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Vazamento da Latam expõe dados de clientes; veja como se proteger de golpes

Vazamento da Latam expôs dados pessoais e parte do cartão de clientes. Entenda os riscos e veja como proteger milhas, conta e cartão.

Bruna MachadoPor Bruna Machado··13 min de leitura
latam

Clientes da Latam começaram a ser informados sobre um incidente de segurança que permitiu o acesso indevido a dados pessoais e a informações parciais de cartões de crédito. O problema foi identificado pela companhia em 29 de julho de 2026.

Entre os dados visualizados estão nome completo, data de nascimento, endereço, telefone, e-mail e informações do programa Latam Pass. Também foram expostos os seis primeiros e os quatro últimos dígitos do cartão, a bandeira, o nome do titular e a data de validade.

Segundo a empresa, o número completo do cartão, o código de segurança e as senhas não foram comprometidos. Isso reduz o risco de uma compra direta, mas não elimina o perigo: criminosos podem combinar as informações vazadas para aplicar golpes personalizados e convincentes.

Quem recebeu o comunicado não precisa entrar em pânico nem cancelar tudo imediatamente. O mais importante é conferir movimentações financeiras, reforçar a segurança das contas e desconfiar de qualquer contato que use dados verdadeiros para pedir códigos, senhas ou pagamentos.

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Quais dados foram expostos no vazamento da Latam

Latam
Imagem: Canva

A Latam informou que o incidente envolveu diferentes categorias de informações. Os dados acessados podem variar de um cliente para outro.

Entre os dados cadastrais estão:

  • nome completo;
  • data de nascimento;
  • endereço residencial;
  • número de telefone;
  • endereço de e-mail.

Também foram visualizadas informações relacionadas ao programa de fidelidade:

  • número de associado do Latam Pass;
  • categoria do cliente;
  • saldo de milhas;
  • quantidade de pontos qualificáveis.

No caso dos cartões de crédito, a exposição alcançou:

  • seis primeiros dígitos;
  • quatro últimos dígitos;
  • bandeira do cartão;
  • nome do titular;
  • data de validade.

A empresa afirma que não houve exposição do número completo, do código de segurança — conhecido como CVV — nem das senhas de acesso.

É possível fazer compras apenas com esses dados?

Em uma operação convencional pela internet, normalmente são exigidos o número completo do cartão, a data de validade, o nome do titular e o código de segurança. Como a Latam afirma que o número completo e o CVV não foram expostos, os dados divulgados não deveriam bastar, isoladamente, para uma compra comum.

Os seis primeiros dígitos identificam características como instituição emissora e bandeira. Já os quatro últimos são utilizados por bancos e empresas para ajudar o cliente a reconhecer o cartão cadastrado.

O problema aparece quando essas informações são combinadas com nome, telefone, e-mail, data de nascimento e endereço. Um golpista pode demonstrar conhecimento sobre a vítima e ganhar credibilidade durante uma ligação ou mensagem falsa.

Por isso, o principal risco imediato não é alguém reconstruir facilmente os números que faltam. É o uso dos dados em engenharia social, nome dado às técnicas de manipulação usadas para convencer a vítima a entregar o restante das informações.

Quais golpes podem usar os dados vazados

Uma tentativa de fraude genérica costuma ser fácil de perceber. A situação muda quando o criminoso sabe o nome completo, a data de nascimento, a categoria do Latam Pass e os quatro últimos números do cartão.

Esses detalhes podem fazer a abordagem parecer legítima.

Falsa central da Latam

O golpista pode telefonar ou enviar uma mensagem dizendo que precisa confirmar um acesso suspeito, uma compra de passagem ou uma tentativa de resgate de milhas.

Para conquistar a confiança do cliente, poderá citar informações verdadeiras, como saldo aproximado de pontos, categoria no programa ou final do cartão.

Depois, pedirá senha, código recebido por SMS, número completo do cartão ou instalação de um aplicativo. A Latam afirma que não solicita senhas, tokens ou dados completos de cartão por telefone ou aplicativos de mensagens.

Falso banco ou operadora do cartão

Como os primeiros dígitos podem ajudar a identificar o emissor, o criminoso poderá se apresentar como funcionário do banco correto.

A abordagem pode mencionar o nome do titular, a bandeira e os quatro últimos dígitos. Em seguida, o fraudador dirá que precisa cancelar uma compra ou bloquear o cartão.

