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Vivo investe R$ 232 milhões para assumir unidade de cibersegurança, saiba por quê

Vivo adquire a CyberCo Brasil por até R$ 232 milhões e reforça estratégia em cibersegurança e soluções digitais para o mercado corporativo.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto7 min de leitura
Vivo

A Vivo (Telefônica Brasil) anunciou na noite de 9 de dezembro a aquisição da totalidade das quotas da Telefônica Cibersegurança e Tecnologia do Brasil, conhecida como CyberCo Brasil. A empresa era controlada até então pela Telefónica Tech e passa agora a integrar a estrutura da Telefônica Infraestrutura e Segurança (TIS), unidade de negócios indiretamente controlada pela operadora.

O movimento marca mais um passo relevante na estratégia da Vivo de expandir sua atuação no mercado de soluções digitais e serviços de alto valor agregado para empresas. Em um cenário de crescimento acelerado das ameaças digitais e da transformação dos negócios, a consolidação das atividades de segurança da informação se tornou peça-chave para a competitividade no setor de telecomunicações.

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Valor da transação e modelo de pagamento

A operação foi avaliada em até R$ 232 milhões. Desse montante, R$ 212 milhões serão pagos à vista, enquanto até R$ 20 milhões estão condicionados ao desempenho da receita de serviços da empresa ao longo de 2026. Esse formato de pagamento vinculado ao desempenho, conhecido no mercado como “earn-out”, busca alinhar expectativas entre comprador e vendedor e reduzir riscos relacionados ao desempenho futuro do ativo adquirido.

A estrutura financeira da operação revela uma estratégia clara de disciplina de capital, priorizando previsibilidade e criação de valor de longo prazo, ao mesmo tempo em que incentiva a manutenção do crescimento da CyberCo Brasil após a integração.

Centralização das operações sob a TIS fortalece estratégia corporativa

Com a aquisição, a Vivo pretende centralizar todas as atividades de segurança digital sob a TIS. Essa reorganização tem como objetivo simplificar a estrutura de governança, reduzir sobreposições operacionais e acelerar o lançamento de soluções voltadas ao mercado corporativo.

Otimização de processos e ganho de agilidade

A concentração das operações de cibersegurança dentro de uma única unidade de negócios permite maior padronização de processos, melhoria nos fluxos internos de decisão e aumento da velocidade de resposta às demandas dos clientes. Para empresas que lidam com riscos digitais crescentes, o tempo de resposta é um fator crítico, especialmente em situações de incidentes de segurança, vazamento de dados e ataques cibernéticos.

Além disso, a integração facilita o desenvolvimento de ofertas mais completas, combinando conectividade, infraestrutura e segurança em um único portfólio.

Expansão da oferta de valor para grandes e médias empresas

A Vivo tem direcionado esforços crescentes para o segmento B2B, especialmente para empresas médias e grandes que demandam soluções robustas de tecnologia. A CyberCo Brasil atua em múltiplas frentes de cibersegurança, o que amplia significativamente o leque de soluções que poderão ser ofertadas de forma integrada.

Entre os principais serviços e tecnologias incorporados estão proteção de dispositivos, segurança de redes, monitoramento de ambientes em nuvem, gestão de identidade digital, resposta a incidentes e gestão de vulnerabilidades.

Aquisição de licenças de software amplia autonomia tecnológica

Além da compra da CyberCo Brasil, a TIS também firmará um contrato para aquisição de licenças perpétuas de software utilizadas nas operações da empresa. Esse contrato envolve um pagamento adicional de R$ 48 milhões em parcela única.

Importância das licenças perpétuas para o negócio

A aquisição dessas licenças garante à Vivo maior autonomia tecnológica e previsibilidade de custos no longo prazo. Em um mercado no qual grande parte das soluções depende de modelos de assinatura, contar com licenças perpétuas representa uma vantagem competitiva, pois reduz a dependência de reajustes frequentes e fortalece o controle sobre o ambiente tecnológico.

Fortalecimento do portfólio integrado

Com a incorporação dos softwares e das equipes especializadas, a Vivo passa a oferecer um portfólio mais robusto e integrado. A CyberCo Brasil conta com mais de 300 especialistas dedicados, o que representa um reforço significativo em capital humano altamente qualificado, considerado um dos ativos mais valiosos no setor de cibersegurança.

Cibersegurança como pilar estratégico no segmento B2B

O mercado de cibersegurança integra um conjunto mais amplo de soluções digitais oferecidas pela Vivo ao segmento corporativo. Esse portfólio inclui também serviços de TI, computação em nuvem, big data, Internet das Coisas (IoT), mensageria corporativa e locação de equipamentos.

