Imagine ficar sem sinal da operadora durante uma viagem por uma estrada isolada, em uma área rural ou até durante uma emergência. Agora imagine conseguir enviar mensagens ou fazer uma ligação usando apenas o celular, sem precisar de uma antena externa ou de um equipamento especial.
Clientes da Vivo poderão acessar Starlink pelo celular em breve
Vivo negocia tecnologia da Starlink para conectar celulares via satélite sem antena. Entenda como funciona, quem poderá usar e quando chega.
Essa possibilidade está mais próxima do Brasil. A Vivo negocia um acordo com a SpaceX para oferecer a tecnologia Direct-to-Device (D2D), que permite que smartphones compatíveis se conectem diretamente aos satélites da Starlink quando não houver cobertura das redes móveis tradicionais.
Embora o serviço ainda não esteja disponível comercialmente, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) autorizou testes da tecnologia em todo o território nacional. A iniciativa pode representar uma das maiores mudanças na telefonia móvel dos últimos anos.
Neste artigo, você entenderá como funciona essa tecnologia, por que ela é considerada um avanço importante, quem poderá utilizá-la e quais são os próximos passos antes de sua chegada ao mercado brasileiro.
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O que é a tecnologia Direct-to-Device?

O Direct-to-Device, conhecido pela sigla D2D, é uma tecnologia que permite que celulares compatíveis se conectem diretamente a satélites de baixa órbita.
Na prática, os satélites passam a funcionar como uma extensão da rede da operadora.
Isso significa que, quando o usuário estiver em um local completamente sem cobertura celular, o smartphone poderá estabelecer uma conexão via satélite para manter determinados serviços funcionando.
O objetivo principal não é substituir as antenas tradicionais, mas garantir comunicação em locais onde elas não existem.
Como essa conexão funciona na prática?
Hoje, para acessar a internet da Starlink normalmente é necessário utilizar uma antena instalada na residência, empresa ou veículo.
Com o Direct-to-Device, isso muda.
O próprio smartphone estabelece a comunicação diretamente com os satélites.
Em um cenário prático:
- uma pessoa faz uma trilha em uma região sem cobertura;
- o celular perde o sinal da operadora;
- automaticamente, caso seja compatível com a tecnologia, ele poderá utilizar a rede via satélite.
Inicialmente, os serviços costumam priorizar:
- envio e recebimento de mensagens;
- chamadas de emergência;
- localização;
- comunicação básica.
Com a evolução da tecnologia, chamadas de voz e acesso à internet também podem ser ampliados.
A Vivo já oferece esse serviço?
Ainda não.
O que existe atualmente é uma negociação entre a Telefônica Brasil, controladora da Vivo, e a SpaceX.
Além disso, a Anatel autorizou testes da tecnologia em território nacional entre 19 de julho e 22 de outubro.
Durante esse período, a operadora poderá realizar experimentos utilizando até 50 terminais móveis.
Após essa etapa, os resultados serão avaliados pela agência reguladora antes de qualquer autorização comercial definitiva.
Isso significa que os clientes ainda não podem contratar o serviço.
Por que a Anatel autorizou os testes?
Novas tecnologias precisam passar por avaliações técnicas antes de chegarem ao consumidor.
Para isso existe o chamado sandbox regulatório.
O que é um sandbox regulatório?
É um ambiente controlado criado para que empresas possam testar novos serviços sob supervisão da Anatel.
Durante esse período, a agência acompanha aspectos como:
- qualidade da comunicação;
- possíveis interferências em outras redes;
- segurança;
- desempenho da tecnologia;
- viabilidade comercial.
Somente após essas avaliações é que podem ser definidas regras permanentes para a oferta do serviço.
Quais frequências serão utilizadas?
Segundo a autorização da Anatel, os testes utilizarão as faixas de:
- 2.567,5 MHz;
- 2.687,5 MHz.
As transmissões ocorrerão em caráter secundário.
Em termos simples, isso significa que o serviço não poderá causar interferência em sistemas que já utilizam essas frequências de forma prioritária.
Caso algum problema seja identificado, a operadora deverá interromper imediatamente as transmissões.
Essa exigência ajuda a proteger serviços de telecomunicações já existentes.
A internet via satélite será igual ao 5G?
Não.
Essa é uma dúvida bastante comum.
Apesar de utilizar satélites modernos de baixa órbita, a tecnologia Direct-to-Device possui limitações naturais.
Entre elas:
- menor velocidade;
- maior latência;
- capacidade reduzida em relação às redes 5G.