Bancos não pedem senha completa, código de segurança, token ou transferência para uma “conta segura”. Se houver dúvida, desligue e procure o telefone oficial impresso no próprio cartão ou disponível no aplicativo bancário.

Phishing por e-mail ou mensagem

Phishing é uma mensagem falsa criada para levar a vítima a uma página fraudulenta. O site pode imitar o visual da companhia aérea, do Latam Pass ou de um banco.

O texto poderá falar em:

  • milhas prestes a vencer;
  • atualização obrigatória do cadastro;
  • emissão de passagem com pontos;
  • cancelamento de voo;
  • reembolso pendente;
  • confirmação do cartão;
  • oferta exclusiva para a categoria do cliente;
  • bloqueio da conta Latam Pass.

Links enviados nessas mensagens podem direcionar a páginas que roubam login, senha e dados bancários.

Tentativa de roubo de milhas

A exposição do saldo não significa que as milhas tenham sido automaticamente transferidas. Ainda assim, saber que uma conta possui uma quantidade relevante de pontos pode ajudar criminosos a selecionar alvos.

O golpista pode tentar obter a senha por uma página falsa, convencer o cliente a informar um código de confirmação ou se passar pela vítima em um atendimento.

Contas de fidelidade merecem proteção semelhante à de aplicativos financeiros, pois os pontos podem ser usados para emitir passagens e outros produtos.

O que fazer após receber o comunicado da Latam

O primeiro passo é confirmar se a mensagem realmente foi enviada pela empresa. Evite clicar em links incluídos no aviso antes de verificar o remetente.

Abra o site ou aplicativo da Latam diretamente, digitando o endereço no navegador ou usando um aplicativo já instalado. Não entre na conta a partir de links enviados por WhatsApp, SMS ou redes sociais.

Depois, adote as seguintes medidas.

Troque senhas repetidas

A Latam declarou que senhas não foram expostas. Portanto, a troca não é uma consequência obrigatória do incidente informado.

Mesmo assim, quem usa a mesma senha no Latam Pass, no e-mail e em outros serviços deve criar combinações diferentes. A reutilização de senha aumenta o risco caso outra plataforma seja comprometida.

A nova senha deve ser longa, exclusiva e difícil de adivinhar. Evite usar nome, aniversário, telefone, número do programa de fidelidade ou combinações simples.

Proteja principalmente o e-mail

O e-mail costuma ser usado para redefinir senhas de companhias aéreas, bancos, lojas e redes sociais. Por isso, a proteção dessa conta é prioritária.

Ative a verificação em duas etapas e confira se o telefone e o endereço de recuperação continuam corretos. Também verifique se foram criadas regras de encaminhamento que você não reconhece.

Se um criminoso controlar o e-mail, poderá tentar redefinir a senha do Latam Pass e ocultar as mensagens de confirmação.

Confira o saldo e o histórico de milhas

Entre na conta pelos canais oficiais e verifique:

  • saldo atual;
  • resgates recentes;
  • emissão de passagens;
  • alterações cadastrais;
  • dados de contato;
  • cartões ou passageiros salvos;
  • movimentações que você não reconhece.

Se encontrar alguma alteração suspeita, registre imagens da tela e entre em contato com a Latam pelos canais oficiais.

Ative alertas no cartão

Habilite notificações para compras no aplicativo do banco. Os alertas permitem identificar rapidamente uma movimentação desconhecida.

Também é recomendável revisar a fatura e os lançamentos ainda não processados. Não observe apenas valores altos: criminosos podem fazer uma compra pequena para testar se o cartão funciona.

Avalie se precisa substituir o cartão

Como o número completo e o código de segurança não teriam sido expostos, não existe indicação de que todos os clientes precisem cancelar o cartão imediatamente.

Quem se sentir inseguro deve procurar o banco emissor, explicar que recebeu uma comunicação de vazamento e pedir uma avaliação. O banco poderá orientar se o bloqueio ou a substituição são necessários.

Se houver compra desconhecida, tentativa de fraude ou contato suspeito mencionando corretamente os dados do cartão, a comunicação com a instituição financeira deve ser imediata.

Uma alternativa para compras futuras é usar cartões virtuais, especialmente aqueles que geram um código de segurança temporário ou podem ser apagados após o uso.

