de juros menores, especialistas recomendam cautela.
Antes de contratar, o trabalhador deve avaliar:
- se realmente precisa do crédito;
- o valor total que será pago ao final;
- impacto das parcelas no orçamento mensal;
- comparação entre diferentes propostas.
Um empréstimo com garantia pode ter custo menor, mas continua sendo uma dívida que precisa ser planejada.
Crédito com FGTS vale a pena?

A resposta depende da situação financeira de cada trabalhador.
Para quem precisa de dinheiro e encontra taxas muito altas em outras modalidades, a nova alternativa pode representar uma oportunidade de reduzir custos.
Por outro lado, comprometer garantias relacionadas ao FGTS e às verbas rescisórias exige planejamento, principalmente para trabalhadores que possuem pouca reserva financeira.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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