Crescimento expressivo da receita

Nos 12 meses encerrados em setembro de 2025, o segmento B2B digital da Vivo gerou R$ 5,1 bilhões em receita. Esse valor representa um crescimento de 34,2% em relação ao período anterior e corresponde a 8,6% do faturamento total da operadora.

Esses números demonstram uma mudança estrutural no modelo de negócios da companhia, que deixa de depender exclusivamente das receitas tradicionais de telecomunicações e passa a consolidar uma posição relevante em serviços digitais de maior margem.

Cibersegurança como diferencial competitivo

O aumento dos ataques cibernéticos, a ampliação das exigências regulatórias relacionadas à proteção de dados e a digitalização de processos empresariais tornaram a cibersegurança um elemento central na tomada de decisão das empresas. A Vivo busca se posicionar como uma fornecedora completa, capaz de entregar conectividade e proteção em um pacote único.

Histórico de aquisições e consolidação da TIS como hub estratégico

A TIS, unidade responsável pela aquisição da CyberCo Brasil, já vinha se consolidando como um hub estratégico dentro do grupo. Há três anos, a mesma unidade foi responsável pela compra da integradora Vita IT, que atualmente opera sob a marca Vivo Vita e é especializada em soluções de networking.

Continuidade da estratégia de crescimento via aquisições

A nova operação reforça a estratégia de expansão por meio de aquisições de empresas com alto grau de especialização. Em vez de desenvolver todas as capacidades internamente, o grupo opta por acelerar sua curva de maturidade incorporando equipes, tecnologias e carteiras de clientes já consolidadas.

Sinergias operacionais e comerciais

A expectativa é de que a integração entre a CyberCo Brasil, a Vivo Vita e as demais áreas da TIS gere sinergias relevantes, tanto em termos operacionais quanto comerciais. A oferta combinada de networking, infraestrutura, cloud e segurança deve aumentar o ticket médio por cliente e elevar a taxa de retenção no segmento corporativo.

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Transação entre partes relacionadas e conformidade regulatória

A operação foi classificada como uma transação entre partes relacionadas, uma vez que envolve empresas sob controle comum da Telefónica S.A. Esse tipo de transação exige cuidados adicionais de governança e transparência, especialmente em companhias de capital aberto.

Avaliação independente e conformidade com práticas de mercado

De acordo com as informações enviadas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a definição dos valores da transação foi baseada em um laudo de avaliação independente. Esse procedimento é fundamental para garantir que os termos do negócio estejam em conformidade com as melhores práticas de mercado e com os interesses dos acionistas.

Ausência de exigência de aprovações regulatórias adicionais

A Telefônica Brasil informou que a transação não exige aprovações regulatórias adicionais para sua formalização. Esse fator contribui para uma implementação mais ágil da operação e reduz incertezas quanto a eventuais entraves legais ou concorrenciais.

Impactos para o mercado e para os clientes corporativos

A aquisição da CyberCo Brasil tende a gerar impactos relevantes no mercado de tecnologia e telecomunicações. Com uma estrutura mais integrada e focada em segurança, a Vivo amplia sua capacidade de competir com players globais de cibersegurança e grandes integradores de tecnologia.

Benefícios diretos para empresas clientes

Para os clientes corporativos, a principal vantagem está na possibilidade de contratar soluções mais completas, com integração nativa entre conectividade, infraestrutura e proteção digital. Isso reduz a complexidade de gestão de fornecedores e amplia a segurança das operações.

Tendência de consolidação no setor

O movimento também sinaliza uma tendência de maior consolidação no setor de tecnologia e telecomunicações no Brasil, com empresas buscando escala, especialização e integração de serviços como resposta ao aumento da complexidade do ambiente digital.

Considerações finais sobre a estratégia da Vivo

A compra da CyberCo Brasil representa um marco importante na trajetória da Vivo rumo a um modelo de negócios mais diversificado e orientado a serviços digitais. A centralização das operações na TIS, a aquisição de licenças de software e o reforço do capital humano especializado indicam uma visão de longo prazo focada em inovação, eficiência e geração de valor.

A expansão da atuação em cibersegurança fortalece a posição da empresa em um dos segmentos mais estratégicos da economia digital, ao mesmo tempo em que amplia as possibilidades de crescimento sustentável no mercado corporativo.

Imagem: rafapress / Shutterstock.com

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Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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