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Vivo planeja demitir 6 mil funcionários em novo corte

Telefónica planeja cortar mais de 6 mil empregos na Espanha em 2025; reestruturação preocupa sindicatos e pode gerar impactos indiretos na Vivo.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto7 min de leitura
Vivo

A Telefónica, gigante espanhola controladora da operadora Vivo no Brasil, desencadeou uma forte reação no mercado europeu ao confirmar a preparação de um amplo plano de demissões que pode ultrapassar 6 mil funcionários na Espanha.

As informações foram inicialmente divulgadas pelos sindicatos espanhóis CCOO e UGT e reforçam a intenção da empresa de enxugar custos operacionais como parte de uma estratégia global que mira economizar mais de 1,5 bilhão de euros ao ano até 2028.

O movimento coloca em alerta todo o setor de telecomunicações, ainda mais diante da pressão crescente enfrentada pelas empresas para modernizar infraestruturas, reduzir despesas e aumentar eficiência em um cenário de forte competição e avanços tecnológicos acelerados. Embora as demissões estejam concentradas no território espanhol, especialistas alertam que decisões estratégicas tomadas pela matriz geralmente influenciam o ritmo de investimentos e reorganizações em subsidiárias ao redor do mundo.

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Contexto da reestruturação global da Telefónica

A Telefónica tem passado por transformações profundas nos últimos anos. A empresa, que já foi uma das maiores da Europa em número de empregados, vem reduzindo gradualmente sua estrutura operacional devido à exigência de digitalização, automatização e pressão regulatória.

O plano agora anunciado representa um dos cortes mais significativos desde a reestruturação conduzida em janeiro de 2024, quando mais de 3.400 vagas foram eliminadas.

Por que a Telefónica está reduzindo seu quadro de funcionários

A meta de economia superior a 1,5 bilhão de euros até 2028 é uma diretriz estabelecida pelo atual CEO Marc Murtra. O executivo defende que, em um cenário cada vez mais competitivo, o grupo precisa adotar uma operação mais enxuta e eficiente, com foco em digitalização, integração de serviços e reorganização interna.

Entre os principais fatores que influenciam a decisão estão:

Mudanças nos padrões de consumo

O avanço das plataformas digitais, streaming e serviços independentes de telecomunicação afeta a receita tradicional das operadoras.

Pressão regulatória

Empresas de telecomunicações enfrentam limitações em reajustes de tarifas, exigências de infraestrutura e marcos regulatórios mais rígidos.

Competição e inovação

Novas tecnologias, como 5G, nuvem corporativa e inteligência artificial, exigem altos investimentos, mesmo em períodos de desaceleração econômica.

Telefónica e Vivo: qual o impacto para o Brasil

A Telefónica é controladora da Vivo, marca que domina o mercado brasileiro de telefonia móvel e figura entre as maiores empresas de telecomunicações da América Latina. Desde 2012, quando consolidou a operação sob o nome Vivo, o grupo espanhol reforça sua presença no país e mantém o Brasil como uma de suas operações mais lucrativas fora da Europa.

Cortes na Espanha podem chegar ao Brasil?

Por ora, os cortes têm impacto direto apenas na Espanha. No entanto, especialistas ressaltam que movimentos dessa magnitude costumam influenciar a alocação de recursos entre todas as unidades do grupo. Caso a matriz decida reforçar ajustes globais, é possível que revisões de estrutura e investimentos ocorram também em outros países — inclusive no Brasil.

A Vivo, no entanto, vem apresentando bons resultados operacionais e financeiros, o que reduz a probabilidade de medidas drásticas semelhantes no curto prazo. Ainda assim, o mercado acompanha com atenção.

Unidades mais afetadas pelos cortes

Os novos dados confirmados pelos sindicatos mostram que a onda de demissões atinge praticamente todas as frentes operacionais da Telefónica, incluindo áreas estratégicas de inovação e serviços digitais.

Telefónica de España

É a unidade mais impactada, com 3.649 funcionários afetados. Representa cerca de 41% da força de trabalho local e concentra boa parte das operações tradicionais de telefonia fixa, banda larga e infraestrutura.

Operação móvel

A divisão dedicada à telefonia móvel sofrerá o corte de 1.124 postos de trabalho, equivalentes a aproximadamente 31% do total de empregados da área.

