Recentemente, cerca de 20 entidades nacionais de comércio, indústria, consumo e varejo divulgaram um manifesto exigindo a regulamentação da publicidade de apostas eletrônicas e a proibição do uso do cartão de crédito para esse tipo de transação.
Varejo quer que governo regulamente publicidade de bets
Entidades do varejo pedem regulamentação da publicidade de bets e proibição do uso de cartão de crédito
A medida visa abordar as consequências sociais e econômicas crescentes trazidas pelo aumento exponencial do faturamento das apostas, que têm atraído investimentos da população, especialmente das classes mais baixas.
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O Crescimento das Apostas Eletrônicas
Um Mercado em Ascensão
As apostas eletrônicas têm experimentado um crescimento sem precedentes nos últimos anos. Com a facilidade de acesso proporcionada pela tecnologia, milhões de brasileiros têm se engajado nesse mercado.
O aumento das plataformas online e a popularização das apostas esportivas geraram um faturamento elevado, que, segundo as entidades signatárias do manifesto, representa uma ameaça ao bem-estar social.
Consequências para as Classes Mais Baixas
O manifesto destaca que as classes mais baixas são as mais afetadas por esse fenômeno. Estudos indicam que muitos apostadores estão utilizando recursos de programas sociais, como o Bolsa Família, para financiar suas apostas. Isso resulta em uma diminuição no consumo de bens essenciais, como alimentos, o que leva a um ciclo vicioso de dependência e dificuldades financeiras.

O Manifesto e suas Reivindicações
Principais Pontos do Documento
O manifesto das entidades do varejo propõe várias ações, incluindo:
- Regulamentação da Comunicação Publicitária: A necessidade de limitar e regular a forma como as apostas são promovidas é um dos principais focos. As entidades argumentam que a publicidade atual incentiva comportamentos de risco, especialmente entre jovens e populações vulneráveis;
- Proibição do Uso do Cartão de Crédito: A medida busca evitar que apostadores endividados aumentem suas dívidas ao utilizarem cartões de crédito, permitindo que apostem mais do que podem pagar. Embora a legislação aprovada já preveja essa proibição para 2025, o manifesto pede que a implementação ocorra de forma imediata;
- Responsabilidade das Empresas de Apostas: As entidades também pedem que as empresas que operam apostas assumam um papel ativo na mitigação dos problemas de saúde mental associados ao vício em jogos. Isso incluiria a criação de programas de apoio e tratamento para aqueles que desenvolvem comportamentos compulsivos;
- Revisão da Tributação: A proposta inclui uma revisão da legislação tributária para aumentar a carga sobre as empresas de apostas e os apostadores. O objetivo é garantir que uma parte significativa dos lucros seja direcionada para programas de prevenção e tratamento do vício em jogos.
Impacto da Medida
A regulamentação da publicidade e a proibição do uso do cartão de crédito visam não apenas proteger os consumidores, mas também assegurar que as receitas geradas pelas apostas contribuam para o bem-estar da sociedade. As entidades acreditam que essas ações são essenciais para evitar um agravamento da situação financeira das classes mais baixas.
Estudo da Mosaiclab: Uma Visão Abrangente
Dados Relevantes sobre Gastos dos Brasileiros
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Um estudo da Mosaiclab, apresentado durante o Latam Retail Show, trouxe à tona informações cruciais sobre os hábitos de consumo dos brasileiros. De acordo com a pesquisa:
- Gastos com Alimentação: 63% dos entrevistados consideram os gastos com alimentação como os mais pesados em seu orçamento. Essa prioridade se reflete especialmente nas classes D e E, que enfrentam dificuldades financeiras;
- Gastos com Jogos e Apostas: Apesar do crescimento das apostas, apenas 9% dos entrevistados apontaram esse fator como uma pressão significativa em suas finanças. Isso indica que, embora as apostas estejam em ascensão, a prioridade dos consumidores continua sendo a alimentação e os serviços essenciais.
Análise do Comportamento dos Consumidores
A sócia diretora da Mosaiclab, Karen Cavalcanti, enfatiza que a crescente popularidade das apostas não é a única razão para o aperto no consumo das famílias brasileiras. O cenário econômico, marcado pela inflação, afeta principalmente os itens essenciais, enquanto o impacto das apostas é mais notável nas classes com maior renda disponível.

Considerações Finais
A demanda por regulamentação da publicidade de apostas e a proibição do uso do cartão de crédito para essas transações são reflexos de um cenário econômico e social complexo. O manifesto assinado por diversas entidades do varejo revela uma preocupação legítima com as consequências das apostas na vida dos brasileiros, especialmente das classes mais baixas.
À medida que o mercado de apostas continua a se expandir, é fundamental que haja uma discussão aberta e profunda sobre a responsabilidade social das empresas envolvidas, bem como a proteção dos consumidores. A sociedade como um todo deve se mobilizar para garantir que os benefícios econômicos do setor não venham às custas da saúde e do bem-estar dos cidadãos.
Com a crescente pressão por regulamentação, é possível que se inicie um movimento em direção a uma abordagem mais equilibrada e responsável em relação ao fenômeno das apostas eletrônicas no Brasil. A necessidade de ações imediatas e eficazes é evidente, e o futuro do setor depende da disposição das partes envolvidas em trabalhar juntas para o bem comum.
Imagem: Joédson Alves / Agência Brasil
