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Venezuela reativa isenção de tarifas sobre produtos brasileiros após bloqueio

Após cobrança inesperada de tarifas sobre produtos brasileiros, a Venezuela reativou a isenção prevista em acordo bilateral.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Duas pessoas fazendo aperto de mãos em frente às bandeiras da Venezuela e Brasil

A Venezuela voltou a isentar os produtos brasileiros das tarifas de importação, revertendo uma medida que havia surpreendido empresários e exportadores na última semana. Segundo informações de representantes do setor industrial, o país vizinho voltou a reconhecer os certificados de origem exigidos pelo Acordo de Complementação Econômica firmado com o Brasil.

Tarifa inesperada gerou prejuízos e insegurança jurídica

Bandeira da Venezuela hasteada e céu azul ao fundo.
Imagem: M_Videous/shutterstock.com

Empresários e representantes da indústria brasileira relataram que a Venezuela começou a cobrar tarifas de importação que variavam de 15% a 77% sobre produtos que tradicionalmente estavam isentos. Essa prática contrariava o Acordo de Complementação Econômica nº 69, assinado em 2014 entre os dois países, que prevê a isenção de tarifas sobre quase todo o comércio bilateral de bens com certificado de origem.

Leia mais: Venezuela extingue isenção de tarifas para produtos brasileiros

Exportadores enfrentaram entraves operacionais e financeiros

As exportações do Brasil para a Venezuela, que já enfrentam dificuldades logísticas e cambiais, ficaram ainda mais comprometidas com a imposição das tarifas. Empresários em Roraima, estado que serve como importante corredor comercial para esse fluxo, relataram atrasos nas operações e aumento dos custos operacionais.

De acordo com a Federação das Indústrias do Estado de Roraima (Fier), exportadores brasileiros tiveram cargas retidas ou pagaram tarifas indevidamente, comprometendo margens de lucro e prazos de entrega. O comércio fronteiriço, já fragilizado por sucessivas crises econômicas e políticas nos dois países, sofreu novo abalo.

Falha em sistema

Segundo relatos de despachantes aduaneiros que atuam na fronteira, a cobrança das tarifas teria sido consequência de uma instabilidade nos sistemas de tecnologia da informação (TI) da aduana venezuelana. Os certificados de origem emitidos pelo Brasil não estavam sendo reconhecidos digitalmente, o que acionava automaticamente a cobrança dos tributos.

A reativação do reconhecimento dos certificados e o retorno à isenção ocorreram sem anúncio oficial, mas foram confirmados por empresários que já voltaram a operar normalmente.

Itamaraty acompanha o caso

O Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil em Caracas, acompanhou o caso de perto após ser alertado pelos exportadores sobre o bloqueio tarifário.

Até a tarde de segunda-feira (28), o Itamaraty ainda não havia emitido uma nota oficial sobre a reversão da cobrança das tarifas. Apesar disso, empresários que atuam no comércio bilateral já relataram normalização nas operações, o que indica que a interlocução diplomática pode ter contribuído para a resolução do impasse.

Acordo de 2014 continua em vigor

O Acordo de Complementação Econômica nº 69, firmado no âmbito da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), permanece como base legal para a isenção de tarifas entre Brasil e Venezuela. O acordo abrange uma ampla gama de produtos e é aplicado mediante a apresentação de certificado de origem validado por ambos os países.

Apesar do retorno à normalidade, o episódio trouxe à tona preocupações sobre a confiabilidade dos processos de importação na Venezuela. Empresários avaliam que é necessário reforçar os canais de comunicação entre os dois países para evitar novas surpresas, especialmente em setores dependentes do comércio transfronteiriço.

Tensões comerciais refletem instabilidade institucional

O episódio da cobrança de tarifas expõe não apenas problemas técnicos, mas também uma instabilidade institucional no funcionamento da aduana venezuelana. A ausência de transparência nas decisões e a falta de canais oficiais de comunicação dificultam a previsibilidade para exportadores e importadores.

Analistas destacam que, em contextos de crise econômica prolongada, países como a Venezuela podem recorrer a medidas unilaterais que violam tratados internacionais, muitas vezes com justificativas administrativas. Isso fragiliza o ambiente de negócios e gera obstáculos para o comércio regional.

Relações comerciais seguem frágeis, mas essenciais

Bandeiras do Brasil e Venezuela venezuelanos
Imagem: Aritra Deb/ Shutterstock

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Apesar das dificuldades, a Venezuela continua sendo um mercado estratégico para empresas brasileiras, principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste. Produtos alimentícios, materiais de construção e itens de uso doméstico compõem grande parte das exportações para o país vizinho.

A reativação da isenção de tarifas é vista como uma medida importante para a retomada da confiança entre os parceiros comerciais. Ainda assim, o episódio serve de alerta para a necessidade de maior robustez nos acordos e nos sistemas de fiscalização alfandegária.

Perguntas frequentes (FAQ)

A Venezuela está isentando novamente os produtos brasileiros de tarifas?

Sim. Após um período em que voltou a cobrar tarifas indevidas, a Venezuela reativou a isenção de impostos sobre produtos brasileiros prevista em acordo bilateral.

Houve manifestação oficial do governo brasileiro?

O Ministério das Relações Exteriores confirmou que estava ciente da situação e em contato com o governo venezuelano, mas até o momento não emitiu nota oficial sobre a reversão das tarifas.

Considerações finais

No entanto, o episódio evidencia a necessidade de aprimorar a comunicação e os sistemas tecnológicos envolvidos nas operações alfandegárias, além de fortalecer os canais diplomáticos para garantir previsibilidade e segurança jurídica.

Para o Brasil, especialmente para estados de fronteira como Roraima, o equilíbrio e a estabilidade no comércio com a Venezuela são essenciais para o desenvolvimento regional e para a continuidade do fluxo econômico entre as duas nações.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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