A gigante mundial dos pagamentos acaba de anunciar uma mudança profunda em seu posicionamento global para os próximos anos. Após registrar um crescimento expressivo de 22% no volume de pagamentos domésticos e 26% em transações internacionais durante o ano de 2025, a Visa confirmou que a inteligência artificial será o motor de suas operações em 2026.
Estratégia da Visa coloca IA no centro das decisões
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Essa movimentação estratégica visa consolidar a empresa não apenas como uma bandeira de cartões, mas como uma plataforma de tecnologia robusta e integrada. A meta é oferecer soluções que acompanhem toda a jornada do consumidor e do empreendedor, garantindo que a tecnologia atue desde a segurança das transações até a gestão financeira complexa de pequenos negócios.
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O novo posicionamento de mercado da companhia
Durante uma coletiva de imprensa realizada recentemente em São Paulo, o presidente da Visa Brasil, Rodrigo Cury, destacou que a organização opera hoje mais de 230 soluções distintas. Muitas dessas inovações funcionam de maneira independente da bandeira tradicional, alcançando sistemas modernos como o Pix, Open Finance e até o uso de stablecoins em larga escala.
O executivo reforçou que o Brasil representa um dos cenários mais férteis para o desenvolvimento dessas novas aplicações tecnológicas no mundo. Isso ocorre devido ao alto índice de digitalização da população brasileira e à competitividade acirrada entre bancos tradicionais e as dinâmicas fintechs que operam no território nacional.
A importância estratégica do Brasil no cenário global
A filial brasileira é vista pela matriz como um mercado prioritário dentro da América Latina por possuir um sistema de pagamento considerado um dos mais avançados globalmente. Rodrigo Cury pontuou que a velocidade com que o brasileiro adota novas ferramentas facilita a implementação de projetos baseados em inteligência artificial generativa.
Essa capacidade de adaptação do mercado local permite que a empresa utilize o país como um laboratório para soluções de segurança e eficiência operacional. O objetivo central é reduzir o atrito nas transações, permitindo que o dinheiro circule de forma mais fluida e protegida contra as ameaças cibernéticas que evoluem constantemente.
O foco total nas pequenas e médias empresas
Um dos pilares mais importantes dessa nova fase da empresa está voltado diretamente para as pequenas e médias empresas, as famosas PMEs. Como esse segmento representa mais de 90% das companhias no país e contribui com cerca de 27% do PIB nacional, a Visa enxerga uma oportunidade de expansão sem precedentes.
Segundo Marcela Pinori, vice-presidente da área de PMEs, o potencial de crescimento é vasto, visto que o uso de cartões ainda representa apenas 2% do volume de pagamentos B2B. A estratégia consiste em converter processos manuais e analógicos em fluxos digitais eficientes, utilizando a credibilidade da marca para atrair esses empreendedores.
Desafios enfrentados pelos empreendedores brasileiros
Para entender melhor as necessidades desse público, a companhia realizou uma pesquisa abrangente com mais de 2 mil empresas em todo o território. Os dados revelaram que uma parcela significativa das PMEs enfrenta sérias dificuldades para obter crédito e gerenciar o fluxo de caixa cotidiano.
Os números mostram que 44% dos entrevistados possuem dificuldade na gestão financeira e 43% já tiveram pedidos de crédito negados por instituições bancárias tradicionais. Diante disso, a Visa busca se posicionar como o elo que facilita o acesso ao capital e organiza a vida administrativa desses estabelecimentos.
IA como o braço direito do gestor financeiro
A proposta da executiva Marcela Pinori é transformar a inteligência artificial em um verdadeiro assistente financeiro capaz de traduzir dados brutos em decisões estratégicas. Através do processamento de informações via Open Finance, a ferramenta consegue prever momentos de falta de caixa e sugerir ajustes imediatos para manter a saúde do negócio.
Essa automação é fundamental para livrar o dono do pequeno negócio do antigo método de anotações manuais, garantindo maior precisão e tempo para focar nas vendas. A tecnologia permite que o empreendedor saiba exatamente quanto sobra no final do mês e quais são os gastos que podem ser reduzidos sem comprometer a operação da loja.
A tecnologia Tap to Phone e a democratização das vendas
Uma das soluções que mais tem ganhado tração é o Tap to Phone, sistema que transforma qualquer celular comum em uma máquina de cartões. O Brasil já ocupa o posto de segundo maior mercado do mundo em volume de transações por essa modalidade, perdendo apenas para os Estados Unidos em escala global.
Essa ferramenta permite que vendedores informais e pequenos comerciantes aceitem pagamentos por aproximação sem a necessidade de alugar equipamentos caros. A digitalização do recebimento é o primeiro passo para que esses negócios entrem no ecossistema de dados da Visa, permitindo análises futuras de crédito.
Redução de custos operacionais e parcerias estratégicas
Além de facilitar as vendas, a estratégia para 2026 inclui a criação de um marketplace exclusivo de benefícios empresariais focado em custos fixos. Uma das parcerias de maior destaque é com a Serena Energia, que possibilita uma economia de até 30% na conta de luz dos pequenos estabelecimentos comerciais.
