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Estudo aponta tendência inesperada na desvalorização dos veículos elétricos

Estudo revela queda menor na valorização de elétricos seminovos, mesmo com cenário econômico instável e crédito restrito no Brasil.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
Estudo aponta tendência inesperada na desvalorização dos veículos elétricos

O setor automotivo brasileiro fechou o primeiro semestre de 2025 com sinais claros de recuperação, mas um dado específico chamou atenção: a desvalorização dos veículos elétricos seminovos tem sido menos intensa do que o esperado. A conclusão vem do estudo AutoAcrefi, elaborado pela Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), em parceria com a Cox Automotive e divulgado pela Bright Consulting.

Os números mostram que foram emplacados 1.129.004 veículos no primeiro semestre, um avanço de 6,7% em comparação ao mesmo período de 2024. Dentro desse cenário, os veículos eletrificados, especialmente os 100% elétricos (BEVs) e híbridos plug-in (PHEVs), ganharam destaque.

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Participação crescente dos eletrificados

A imagem mostra um carro elétrico branco sendo recarregado. Carros Elétricos
Imagem: Mikes-Photography por Pixabay

Em junho, 15.525 veículos eletrificados foram emplacados, número 8% superior ao registrado no mesmo mês de 2024. Apesar de uma leve retração de 6,7% em relação a maio, o dado mais expressivo foi a fatia de mercado conquistada pelos elétricos e híbridos plug-in: mais de 85% das vendas do segmento.

Marcas como BYD e GWM lideraram esse movimento, representando 8,8% do mercado. Modelos como o BYD Dolphin e o Dolphin Mini, conhecidos pela boa autonomia e menor custo de manutenção, se tornaram cada vez mais presentes, especialmente entre motoristas de aplicativo e consumidores da região sul do país, que valorizam eficiência e economia.

Preços e comportamento do consumidor

Segundo o AutoAcrefi, os preços médios dos veículos novos caíram 0,23% em junho, enquanto os seminovos tiveram queda de 0,29%. Já os usados registraram valorização de 0,29%, o que reforça a busca do consumidor por opções mais acessíveis em um ambiente de crédito restrito e taxa Selic elevada, atualmente em 15% ao ano.

A preferência por veículos mais econômicos e com menor custo de manutenção reflete a mudança de perfil do consumidor brasileiro, que se mostra mais racional diante das incertezas econômicas. O aumento das vendas diretas, incluindo frotistas e empresas, é outro indicativo dessa transformação: em junho de 2025, elas representaram 51% das vendas, contra 42,5% em junho de 2024.

“A entrada de novos players, a maior oferta de eletrificados e a força das vendas corporativas têm redesenhado o perfil do consumo no país”, afirma Cintia Falcão, diretora da Acrefi.

Seminovos elétricos: custo-benefício chama atenção

Uma das surpresas do estudo foi a semelhança na taxa de desvalorização entre veículos elétricos e modelos a combustão. Contrariando previsões anteriores de depreciação acelerada, os eletrificados seminovos demonstram melhor relação custo-benefício, especialmente em razão da economia com combustível e da baixa necessidade de manutenção mecânica.

Apesar da preocupação com o custo da bateria, que pode chegar a representar até 50% do valor do veículo, especialistas apontam alta durabilidade desses componentes em modelos recentes. Essa percepção tem aumentado a confiança do consumidor, impulsionando o crescimento do mercado de seminovos elétricos no Brasil.

Regiões com maior adesão e os modelos mais buscados

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Imagem: Showmetech / Shutterstock.com

A região Sul tem sido destaque na adoção de veículos elétricos e híbridos plug-in, motivada tanto pela infraestrutura mais adequada quanto pela presença de consumidores com maior poder aquisitivo. Cidades como Curitiba (PR), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS) lideram o ranking de emplacamentos.

Entre os modelos mais procurados no mercado de seminovos estão:

  • BYD Dolphin
  • GWM Haval H6 PHEV
  • Renault Kwid E-Tech
  • Caoa Chery iCar
  • Volvo XC40 Recharge

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Motos também impulsionam o setor

O bom desempenho do mercado de elétricos não se restringe aos automóveis. As motocicletas também apresentaram crescimento expressivo: no primeiro semestre de 2025, mais de 1 milhão de unidades foram emplacadas, o que representa um aumento de 10,3% em relação a 2024.

Mesmo com uma leve retração de 7,2% em maio, o setor segue aquecido. Marcas como Shineray e Bajaj surpreenderam, com crescimentos de 93,3% e 222%, respectivamente. No segmento das motos elétricas, o avanço foi ainda mais acentuado: 52,5% de crescimento e mais de 5 mil unidades emplacadas.

As fabricantes VMoto, GCX e a própria Shineray lideram os licenciamentos, indicando um novo momento para a mobilidade urbana sustentável no Brasil.

Desafios e perspectivas para o segundo semestre

Apesar dos avanços, o setor automotivo ainda enfrenta desafios estruturais, como a falta de infraestrutura de recarga em diversas regiões do país, os altos custos iniciais dos modelos elétricos e a necessidade de incentivos fiscais mais abrangentes para popularizar a tecnologia.

A tendência, no entanto, é de crescimento sustentado, especialmente à medida que mais marcas internacionais entram no mercado brasileiro com modelos competitivos e parcerias estratégicas com montadoras locais.

Imagem: Freepik

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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