O cartão cadastrado na Latam precisa ser removido?

Remover um cartão salvo pode reduzir sua exposição em transações futuras, mas essa decisão não apaga os dados que já tenham sido visualizados durante o incidente.

Ainda assim, o cliente pode revisar os meios de pagamento cadastrados e excluir cartões antigos ou que não pretende utilizar. Manter apenas as informações necessárias é uma prática de segurança.

Se o cartão já venceu, foi cancelado ou não é mais usado, removê-lo ajuda a organizar a conta. Para novas compras, o cartão virtual pode diminuir o impacto de futuros incidentes.

Por que a Latam comunicou o caso depois

Segundo a companhia, o incidente foi identificado em 29 de julho. A comunicação aos clientes ocorreu posteriormente porque a equipe técnica precisou analisar os registros para determinar quais pessoas e informações haviam sido afetadas.

A Latam informou que bloqueou endereços de IP suspeitos, corrigiu o código-fonte do sistema, adicionou mecanismos de segurança e notificou o caso à Agência Nacional de Proteção de Dados.

Pela regulamentação da ANPD, incidentes que possam causar risco ou dano relevante devem ser comunicados à autoridade e aos titulares no prazo de três dias úteis. A contagem considera o conhecimento de que o incidente afetou dados pessoais e pode gerar risco relevante.

Quando as informações ainda não estão completas, a empresa pode fazer uma comunicação preliminar e complementá-la posteriormente, desde que justifique a necessidade. O regulamento permite complementação fundamentada em até 20 dias úteis.

Somente a ANPD poderá avaliar se a comunicação da Latam ocorreu de acordo com as regras e se as providências adotadas foram suficientes. A existência de um intervalo entre a detecção técnica e o aviso público não comprova, sozinha, descumprimento da LGPD.

As regras estão detalhadas na página oficial da ANPD sobre comunicação de incidentes.

Quais são os direitos dos clientes pela LGPD

A Lei Geral de Proteção de Dados garante ao titular o direito de receber informações claras sobre o tratamento de seus dados.

O cliente pode solicitar à Latam esclarecimentos como:

  • confirmação de que foi afetado;
  • quais dados pessoais foram acessados;
  • data e natureza do incidente;
  • possíveis consequências;
  • medidas adotadas para reduzir os riscos;
  • contato do encarregado de proteção de dados;
  • correção de informações incorretas;
  • eliminação de dados tratados com base em consentimento, quando aplicável;
  • informações sobre compartilhamentos realizados.

Nem todo pedido de exclusão precisa ser atendido integralmente. Alguns dados podem ser mantidos para cumprimento de obrigação legal, execução de contrato, defesa em processos ou outras bases previstas na LGPD.

O cliente deve procurar primeiro o canal de privacidade ou o atendimento da empresa. Se não obtiver resposta adequada, poderá apresentar uma petição de titular à ANPD.

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A Latam deve indenizar os clientes?

O vazamento de dados não gera indenização automática em todos os casos. A responsabilidade dependerá das circunstâncias, das medidas de segurança adotadas, dos riscos envolvidos e da existência de dano material ou moral.

Se houver prejuízo financeiro, fraude, roubo de milhas ou uso indevido da identidade, o cliente deve reunir provas:

  • comunicado recebido;
  • protocolos de atendimento;
  • extratos;
  • faturas;
  • capturas de tela;
  • mensagens fraudulentas;
  • registros de ligações;
  • comprovantes de transferências;
  • boletim de ocorrência, quando necessário.

Esses documentos podem ser importantes para contestar operações e buscar uma solução administrativa ou judicial.

O que fazer se uma fraude já aconteceu

Se houver compra desconhecida no cartão, entre imediatamente em contato com o banco pelo aplicativo ou telefone oficial. Solicite o bloqueio do cartão e a contestação da transação.

Caso alguém tenha acessado o Latam Pass, altere a senha, confira os dados da conta e comunique a companhia. Peça o bloqueio preventivo se houver risco de novas movimentações.

Se o criminoso realizou transferência, Pix ou pagamento, avise a instituição financeira o mais rápido possível. A recuperação não é garantida, mas a rapidez aumenta a possibilidade de bloqueio dos valores.

