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Vivo compra FiBrasil por R$ 850 milhões e assume controle da empresa

Vivo adquire 50% da FiBrasil por R$ 850 milhões e assume controle da rede neutra. Operação ainda depende de aprovação do Cade e da Anatel.

Bianca BorgesPor Bianca Borges7 min de leitura
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A Telefônica Brasil, mais conhecida comercialmente como Vivo, anunciou nesta quinta-feira, 10 de julho de 2025, a aquisição de 50% da FiBrasil Infraestrutura e Fibra Ótica S.A., por R$ 850 milhões, consolidando o controle acionário da rede neutra criada em 2021.

Com o negócio, a participação da Vivo na empresa salta de 25% para 75%, restando os outros 25% sob domínio da Telefónica Infra, braço global de infraestrutura do grupo espanhol.

O acordo marca uma nova fase para a operadora no mercado de infraestrutura digital e fibra ótica no Brasil.

A operação ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), mas deverá tramitar sob rito sumário, por se tratar de aquisição adicional em uma sociedade já analisada pelos órgãos reguladores.

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Detalhes da transação: valor, pagamento e estrutura

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Imagem: rafapress / Shutterstock.com

Compra será realizada à vista com recursos próprios

O valor total da operação será de R$ 850 milhões, pagos em parcela única no fechamento da transação, que deve ocorrer após a aprovação dos reguladores. O contrato prevê correção monetária sobre o montante, considerando o intervalo entre assinatura e fechamento.

Segundo comunicado oficial enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a aquisição será quitada com caixa próprio da Vivo, sem necessidade de financiamento externo.

A empresa não especificou o impacto da transação sobre seu endividamento líquido, mas a sinalização de uso de recursos próprios indica solidez financeira e confiança no retorno estratégico do investimento.

O que é a FiBrasil e qual sua relevância estratégica

Origem e expansão da rede neutra

Criada em 2021, a FiBrasil surgiu como uma joint venture entre a Telefónica Infra, a Vivo e o fundo canadense CDPQ (Caisse de Dépôt et Placement du Québec), com o objetivo de acelerar a expansão da infraestrutura de rede neutra de fibra ótica no Brasil.

Na ocasião, o fundo canadense aportou cerca de R$ 1,8 bilhão no projeto.

A empresa encerrou 2024 com 4,6 milhões de “homes passed” (HPs) — ou seja, residências aptas a receber conexão — distribuídas em 151 cidades brasileiras, oferecendo capacidade de rede para provedores independentes e operadoras em todo o país.

A rede neutra permite que diferentes empresas usem a mesma infraestrutura de fibra, reduzindo a necessidade de investimentos duplicados em áreas com demanda crescente por conectividade de qualidade.

Esse modelo ganha força especialmente em municípios de médio porte, onde o custo-benefício da rede compartilhada é mais evidente.

Papel da FiBrasil na estratégia da Vivo

A Vivo já atuava como cliente e acionista da FiBrasil, utilizando a rede para ampliar sua presença em regiões onde ainda não possui cobertura direta de fibra ótica (FTTH).

Com o controle da empresa, a operadora poderá integrar com mais agilidade suas estratégias comerciais, operacionais e de expansão, ganhando eficiência e otimizando investimentos.

Além disso, o modelo de rede neutra continua sendo uma forma de monetizar a infraestrutura, já que a rede continuará disponível para clientes externos, como operadoras regionais, provedores independentes e até rivais diretos, respeitando as exigências regulatórias de oferta não discriminatória.

O cenário da banda larga no Brasil e a ascensão das redes neutras

A corrida da fibra pós-pandemia

O surgimento da FiBrasil ocorreu em um contexto de forte crescimento da demanda por banda larga, impulsionado pela pandemia da Covid-19.

Com milhões de pessoas trabalhando, estudando e consumindo conteúdo de casa, a necessidade por conexões de alta velocidade disparou, levando operadoras e provedores a acelerar investimentos em redes próprias.

