O volume de recursos federais destinados a ações que impactam diretamente a infância e a adolescência no Brasil mais do que dobrou entre 2019 e 2024, conforme levantamento realizado pelo Ipea em parceria com o Unicef. O montante passou de R$ 96 bilhões para R$ 240 bilhões, desconsiderando a inflação. Entretanto, apesar desse crescimento na verba, os investimentos não alcançam 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
Ipea aponta que verba para infância e adolescência cresce, mas não alcança 2,5% do PIB
Ipea revela que verba para infância e adolescência mais que dobraram entre 2019 e 2024, mas ainda representam menos de 2,5% do PIB.
Crescimento nominal e participação no orçamento federal

Além do crescimento absoluto, a proporção desses investimentos em relação ao orçamento total da União também aumentou, subindo de 3,36% para 4,91% no período analisado. Apesar disso, o valor destinado ainda é limitado frente às necessidades da população infantojuvenil, que representa cerca de 24% da população brasileira, com aproximadamente 48,7 milhões de crianças e adolescentes, segundo o Censo de 2022.
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Investimento per capita ainda insuficiente para cobrir necessidades básicas
Ao dividir o montante total pelo número de crianças e adolescentes no país, o valor médio por pessoa é de aproximadamente R$ 5 mil ao ano, ou R$ 420 por mês. Esse valor não é suficiente para cobrir despesas essenciais ao desenvolvimento infantil, como saúde e educação.
Áreas contempladas no financiamento federal para infância e adolescência
Políticas públicas de transferência de renda
A maior parcela dos recursos está concentrada em programas de transferência de renda, destacando-se o Bolsa Família, que passou de R$ 54 bilhões em 2021 para R$ 159 bilhões em 2023. Cerca de 32,4 milhões de crianças e adolescentes são beneficiados diretamente por essas iniciativas, que têm papel fundamental no combate à pobreza.
Educação como segundo maior investimento
A educação tornou-se a principal área de investimento específico para infância e adolescência, com 84,9% dos recursos voltados a ações como escolas e programas educacionais.
Saúde, saneamento, habitação e proteção social
Essas políticas, apesar de não serem exclusivamente destinadas ao público infantojuvenil, tiveram seus recursos ponderados para estimar a parcela efetivamente destinada a crianças e adolescentes.
Desafios para o financiamento das políticas de infância e adolescência
O equilíbrio entre o ajuste fiscal e a proteção dos recursos destinados à infância é um desafio que exige atenção das autoridades.
Os valores atualmente investidos ainda são insuficientes para garantir serviços públicos de qualidade e abrangentes que atendam às múltiplas dimensões da proteção e do desenvolvimento da criança e do adolescente. O financiamento precisa ser ampliado e melhor direcionado para assegurar acesso à saúde, educação, proteção social e demais direitos.
Contexto socioeconômico e importância dos investimentos na infância

Consequências da subfinanciamento
Recursos insuficientes ou mal aplicados comprometem o acesso de crianças e adolescentes, especialmente os mais vulneráveis, a serviços essenciais que garantem sua sobrevivência, aprendizagem, proteção contra violência, vida em ambientes seguros e oportunidades futuras.
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FAQ – Perguntas frequentes
Quais programas concentraram a maior parte dos recursos?
O Bolsa Família foi o principal destino dos investimentos, seguido por ações na área de educação.
O que pode ser feito para melhorar o financiamento dessas políticas?
Ampliar os recursos, melhorar o direcionamento e garantir que ajustes fiscais não comprometam os investimentos sociais.
Como as restrições fiscais impactam esses investimentos?
As regras do arcabouço fiscal e medidas de contenção de gastos limitam a expansão do orçamento para políticas sociais, o que pode comprometer a continuidade e a qualidade dos serviços voltados à infância.
Considerações finais
Apesar do crescimento expressivo dos recursos destinados à infância e adolescência no Brasil entre 2019 e 2024, o volume ainda está aquém do ideal, representando menos de 2,5% do PIB. A concentração dos investimentos em programas de transferência de renda e educação é positiva, porém os desafios persistem quanto à amplitude, qualidade e perenidade das políticas públicas. O equilíbrio entre ajustes fiscais e proteção social é crucial para garantir direitos fundamentais à população infantojuvenil.