Organizar as despesas fixas é uma das maiores dores relatadas pelos empresários no levantamento realizado pela companhia. Ao oferecer descontos em energia e softwares de gestão, a empresa fortalece o vínculo com o cliente e garante que ele tenha mais fôlego financeiro para investir em sua própria expansão.
Inovação na segurança e o combate às fraudes modernas
Se a tecnologia facilita a vida dos bons usuários, ela também é utilizada por criminosos para sofisticar ataques financeiros. O responsável por soluções digitais, Leandro Garcia, alertou para o aumento global de invasões iniciadas por bots e agentes automatizados que buscam vulnerabilidades nos sistemas.
A engenharia social, potencializada pela IA generativa, permite que golpistas criem vozes sintetizadas e conversas extremamente naturais para enganar as vítimas. Para combater essa ameaça, a Visa utiliza a mesma tecnologia de ponta para identificar padrões suspeitos e bloquear tentativas de fraude em milissegundos.
Proteção avançada para o sistema Pix
A atuação da empresa já não se limita apenas aos trilhos dos cartões, expandindo-se agora para a análise de risco dentro do sistema Pix. Em testes recentes com grandes bancos brasileiros, a solução de segurança da companhia conseguiu atingir um índice de 82% de detecção de fraudes em transações reais.
Essa ferramenta analisa o comportamento de quem envia e de quem recebe o dinheiro, ajudando a identificar as chamadas contas laranja. Ao monitorar transações que somam centenas de milhões de reais, a Visa demonstra que sua inteligência de dados é agnóstica ao meio de pagamento utilizado pelo consumidor final.
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O futuro do comércio com o Agent E-Commerce
Uma das apostas mais disruptivas mencionadas para o horizonte de 2026 é a jornada de compra conduzida por agentes autônomos de IA. No modelo de Agent E-Commerce, o consumidor não precisará mais navegar por dezenas de sites para comparar preços e prazos de entrega de um produto.
O assistente virtual fará todo o trabalho de pesquisa, filtragem e até a execução do pagamento final, sob supervisão do usuário. Essa evolução promete reduzir drasticamente o tempo gasto em tarefas burocráticas, tornando a experiência de consumo muito mais fluida e personalizada para cada perfil de cliente.
Expansão para o mercado de alta renda e luxo
Apesar do foco massivo em PMEs, a companhia não deixou de lado o segmento de alta renda, lançando o produto Visa Privilege. Este novo cartão é voltado para a camada superior da pirâmide social, oferecendo serviços que vão muito além dos simples limites de crédito elevados ou acúmulo de milhas.
O pacote inclui benefícios exclusivos como transfer de helicóptero, gerenciamento de estilo de vida para viagens de luxo e recepção personalizada em aeroportos internacionais. Segundo Rodrigo Cury, a adesão a esse novo produto superou as expectativas iniciais, mostrando que há um apetite voraz por serviços de hiper personalização.
Integração com criptomoedas e contas globais
Para o próximo ano, a Visa também prepara o lançamento de uma plataforma de contas globais que permitirá transacionar em até 31 moedas diferentes. Além disso, a integração com o universo das criptomoedas será aprofundada, permitindo que pagamentos em ativos digitais sejam feitos com a mesma facilidade de uma moeda fiduciária.
Essa versatilidade é essencial para profissionais que trabalham de forma remota para o exterior e precisam de agilidade na conversão de valores. A ideia é que o usuário tenha em um único ecossistema todas as ferramentas necessárias para gerir seu patrimônio global com máxima segurança.
O papel do Open Finance na democratização do crédito
O Open Finance desempenha um papel crucial na estratégia de concessão de crédito da empresa para os próximos ciclos. Ao conectar dados de diferentes contas e pagamentos, a inteligência da Visa consegue criar um perfil muito mais fiel da capacidade financeira de um indivíduo ou empresa.
Isso permite que pessoas que antes eram ignoradas pelo sistema financeiro tradicional passem a ter acesso a produtos adequados ao seu perfil. A transparência de dados, aliada aos modelos preditivos de IA, garante que o risco seja calculado com precisão, beneficiando tanto o emissor quanto o tomador do crédito.
Como vimos ao longo deste panorama detalhado, a estratégia da Visa para 2026 representa uma quebra de paradigma no setor financeiro global. Ao colocar a inteligência artificial no centro de cada decisão, a companhia deixa de ser apenas uma facilitadora de pagamentos para se tornar uma aliada indispensável na gestão de vida de milhões de pessoas e empresas. A aposta no mercado brasileiro como polo de inovação reforça a confiança na digitalização da nossa economia e na capacidade técnica das nossas instituições.
Com soluções que protegem contra fraudes sofisticadas e ferramentas que automatizam o crescimento de pequenos negócios, o futuro dos pagamentos parece estar cada vez mais integrado, invisível e focado na experiência humana. O sucesso dessa jornada dependerá da continuidade dos investimentos em infraestrutura tecnológica e da manutenção da confiança dos consumidores em um mundo cada vez mais mediado por algoritmos inteligentes.
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