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BC confirma vazamento de dados do Pix de 11 milhões de pessoas; acesso às contas está preservado

Maior vazamento da história do Pix expõe dados cadastrais de 11 milhões de pessoas; contas bancárias seguem protegidas, diz Banco Central.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
Pix devolução Banco Central

O Banco Central (BC) confirmou nesta quinta-feira (25) o maior vazamento de dados da história do Pix, sistema de pagamentos instantâneos usado por milhões de brasileiros.

O incidente envolveu informações cadastrais de 11.003.398 pessoas, acessadas de forma indevida por meio do Sisbajud — Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário, operado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

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A extensão do vazamento

Pix vazamento
Imagem: Freepik e Canva

Quase 47 milhões de cadastros acessados no Sisbajud

Apesar de o número de pessoas afetadas ter sido estimado em pouco mais de 11 milhões, o volume de cadastros acessados foi de 46.893.242, o que pode ser explicado pelo fato de um mesmo CPF possuir mais de uma chave Pix vinculada.

Segundo comunicado do CNJ, o acesso não autorizado aconteceu entre os dias 20 e 21 de julho, afetando dados como:

  • Nome completo do titular
  • Tipo de chave Pix (CPF, e-mail, telefone ou aleatória)
  • Nome da instituição bancária
  • Número da agência
  • Número da conta

Essas informações, embora classificadas como dados cadastrais, não permitem movimentações financeiras ou o acesso às contas, conforme assegurou o Banco Central.

O que diz o Banco Central

Transparência, histórico e medidas adotadas

De acordo com o BC, este é o 21º incidente de vazamento de dados ligados ao Pix desde o lançamento do sistema em 2020. Até este episódio, o total acumulado de dados comprometidos somava pouco mais de 1 milhão. O atual incidente sozinho supera esse número em mais de dez vezes, tornando-se o maior da série histórica.

Em nota oficial, o Banco Central declarou que, embora a legislação não exija notificação em casos de baixo impacto potencial, optou por tornar o caso público, reforçando seu compromisso com a transparência. A instituição também informou que todas as medidas de apuração já estão em curso.

O papel do CNJ e as medidas emergenciais

ANPD e Polícia Federal foram acionadas

Responsável pela administração do Sisbajud, o Conselho Nacional de Justiça informou que acionou a Polícia Federal e a ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) para investigar o ocorrido. Segundo o CNJ, foram imediatamente adotadas ações para restringir o acesso ao sistema e reforçar os mecanismos de proteção.

Apesar de não ter sido identificado o uso dos dados vazados para fins fraudulentos até o momento, o CNJ reforça a importância da atenção dos cidadãos a possíveis tentativas de golpes, principalmente os que envolvem engenharia social, como falsas ligações bancárias, e-mails e mensagens de texto.

O Conselho ainda destacou que não utiliza nenhum meio de comunicação direta com os afetados, como SMS ou e-mails, e que um canal exclusivo para consulta dos cidadãos será divulgado em seu site oficial.

Impactos e riscos para os usuários

Bancos cruzam dados do Pix com Receita para combater fraude bc
Imagem: Freepik e Canva

Vazamento não compromete movimentações financeiras

Especialistas em segurança digital afirmam que o vazamento de dados cadastrais, apesar de não permitir acesso direto às contas, pode ser utilizado como base para tentativas de fraudes. O simples conhecimento de informações como nome completo, banco e número da conta pode facilitar ações maliciosas que visam enganar o cidadão e induzi-lo a fornecer dados mais sensíveis.

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O professor de segurança da informação da USP, Fernando Correia, avalia que “embora as informações expostas não sejam sensíveis por si só, elas podem ser combinadas com outras obtidas por meio de engenharia social ou da internet, aumentando o risco para os usuários”.

Recomendações de segurança

Como se proteger após o vazamento

O Banco Central e o CNJ reforçam uma série de práticas que devem ser adotadas para garantir maior proteção contra tentativas de golpes e fraudes:

  • Desconfie de contatos inesperados pedindo confirmação de dados bancários, mesmo que pareçam legítimos.
  • Nunca forneça senhas ou códigos de verificação enviados por SMS, e-mail ou aplicativo.
  • Habilite a verificação em duas etapas em aplicativos bancários e redes sociais.
  • Monitore frequentemente o extrato da sua conta para identificar movimentações suspeitas.
  • Em caso de dúvida, entre em contato direto com o banco pelos canais oficiais.

O que é o Sisbajud e como se relaciona com o Pix

Sistema do Judiciário viabiliza bloqueios judiciais de ativos

O Sisbajud é um sistema utilizado pelo Judiciário para localizar ativos financeiros de pessoas e empresas com dívidas em processos judiciais. Por meio dele, é possível determinar bloqueios de contas e outros bens de forma eletrônica e rápida.

No contexto do vazamento, o acesso indevido ocorreu em consultas feitas dentro desse sistema, que integra informações bancárias para cumprimento de decisões judiciais. O episódio mostra a necessidade de reforço na segurança cibernética de sistemas interligados entre instituições públicas e privadas.

Imagem: rafapress/shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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