Em momentos de tensão geopolítica, conflitos armados e colapsos financeiros, um ativo milenar sempre ressurge com força: o ouro.
Por que o ouro sobe quando há guerra? Especialistas explicam o fenômeno
Descubra por que o ouro dispara em guerras e como ele protege seu patrimônio em tempos de incerteza. Leia agora!
Ao longo da história, esse metal precioso tem sido visto como uma fortaleza contra o caos, atraindo investidores e bancos centrais em busca de segurança. Mas o que explica essa valorização tão consistente do minério durante períodos de guerra?
Leia mais:
Trump ameaça impor tarifa de 100% à Rússia caso guerra continue
Ouro como refúgio milenar

Segurança reconhecida globalmente
O ouro é aceito em praticamente todos os países e culturas. Independentemente de conflitos religiosos, políticos ou ideológicos, o metal é universalmente reconhecido como um bem valioso. É físico, tangível, durável, não perecível e, mais importante, não depende da solvência de nenhum governo.
Histórico como reserva de valor
A história comprova o papel do metal precioso como reserva de valor. Em tempos de guerra, inflação ou colapso monetário, o ouro preserva o poder de compra enquanto moedas nacionais perdem valor. Desde a Primeira Guerra Mundial, passando pela Segunda e chegando aos conflitos atuais, o padrão se repete.
Conflitos recentes e o impacto direto no minério
Guerra entre Irã, Israel e EUA (2025)
A escalada do conflito no Oriente Médio no primeiro semestre de 2025 elevou o preço do metal precioso em cerca de 1,7%, alcançando US$ 3.452,80 por onça-troy. O medo de um confronto de proporções globais fez o ouro se destacar como alternativa segura frente à instabilidade.
Após o cessar-fogo, o preço caiu para US$ 3.347,45, mostrando como a percepção de risco influencia diretamente a cotação do metal.
Conflito Israel-Hamas (2023)
Em outubro de 2023, a guerra entre Israel e Hamas gerou uma corrida ao minério. O contrato futuro do metal subiu de US$ 1.845,20 para US$ 1.968,30 por onça-troy em apenas duas semanas, um aumento de quase 7%.
Invasão da Ucrânia pela Rússia (2022)
Logo no primeiro dia do conflito, o minério disparou cerca de 15%, atingindo US$ 2.060 por onça-troy. O movimento de alta perdurou, acumulando valorização de quase 12% no ano seguinte, consolidando sua reputação como proteção em tempos sombrios.
Conflitos históricos e o comportamento do ouro
Guerra do Iraque (2003)
A invasão liderada pelos Estados Unidos levou o ouro a ultrapassar os US$ 400 por onça, com valorização de cerca de 27% em um ano. A instabilidade regional e a desvalorização do euro impulsionaram o metal.
Segunda Guerra Mundial
Apesar do preço oficial do minério estar fixado em US$ 35 por onça-troy, o mercado paralelo mostrava uma realidade muito diferente. A busca por ouro era tão intensa que o metal se tornava instrumento de troca para sobrevivência em zonas de guerra.
Primeira Guerra Mundial
A guerra marcou o fim do padrão-ouro como sistema monetário dominante. A impressão desenfreada de papel-moeda gerou hiperinflação e desvalorização das moedas nacionais, fazendo do ativo o último bastião de confiança monetária.
Fatores econômicos que impulsionam o metal precioso
Inflação e deflação
Este minério é visto como proteção contra a inflação. Segundo dados do IPEA, o retorno médio real do metal precioso nos últimos 50 anos foi de 11% ao ano. Quando a inflação sobe, o metal acompanha esse movimento.
Taxas de juros
Taxas de juros reais negativas aumentam a atratividade do ouro, que não paga dividendos. Quando o investidor tem pouco a ganhar com títulos de renda fixa, ele recorre ao ouro como alternativa defensiva.
Dólar americano
Como o ouro é cotado em dólares, há uma correlação inversa entre eles. Um dólar forte tende a pressionar o preço do ouro, enquanto um dólar fraco o impulsiona. Em tempos de guerra, ambos competem como reservas de valor, mas o metal precioso muitas vezes vence pela independência política.
Por que o ouro é considerado um ativo defensivo?
Alta liquidez e aceitação global
Segundo o economista André Perfeito, “todo mundo aceita ouro: árabe, judeu, americano, brasileiro.” Essa liquidez é um trunfo incomparável em momentos de crise, quando é necessário converter ativos rapidamente.
Independência de governos
O ouro não depende da política monetária ou da solvência de um Estado. Enquanto moedas podem ser desvalorizadas ou congeladas, o ouro mantém seu valor por ser neutro.
Bancos centrais e sua obsessão por ouro
Bancos centrais de todo o mundo continuam comprando o metal precioso como forma de proteger suas reservas internacionais. Em 2022, o Banco Central da China comprou cerca de 62 toneladas do metal, enquanto a Índia e a Turquia também aumentaram suas reservas.
Estratégia de proteção
Ao adquirir esse ativo, os bancos centrais diversificam suas reservas e reduzem a dependência do dólar americano. Essa prática ganhou força após as sanções contra a Rússia, que teve ativos congelados em dólares e euros.
Confiança e estabilidade
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Ter ouro em reserva transmite confiança a investidores e mercados. Funciona como um “airbag financeiro” em tempos de crise.
Como investir neste metal precioso no Brasil?
ETFs (Fundos de Índice)
O GOLD11 é o principal ETF de ouro na B3. Com cotas a partir de R$ 19,30 e liquidez diária, é a opção mais prática para o investidor comum.
Fundos de investimento
Fundos especializados aplicam em contratos futuros e oferecem diversificação. A barreira de entrada costuma variar de R$ 100 a R$ 1.000.
Contratos futuros
Indicado para investidores experientes, permite especulação sobre os preços do ouro, mas envolve riscos maiores.
Ações de mineradoras
Oferecem exposição indireta ao ouro, mas estão sujeitas à volatilidade do setor de mineração.
Ouro físico
Ideal para quem busca segurança tangível, mas exige cuidados com armazenamento e custos de custódia.
Benefícios e riscos do investimento

Benefícios
- Proteção contra crises e inflação;
- Diversificação da carteira;
- Alta liquidez em ETFs e fundos.
Riscos
- Volatilidade no curto prazo;
- Custos de armazenagem (ouro físico);
- Exposição cambial e tributação (ganho de capital de 15%).
Conclusão
A valorização do ouro em tempos de guerra não é apenas tradição: é estratégia racional. Diante do colapso de moedas, instituições e sistemas financeiros, o metal precioso permanece como símbolo de confiança.
Investir no minério, especialmente em cenários geopolíticos instáveis, pode ser uma forma prudente de proteger patrimônio, manter poder de compra e diversificar investimentos.
Imagem: Rost9 / Shutterstock.com
