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Venda de remédios em supermercados avança com aprovação no Senado

Senado aprova projeto que permite venda de remédios em supermercados com farmacêutico. Confira regras, limites e impactos na saúde pública.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
Farmácia em Campo Grande é interditada por suposta venda irregular de remédios para emagrecer

A venda de remédios em supermercados recebeu sinal verde na quarta-feira (dia 17) com a aprovação do Projeto de Lei 2.158/2023 pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. Agora, caso não haja requerimento para votação em Plenário, a proposta seguirá diretamente para análise da Câmara dos Deputados.

A medida permite que supermercados instalem farmácias em suas dependências, desde que o espaço seja fisicamente separado dos demais setores e siga todas as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Leia mais: Anvisa: riscos de AVC com remédios para ereção

Principais mudanças do projeto de lei

Remédios genéricos
Imagem: Nudphon Phuengsuwan/shutterstock.com

O projeto, inicialmente proposto pelo senador Efraim Filho (União-PB), previa apenas a venda de medicamentos isentos de prescrição, com a presença de um farmacêutico, presencial ou virtual.

Após três audiências públicas com representantes do setor farmacêutico, o relator senador Humberto Costa (PT-PE) apresentou um substitutivo que alterou profundamente a proposta. Entre as mudanças estão:

  • Obrigatoriedade da presença de farmacêutico durante todo o funcionamento da farmácia.
  • Proibição da venda de medicamentos em bancadas ou gôndolas, fora da área da farmácia.
  • Uso de canais digitais apenas para entrega, respeitando normas sanitárias.
  • Regras específicas para medicamentos controlados, incluindo embalagem lacrada e pagamento antes da entrega.

Segurança sanitária e saúde pública

O relator alertou sobre os riscos do uso de medicamentos sem orientação profissional. Segundo ele, a conveniência da venda em supermercados não pode comprometer a saúde:

  • Erros de dosagem
  • Uso prolongado inadequado
  • Combinações perigosas que levam a intoxicações

Para o senador, a versão aprovada equilibra acesso e segurança, garantindo que a ampliação da conveniência não coloque em risco a saúde pública.

Regras específicas para medicamentos controlados

Medicamentos sujeitos a controle especial terão regras rígidas:

  1. Devem ser pagos antes da entrega.
  2. Transportados até o caixa em embalagens lacradas.
  3. Comercializados somente dentro da farmácia do supermercado, com farmacêutico presente.

O objetivo é impedir que produtos de maior risco circulem de forma inadequada e manter a rastreabilidade.

Impacto para consumidores e supermercados

A aprovação da venda de remédios em supermercados tende a:

  • Ampliar o acesso a medicamentos em regiões com poucas farmácias.
  • Aumentar a comodidade para consumidores que já realizam compras em supermercados.
  • Exigir investimentos em infraestrutura, incluindo área física exclusiva e contratação de farmacêuticos.

Especialistas alertam, porém, que o sucesso da medida depende do cumprimento rigoroso das regras sanitárias.

Reações do setor farmacêutico

O setor farmacêutico recebeu a notícia com cautela. Embora reconheçam a importância de ampliar o acesso, associações reforçam que orientação profissional continua sendo essencial para o uso seguro de medicamentos.

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O substitutivo aprovado, segundo representantes do setor, traz equilíbrio entre conveniência e segurança, garantindo que o consumidor não seja exposto a riscos de automedicação.

Próximos passos na tramitação

Após a aprovação na CAS, o projeto seguirá para a Câmara dos Deputados, a menos que algum senador solicite votação em Plenário.

A expectativa é que a análise siga rapidamente, devido ao consenso sobre a necessidade de modernizar a legislação e facilitar o acesso a medicamentos de venda livre.

Como funcionará na prática

supermercados
Imagem: non c / shutterstock.com

Supermercados interessados em vender medicamentos terão que:

  • Instalar uma farmácia separada do restante do espaço comercial.
  • Manter um farmacêutico de plantão durante todo o horário de funcionamento.
  • Garantir que a entrega digital de medicamentos siga normas da Anvisa.
  • Cumprir regras específicas para remédios controlados, incluindo pagamento antecipado e embalagem lacrada.

Essas medidas visam evitar riscos e garantir segurança ao consumidor.

A aprovação do projeto que permite a venda de remédios em supermercados representa uma mudança significativa na legislação brasileira sobre medicamentos. A medida promete maior acesso e conveniência, mas reforça a importância do controle sanitário e da presença de farmacêutico.

Se aprovada pela Câmara, essa inovação poderá transformar o modelo de comercialização de medicamentos, oferecendo comodidade para os consumidores sem comprometer a saúde pública.

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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