Telefónica Soluciones

A área de soluções empresariais e corporativas terá 267 vagas eliminadas, representando 24% da estrutura.

Outras áreas atingidas

Dentro da estratégia de corte mais ampla, outras frentes essenciais para a transformação digital do grupo também serão reduzidas:

Operação central

Perderá 378 posições administrativas e de suporte.

Telefónica Digital Innovations

Essa divisão, responsável por desenvolvimento de novos produtos digitais e tecnologias emergentes, terá 233 postos extintos.

Divisão global

Mais 140 funcionários serão desligados dos times que atuam em operações internacionais e coordenação de projetos.

Movistar+

A plataforma de TV por assinatura poderá ter até 297 vagas encerradas, refletindo mudanças no consumo de conteúdo e concorrência com serviços de streaming.

Somando todas as unidades, o total chega a impressionantes 6.088 demissões, número que representa cerca de 20% dos 25 mil trabalhadores que a Telefónica mantém atualmente em território espanhol.

Reação dos sindicatos: forte resistência ao plano

Os sindicatos CCOO e UGT, dois dos maiores da Espanha, criticaram publicamente o plano apresentado pela Telefónica. As organizações afirmam que a empresa não justificou de forma adequada a necessidade de realizar demissões coletivas em tal escala, considerando que existem alternativas para minimizar impactos sobre os trabalhadores.

O que exigem os sindicatos

Os representantes exigem que:

O plano seja voluntário

Os desligamentos devem ocorrer apenas por adesão dos funcionários, evitando demissões forçadas.

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Haja vinculação com aposentadoria antecipada

Eles defendem que parte dos trabalhadores aptos à aposentadoria possa ser incluída em programas específicos, reduzindo a necessidade de cortes.

A proposta seja universal

O plano não deve restringir categorias ou setores: todos os trabalhadores devem ter direito a participar das alternativas de saída voluntária.

Criação de novos postos

Os sindicatos reivindicam contrapartidas que incluam planos de contratação e reorganização para que o impacto social seja menor.

Até o momento, as negociações seguem abertas e sem consenso. A Telefónica apresentou sua proposta inicial, mas os sindicatos rejeitaram os termos e apresentaram novas exigências. A expectativa é que novas rodadas de negociação ocorram ainda nas próximas semanas.

Possíveis impactos no setor de telecomunicações

O anúncio da Telefónica repercutiu não apenas na Espanha, mas em todo o mercado global de telecom. Analistas acreditam que outras empresas podem seguir caminhos semelhantes para ajustar suas operações, especialmente diante da necessidade urgente de digitalização.

Tendência de automação crescente

O uso de inteligência artificial, automação de atendimento e digitalização de processos internos pode levar a novos ajustes de equipes em outras operadoras internacionais.

Pressão sobre modelos tradicionais de TV e telefonia

O corte na Movistar+ revela dificuldades semelhantes às enfrentadas por outras plataformas tradicionais diante do domínio do streaming.

Redefinição de investimentos

Com a meta de economia até 2028, a Telefónica deve redirecionar recursos para áreas como conectividade 5G, serviços corporativos de nuvem e segurança digital.

Telefonia global: o que esperar do futuro

Nos próximos anos, empresas como Telefónica, TIM, Vodafone, Orange e Claro devem enfrentar desafios semelhantes. A pressão por inovação, aliada à queda de receitas tradicionais, tende a moldar uma nova onda de reestruturações.

Brasil pode sentir reflexos?

Embora não haja indicativo imediato de cortes no Brasil, a dependência da Vivo em relação à matriz espanhola pode influenciar decisões futuras. Mudanças globais, fluxos de investimento e metas de economia podem refletir em reorganizações internas ou revisão de projetos estratégicos.

Conclusão

A Telefónica vive um dos momentos mais decisivos de sua história recente. O corte de mais de seis mil postos de trabalho representa uma tentativa de reorganizar a empresa frente aos novos desafios tecnológicos e estruturais do setor de telecomunicações.

Mesmo com resistência dos sindicatos e incertezas sobre impactos internacionais, o movimento indica que o setor enfrenta um novo ciclo de ajustes profundos.

Imagem: Alison Nunes Calazans/ Shutterstock.com

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Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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