O CERT.br recomenda registrar boletim de ocorrência principalmente quando houver prejuízo financeiro, extorsão ou uso da identidade da vítima. O documento ajuda a formalizar o caso e pode ser solicitado em contestações.

Como reconhecer uma mensagem realmente enviada pela Latam

Mesmo que o remetente pareça correto, não confie somente no nome exibido. Golpistas conseguem alterar a identificação visual de e-mails e mensagens.

Observe alguns sinais:

  • pedido urgente de senha ou token;
  • ameaça de cancelamento imediato;
  • link encurtado;
  • endereço diferente do domínio oficial;
  • solicitação de pagamento por Pix;
  • pedido para instalar aplicativo;
  • promessa de milhas ou passagens muito abaixo do preço normal;
  • arquivo anexado inesperado;
  • erros de escrita;
  • contato por número pessoal;
  • solicitação do número completo do cartão.

O uso de dados verdadeiros não prova que a mensagem é legítima. Depois de um vazamento, justamente essas informações podem ser usadas para construir a fraude.

A Latam mantém orientações sobre phishing, golpes por telefone e mensagens falsas em sua página de segurança digital.

É preciso ter atenção apenas nos próximos dias?

Não. Dados como nome, endereço, telefone e data de nascimento não vencem rapidamente. Eles podem ser armazenados e usados em tentativas de fraude meses depois.

Por isso, o cliente deve manter os cuidados no longo prazo. Mensagens sobre milhas, viagens e cartões podem aparecer quando o incidente já não estiver mais nas notícias.

Os dados também podem ser combinados com informações obtidas em outros vazamentos. Quanto maior o conjunto reunido pelo criminoso, mais convincente poderá ser a abordagem.

Checklist para clientes afetados

Para facilitar, confira as medidas prioritárias:

  • confirme o comunicado pelos canais oficiais;
  • não clique nos links recebidos;
  • revise sua conta Latam Pass;
  • confira o saldo e o histórico de milhas;
  • crie uma senha exclusiva;
  • proteja o e-mail com verificação em duas etapas;
  • ative notificações do cartão;
  • acompanhe faturas e lançamentos pendentes;
  • desconfie de ligações que citam dados verdadeiros;
  • nunca informe token ou código recebido por SMS;
  • fale com o banco se houver movimentação suspeita;
  • guarde o comunicado e protocolos de atendimento.

O vazamento não significa que todos os clientes sofrerão fraude. No entanto, as informações expostas podem ajudar criminosos a produzir abordagens mais personalizadas. A proteção mais eficaz é interromper o contato e procurar a empresa ou o banco por conta própria, usando apenas canais oficiais.

Perguntas frequentes

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Imagem: Reprodução / LATAM Pass

Quais dados vazaram da Latam?

Foram acessados dados como nome, nascimento, e-mail, telefone, endereço, informações do Latam Pass e partes do cartão de crédito. Os dados afetados podem variar entre os clientes.

O número completo do cartão foi vazado?

Segundo a Latam, não. A exposição atingiu os seis primeiros e os quatro últimos dígitos, além de bandeira, titular e validade. O código de segurança também não teria sido acessado.

Preciso cancelar meu cartão?

Não necessariamente. O cliente deve monitorar a fatura e consultar o banco emissor. Se houver transação desconhecida ou tentativa de fraude, o bloqueio deve ser solicitado imediatamente.

Minha senha da Latam foi exposta?

A empresa afirma que as senhas não foram comprometidas. Mesmo assim, quem reutiliza a mesma senha em diferentes serviços deve criar uma combinação exclusiva.

Minhas milhas foram roubadas?

A exposição do saldo não significa que as milhas tenham sido transferidas. O cliente deve consultar o histórico e comunicar imediatamente qualquer movimentação desconhecida.

A Latam pode pedir código enviado por SMS?

A companhia afirma que não solicita senhas, tokens enviados por SMS ou dados completos de cartão por telefone ou aplicativo de mensagens.

Como confirmar se fui afetado?

O cliente deve conferir o comunicado recebido e procurar a Latam pelos canais oficiais. Também pode solicitar informações sobre os dados pessoais envolvidos.

Posso reclamar na ANPD?

Sim. Primeiro, procure exercer seus direitos diretamente com a empresa. Se não houver resposta adequada, é possível apresentar uma petição de titular ou denúncia à ANPD.

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