A tentativa de venda da participação da Oi na V.tal chegou a um impasse decisivo nesta semana. Em audiência realizada na 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, credores rejeitaram a única proposta apresentada — de R$ 4,5 bilhões, feita por fundos ligados ao BTG Pactual.
Proposta do BTG Pactual é rejeitada por credores da Oi
Impasse trava venda da V.tal pela Oi. Entenda disputa entre credores e BTG e próximos passos da Justiça.
Sem acordo, o caso agora será decidido pela Justiça, elevando o nível de incerteza sobre um dos ativos mais estratégicos do processo de recuperação judicial da operadora.
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O que está em jogo na venda da V.tal
A negociação envolve a alienação de 26,27% da participação da Oi na V.tal, empresa criada para concentrar a infraestrutura de fibra óptica da operadora. Esse ativo é considerado central para o pagamento de credores e para a reestruturação financeira da companhia.
O ponto crítico da disputa é o valor da proposta.
Diferença entre oferta e preço mínimo
- Oferta do BTG: R$ 4,5 bilhões
- Preço mínimo previsto no plano: R$ 12,3 bilhões
A diferença expressiva foi o principal motivo da rejeição por parte dos credores, especialmente os vinculados à chamada “Opção de Reestruturação I”.
Por que os credores recusaram a proposta
Os credores argumentam que aceitar um valor abaixo do piso estabelecido no plano de recuperação judicial comprometeria a equidade do processo e reduziria significativamente a capacidade de pagamento das dívidas.
A posição foi liderada pelo UMB Bank, representante de parte relevante dos credores, que sustentou:
- Descumprimento do valor mínimo definido
- Necessidade de reabrir negociações
- Defesa da integridade do plano aprovado
Apesar disso, os credores sinalizaram disposição para negociar melhorias na proposta — algo que não avançou.
BTG recusa negociação e mantém proposta
O BTG Pactual optou por não negociar novos termos. O banco defendeu que:
- A oferta está alinhada ao edital
- O pagamento seria integral e à vista
- O modelo garante liquidez imediata
Além disso, afirmou que a destinação dos recursos cabe à Oi e ao juízo responsável, não ao comprador.
Outro ponto relevante foi a negativa sobre um possível IPO da V.tal no curto prazo, hipótese levantada durante a audiência como alternativa de valorização do ativo.
O papel da justiça no desfecho
A audiência foi conduzida pela juíza Simone Gastesi Chevrand, que, diante do impasse, encerrou a sessão e informou que o caso seguirá para decisão judicial.
Segundo a magistrada, trata-se de um processo que envolve:
- Questões jurídicas
- Impactos econômicos
- Consequências sociais
A decisão poderá definir não apenas o futuro da venda, mas também o ritmo da recuperação da Oi.
O que defende a Oi e aliados
Apesar da resistência dos credores, a Oi e sua administração judicial defenderam a aprovação da proposta.
Principais argumentos
- Situação financeira crítica da empresa
- Existência de apenas uma oferta válida
- Pagamento em dinheiro imediato
- Avaliação positiva da consultoria financeira
A consultoria G5 Partners considerou o valor razoável sob o ponto de vista de mercado, reforçando a tese da companhia.
Impacto para credores e trabalhadores
A proposta previa a seguinte divisão estimada:
- Cerca de R$ 2,5 bilhões para credores financeiros
- Restante para quitação de dívidas trabalhistas
Representantes dos trabalhadores apoiaram a venda, destacando a importância do pagamento em dinheiro para garantir liquidez imediata.
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Possíveis cenários a partir do impasse
Com o processo agora nas mãos da Justiça, diferentes caminhos podem ser seguidos:
Homologação da proposta atual
A juíza pode aprovar a venda mesmo com valor abaixo do mínimo, considerando a realidade financeira da empresa.
Reabertura do processo de venda
Outra possibilidade é determinar um novo leilão, permitindo a entrada de novos interessados.
Judicialização prolongada
O conflito entre credores e empresa pode levar a recursos e disputas judiciais mais longas, atrasando a recuperação.
Retirada da proposta
O BTG pode optar por retirar a oferta, o que deixaria o processo sem compradores imediatos.
O que isso significa para o mercado
O impasse evidencia os desafios das grandes recuperações judiciais no Brasil, especialmente em setores intensivos em capital, como telecomunicações.
A venda da participação na V.tal é vista como um dos pilares para:
- Redução do endividamento da Oi
- Reorganização do setor
- Atração de investimentos em infraestrutura digital
Sem essa operação, o processo de recuperação pode enfrentar novos atrasos e incertezas.
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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital
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