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Por que o ouro sobe quando há guerra? Especialistas explicam o fenômeno

Descubra por que o ouro dispara em guerras e como ele protege seu patrimônio em tempos de incerteza. Leia agora!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro6 min de leitura
barras de ouro

Em momentos de tensão geopolítica, conflitos armados e colapsos financeiros, um ativo milenar sempre ressurge com força: o ouro.

Ao longo da história, esse metal precioso tem sido visto como uma fortaleza contra o caos, atraindo investidores e bancos centrais em busca de segurança. Mas o que explica essa valorização tão consistente do minério durante períodos de guerra?

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Ouro como refúgio milenar

investir em ouro
Imagem: Freepik

Segurança reconhecida globalmente

O ouro é aceito em praticamente todos os países e culturas. Independentemente de conflitos religiosos, políticos ou ideológicos, o metal é universalmente reconhecido como um bem valioso. É físico, tangível, durável, não perecível e, mais importante, não depende da solvência de nenhum governo.

Histórico como reserva de valor

A história comprova o papel do metal precioso como reserva de valor. Em tempos de guerra, inflação ou colapso monetário, o ouro preserva o poder de compra enquanto moedas nacionais perdem valor. Desde a Primeira Guerra Mundial, passando pela Segunda e chegando aos conflitos atuais, o padrão se repete.

Conflitos recentes e o impacto direto no minério

Guerra entre Irã, Israel e EUA (2025)

A escalada do conflito no Oriente Médio no primeiro semestre de 2025 elevou o preço do metal precioso em cerca de 1,7%, alcançando US$ 3.452,80 por onça-troy. O medo de um confronto de proporções globais fez o ouro se destacar como alternativa segura frente à instabilidade.

Após o cessar-fogo, o preço caiu para US$ 3.347,45, mostrando como a percepção de risco influencia diretamente a cotação do metal.

Conflito Israel-Hamas (2023)

Em outubro de 2023, a guerra entre Israel e Hamas gerou uma corrida ao minério. O contrato futuro do metal subiu de US$ 1.845,20 para US$ 1.968,30 por onça-troy em apenas duas semanas, um aumento de quase 7%.

Invasão da Ucrânia pela Rússia (2022)

Logo no primeiro dia do conflito, o minério disparou cerca de 15%, atingindo US$ 2.060 por onça-troy. O movimento de alta perdurou, acumulando valorização de quase 12% no ano seguinte, consolidando sua reputação como proteção em tempos sombrios.

Conflitos históricos e o comportamento do ouro

Guerra do Iraque (2003)

A invasão liderada pelos Estados Unidos levou o ouro a ultrapassar os US$ 400 por onça, com valorização de cerca de 27% em um ano. A instabilidade regional e a desvalorização do euro impulsionaram o metal.

Segunda Guerra Mundial

Apesar do preço oficial do minério estar fixado em US$ 35 por onça-troy, o mercado paralelo mostrava uma realidade muito diferente. A busca por ouro era tão intensa que o metal se tornava instrumento de troca para sobrevivência em zonas de guerra.

Primeira Guerra Mundial

A guerra marcou o fim do padrão-ouro como sistema monetário dominante. A impressão desenfreada de papel-moeda gerou hiperinflação e desvalorização das moedas nacionais, fazendo do ativo o último bastião de confiança monetária.

Fatores econômicos que impulsionam o metal precioso

Inflação e deflação

Este minério é visto como proteção contra a inflação. Segundo dados do IPEA, o retorno médio real do metal precioso nos últimos 50 anos foi de 11% ao ano. Quando a inflação sobe, o metal acompanha esse movimento.

Taxas de juros

Taxas de juros reais negativas aumentam a atratividade do ouro, que não paga dividendos. Quando o investidor tem pouco a ganhar com títulos de renda fixa, ele recorre ao ouro como alternativa defensiva.

Dólar americano

Como o ouro é cotado em dólares, há uma correlação inversa entre eles. Um dólar forte tende a pressionar o preço do ouro, enquanto um dólar fraco o impulsiona. Em tempos de guerra, ambos competem como reservas de valor, mas o metal precioso muitas vezes vence pela independência política.

Por que o ouro é considerado um ativo defensivo?

Alta liquidez e aceitação global

Segundo o economista André Perfeito, “todo mundo aceita ouro: árabe, judeu, americano, brasileiro.” Essa liquidez é um trunfo incomparável em momentos de crise, quando é necessário converter ativos rapidamente.

Independência de governos

O ouro não depende da política monetária ou da solvência de um Estado. Enquanto moedas podem ser desvalorizadas ou congeladas, o ouro mantém seu valor por ser neutro.

Bancos centrais e sua obsessão por ouro

Bancos centrais de todo o mundo continuam comprando o metal precioso como forma de proteger suas reservas internacionais. Em 2022, o Banco Central da China comprou cerca de 62 toneladas do metal, enquanto a Índia e a Turquia também aumentaram suas reservas.

Estratégia de proteção

Ao adquirir esse ativo, os bancos centrais diversificam suas reservas e reduzem a dependência do dólar americano. Essa prática ganhou força após as sanções contra a Rússia, que teve ativos congelados em dólares e euros.

Confiança e estabilidade

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Ter ouro em reserva transmite confiança a investidores e mercados. Funciona como um “airbag financeiro” em tempos de crise.

Como investir neste metal precioso no Brasil?

ETFs (Fundos de Índice)

O GOLD11 é o principal ETF de ouro na B3. Com cotas a partir de R$ 19,30 e liquidez diária, é a opção mais prática para o investidor comum.

Fundos de investimento

Fundos especializados aplicam em contratos futuros e oferecem diversificação. A barreira de entrada costuma variar de R$ 100 a R$ 1.000.

Contratos futuros

Indicado para investidores experientes, permite especulação sobre os preços do ouro, mas envolve riscos maiores.

Ações de mineradoras

Oferecem exposição indireta ao ouro, mas estão sujeitas à volatilidade do setor de mineração.

Ouro físico

Ideal para quem busca segurança tangível, mas exige cuidados com armazenamento e custos de custódia.

Benefícios e riscos do investimento

pepita de ouro
Imagem: Roman Bodnarchuk / shutterstock – Edição: Seu Crédito Digital

Benefícios

  • Proteção contra crises e inflação;
  • Diversificação da carteira;
  • Alta liquidez em ETFs e fundos.

Riscos

  • Volatilidade no curto prazo;
  • Custos de armazenagem (ouro físico);
  • Exposição cambial e tributação (ganho de capital de 15%).

Conclusão

A valorização do ouro em tempos de guerra não é apenas tradição: é estratégia racional. Diante do colapso de moedas, instituições e sistemas financeiros, o metal precioso permanece como símbolo de confiança.

Investir no minério, especialmente em cenários geopolíticos instáveis, pode ser uma forma prudente de proteger patrimônio, manter poder de compra e diversificar investimentos.

Imagem: Rost9 / Shutterstock.com

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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