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Novo caminho para os EUA: visto EB-2 abre portas para sommeliers e tatuadores!

Profissões criativas como sommeliers e tatuadores agora encontram no visto EB-2 uma nova porta para o Green Card nos Estados Unidos.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
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O mercado norte-americano, especialmente o setor de vinhos e gastronomia, está criando novas oportunidades para profissionais brasileiros com carreiras pouco convencionais.

Sommeliers e tatuadores, antes vistos como especialistas restritos a nichos específicos, agora podem se enquadrar nas exigências do visto EB-2, uma categoria destinada a estrangeiros com habilidades excepcionais em suas áreas de atuação.

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O crescimento do mercado de vinhos nos Estados Unidos

Taxa visto americano
Imagem: Freepik

De acordo com o Wine Institute, o consumo de vinhos nos Estados Unidos ultrapassou 33 bilhões de dólares em 2023, consolidando o país como o maior mercado consumidor do mundo. O aumento da demanda por rótulos importados e experiências gastronômicas sofisticadas impulsiona a busca por profissionais capazes de traduzir cultura, técnica e estratégia comercial — papel essencial desempenhado pelos sommeliers.

A função, antes restrita a restaurantes de luxo, se expandiu para consultorias, importadoras e escolas especializadas. A presença de sommeliers qualificados tem sido determinante na valorização de vinhos de diferentes origens, inclusive brasileiros, dentro do mercado americano.

EB-2: o visto que transforma carreira em residência permanente

O visto EB-2, concedido pelo governo dos Estados Unidos, é voltado a profissionais com formação avançada ou habilidades excepcionais em setores que tragam benefício nacional ao país. Embora tradicionalmente associado a engenheiros, pesquisadores e profissionais de tecnologia, o programa passou a admitir candidatos de áreas criativas, desde que comprovem excelência e relevância comprovadas.

Segundo o advogado Daniel Toledo, especialista em Direito Internacional e professor honorário da Universidade de Oxford, é possível para um sommelier ou tatuador pleitear o EB-2, desde que apresentem provas sólidas de destaque na profissão.

“Um sommelier premiado, com reconhecimento internacional ou experiência em restaurantes de renome, pode comprovar que seu trabalho atende a uma necessidade específica do mercado americano. O mesmo raciocínio vale para tatuadores, paisagistas e outros profissionais de áreas não tradicionais”, explica Toledo.

O que é preciso comprovar para obter o visto EB-2

Dossiê completo e reconhecimento profissional

O caminho até o Green Card via EB-2 exige um dossiê robusto, com documentos que evidenciem a trajetória profissional e o impacto da atuação. Entre os materiais mais relevantes estão:

  • Certificados e premiações em concursos nacionais ou internacionais;
  • Reportagens, publicações e entrevistas que destaquem o trabalho;
  • Cartas de recomendação de especialistas ou instituições reconhecidas;
  • Histórico profissional detalhado, comprovando experiência e resultados.

“Não basta exercer a profissão”, alerta Toledo. “É fundamental demonstrar como a atuação contribui de forma concreta para os Estados Unidos. Sem essa correlação direta, o risco de negativa é alto.”

Como se destacar entre profissionais locais

O desafio principal para os brasileiros está em comprovar diferenciais competitivos frente à mão de obra americana. Para sommeliers, por exemplo, isso pode significar especialização em vinhos brasileiros, em harmonizações tropicais ou em metodologias de ensino inovadoras.

“O governo americano busca profissionais que tragam algo novo ao mercado. Um sommelier que promova vinhos de origem brasileira ou um tatuador com estilo artístico único pode ter grandes chances de aprovação”, explica o advogado.

O aumento da procura pelo EB-2 entre brasileiros

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Imagem: Andrey_Popov / Shutterstock

Os números comprovam o interesse crescente. Em 2023, 7.800 brasileiros obtiveram o visto EB-2, segundo o Departamento de Estado dos EUA — quase quatro vezes mais do que em 2019. A tendência reflete o desejo de profissionais qualificados em migrar legalmente, com estabilidade e possibilidade de residência permanente.

No entanto, o índice de aprovação ainda é um obstáculo. Apenas 57,4% dos pedidos brasileiros foram aceitos em 2023, bem abaixo da média global, superior a 80%. O principal motivo, segundo Toledo, está na falta de orientação jurídica adequada.

“Um erro na escolha dos documentos ou na construção do argumento pode comprometer todo o processo. A análise do USCIS (Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA) é técnica e criteriosa. Cada detalhe conta”, ressalta o especialista.

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Quando o talento se torna um diferencial estratégico

Profissões criativas estão cada vez mais valorizadas no cenário migratório americano. A ascensão cultural da tatuagem e a expansão do mercado de vinhos criam um terreno fértil para talentos brasileiros que aliam técnica e inovação.

Nos Estados Unidos, tatuadores de renome já são vistos como artistas visuais e empreendedores. Aqueles que desenvolvem técnicas próprias, têm presença em eventos internacionais ou colaboram com marcas e estúdios de referência podem se enquadrar nas exigências do EB-2.

Da mesma forma, sommeliers com histórico em competições ou com atuação reconhecida por associações internacionais de vinhos têm espaço crescente em consultorias e escolas americanas.

A importância de um planejamento estratégico

Para Daniel Toledo, o sucesso no processo depende de três pilares fundamentais: planejamento, documentação e assessoria. Ele recomenda que o candidato inicie a preparação com antecedência, reúna provas de relevância e conte com profissionais especializados em direito migratório.

“O EB-2 é uma excelente oportunidade, mas requer cuidado e consistência. Quando bem estruturado, o processo transforma carreiras e abre portas para uma vida estável nos Estados Unidos”, conclui Toledo.

Um novo horizonte para talentos brasileiros

A abertura do visto EB-2 a profissões criativas como sommeliers, tatuadores e paisagistas representa uma mudança significativa na forma como o governo americano enxerga o conceito de “habilidade excepcional”. Mais do que diplomas, o que se valoriza é a capacidade de gerar impacto, inovar e contribuir para o desenvolvimento cultural e econômico do país.

Para muitos brasileiros, essa pode ser a chance de transformar talento em cidadania, e o dom artístico em uma nova vida além das fronteiras.

Imagem: ArtWell / shutterstock – Edição: Seu Crédito Digital

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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