Na mesma época, surgiram outras estruturas de rede neutra no país, como:

  • V.tal: A maior rede neutra do Brasil, formada a partir da antiga infraestrutura da Oi.
  • I-Systems: Joint venture entre a TIM e a IHS, com foco em áreas urbanas densas.

Apesar da concorrência e da presença de provedores regionais agressivos, a FiBrasil conseguiu se firmar como uma opção robusta, com governança internacional, capital intensivo e modelo escalável.

Mudança no ritmo de expansão em 2024 e 2025

Se os primeiros anos foram de euforia, os últimos 18 meses trouxeram desafios significativos ao modelo de rede neutra.

O excesso de capacidade instalada em algumas regiões, aliado ao aumento da competição e à pressão por redução de preços, levou muitas empresas a frear os investimentos em novas cidades.

Ainda assim, a estratégia da Vivo é clara: usar a FiBrasil como braço de expansão inteligente, priorizando áreas onde não vale a pena duplicar rede própria, mas onde existe demanda consolidada e pouca competição de alta qualidade.

Próximos passos regulatórios

Avaliação pelo Cade: rito sumário esperado

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Como a aquisição envolve a compra de uma fatia adicional de uma empresa já aprovada anteriormente, o processo junto ao Cade deverá seguir o rito sumário, mais ágil e menos burocrático. A expectativa é de aprovação rápida, salvo objeções de concorrentes ou novas exigências.

Exigências da Anatel: foco na oferta a terceiros

A Anatel exigirá que a Vivo comprove que manterá a oferta da infraestrutura para terceiros de forma transparente e não discriminatória.

Isso significa que, mesmo com o controle da FiBrasil, a operadora não poderá restringir ou priorizar o uso da rede para seus próprios serviços, garantindo a competição justa no mercado.

A exigência tem como objetivo evitar concentração excessiva e manter a atratividade da rede neutra para outras operadoras — um princípio central para o sucesso desse modelo no Brasil.

Histórico e captação de recursos da FiBrasil

Desde sua criação, a FiBrasil atraiu investidores e recursos relevantes para sustentar sua expansão. Em 2021, a empresa captou R$ 2,5 bilhões por meio de debêntures incentivadas, voltadas a infraestrutura.

Em 2023, realizou nova emissão de R$ 1 bilhão para ampliar a presença em municípios de médio porte, com foco em regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Esses investimentos permitiram à empresa multiplicar sua base de HPs, saindo de 1,6 milhão em 2021 para 4,6 milhões em 2024, consolidando sua posição como uma das líderes em redes neutras no país.

Impacto no setor e nas ações da Vivo

fachada da loja Vivo como logo da empresa
Imagem: Alison Nunes Calazans/ Shutterstock.com

A notícia da aquisição foi bem recebida por parte do mercado, que vê a consolidação como movimento estratégico, capaz de gerar sinergias operacionais, aumento de eficiência e retorno sobre capital investido.

Analistas apontam que, com controle total, a Vivo poderá acelerar decisões e potencializar a rentabilidade da FiBrasil, que já vinha contribuindo positivamente ao grupo.

O negócio também é simbólico: marca um novo capítulo na guerra pela liderança na conectividade de fibra no Brasil, onde a capacidade de entrega em velocidade, capilaridade e custo será cada vez mais o diferencial competitivo.

Conclusão: um passo estratégico para o futuro da conectividade

Com a aquisição dos 50% restantes da FiBrasil, a Vivo dá um passo firme na consolidação de sua estratégia de longo prazo em infraestrutura digital.

O controle da rede neutra permitirá à operadora expandir com inteligência, manter o foco em rentabilidade e fortalecer sua presença em cidades onde a competição ainda é fragmentada.

A operação, avaliada em R$ 850 milhões, é mais que uma compra: é uma aposta no futuro da conectividade compartilhada, no uso eficiente de infraestrutura e na expansão responsável da banda larga no Brasil.

A efetivação do negócio agora depende das aprovações regulatórias, que devem ocorrer nos próximos meses. Enquanto isso, o mercado acompanha de perto o impacto dessa movimentação no ecossistema de telecomunicações nacional.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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