Por isso, ela foi desenvolvida para funcionar como um complemento da rede celular.
Na maior parte do tempo, o usuário continuará utilizando normalmente:
- 4G;
- 5G;
- Wi-Fi.
A conexão via satélite entrará em ação apenas quando não houver cobertura terrestre.
Quais as vantagens dessa tecnologia?
A chegada do Direct-to-Device pode trazer benefícios importantes.
Comunicação em regiões remotas
Moradores de áreas rurais poderão ter uma alternativa quando não houver sinal convencional.
Mais segurança em emergências
Pessoas que viajam por estradas isoladas poderão conseguir enviar mensagens mesmo sem cobertura celular.
Isso também pode beneficiar equipes de resgate e defesa civil.
Cobertura ampliada
Regiões onde instalar antenas não é economicamente viável poderão ganhar uma nova forma de conectividade.
Menor necessidade de infraestrutura
Como parte da comunicação será realizada pelos satélites, não será preciso instalar torres em todas as localidades.
Será preciso trocar de celular?
Provavelmente dependerá do aparelho.
O Direct-to-Device exige smartphones compatíveis com essa tecnologia.
Fabricantes vêm desenvolvendo modelos preparados para comunicação via satélite.
Nos próximos anos, essa compatibilidade tende a se tornar cada vez mais comum nos aparelhos intermediários e premium.
Caso o serviço seja lançado, a Vivo deverá divulgar quais dispositivos poderão utilizá-lo.
Outras operadoras também estudam a tecnologia?
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Sim.
Segundo informações do setor de telecomunicações, TIM e Claro também avaliam parcerias com empresas de satélites de baixa órbita, incluindo a SpaceX.
Isso indica que o mercado brasileiro caminha para ampliar a oferta desse tipo de serviço.
A concorrência pode acelerar a chegada da tecnologia e ampliar as opções para os consumidores.
O que muda para quem mora em cidades?
Em áreas urbanas, o impacto tende a ser pequeno no dia a dia.
Isso porque a cobertura das redes móveis já atende grande parte da população.
O principal benefício será percebido quando houver:
- apagões de sinal;
- viagens para regiões remotas;
- deslocamentos por áreas rurais;
- situações de desastre natural.
Nesses casos, a comunicação via satélite poderá servir como uma alternativa importante.
Quando o serviço pode chegar ao Brasil?
Ainda não existe uma data oficial.
Antes da oferta comercial será necessário concluir:
- os testes autorizados pela Anatel;
- a análise técnica dos resultados;
- eventual autorização definitiva da agência;
- os acordos comerciais entre operadora e empresa responsável pelos satélites.
Somente após essas etapas o serviço poderá ser disponibilizado aos consumidores.
O Brasil está preparado para essa tecnologia?
Nos últimos meses, a Anatel vem adotando medidas que mostram um avanço na regulamentação.
Entre elas está a atualização do Plano de Destinação, Distribuição e Canalização de Frequências (PDFF), que passou a prever faixas destinadas ao Direct-to-Device.
Essa atualização é considerada um passo importante para permitir a futura operação comercial da tecnologia no país.
Embora ainda existam desafios técnicos e regulatórios, especialistas apontam que a comunicação direta entre celulares e satélites tende a fazer parte da próxima geração das redes móveis.
Vale a pena esperar por essa novidade?

Para quem vive em centros urbanos, a mudança pode não alterar significativamente o uso diário do celular.
Já para profissionais que trabalham em regiões afastadas, produtores rurais, viajantes frequentes e pessoas que costumam enfrentar áreas sem cobertura, a tecnologia pode representar um avanço importante em segurança e conectividade.
Ainda é cedo para saber quanto custará o serviço ou quais planos serão oferecidos, mas a autorização dos testes mostra que o Brasil começa a dar passos concretos rumo à integração entre telefonia móvel e comunicação via satélite.
Perguntas frequentes
A Vivo já oferece Starlink no celular?
Não. A operadora ainda negocia a tecnologia e realiza testes autorizados pela Anatel.
Será preciso instalar antena?
Não. O objetivo do Direct-to-Device é permitir a conexão diretamente pelo smartphone compatível.
A tecnologia substitui o 5G?
Não. Ela funciona como complemento para locais onde não existe cobertura das redes móveis.
Todos os celulares serão compatíveis?
Não. Apenas aparelhos preparados para comunicação via satélite poderão utilizar o serviço.
Quando chega ao Brasil?
Ainda não há previsão oficial. O lançamento depende da conclusão dos testes e da aprovação definitiva da Anatel.
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