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Herdeiro do Itaú e cineasta, Walter Salles defende taxação de grandes fortunas

Cineasta e herdeiro do Itaú, Walter Salles defende justiça tributária e taxação de grandes fortunas durante premiação no Rio.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Herdeiro do Itaú e cineasta, Walter Salles defende taxação de grandes fortunas

O cineasta Walter Salles, conhecido internacionalmente por filmes como Central do Brasil e Diários de Motocicleta, causou forte repercussão nesta terça-feira (8) ao se posicionar publicamente a favor da taxação de grandes fortunas. O pronunciamento foi feito durante a cerimônia do prêmio Faz Diferença, promovido pelo jornal O Globo, no Teatro Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

Além de cineasta premiado, Salles é também um dos herdeiros do antigo Unibanco — que se fundiu com o Itaú — e da mineradora CBMM, líder mundial na produção de nióbio. Ao lado da atriz Fernanda Torres, com quem dividiu a homenagem como Personalidade do Ano, o diretor aproveitou o momento de destaque para defender justiça tributária e um sistema progressivo de cobrança de impostos no país.

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Justiça fiscal como pilar da democracia

Família Salles / Imagem: Reprodução/Itaú Unibanco

No encerramento de seu discurso, Walter Salles não hesitou em abordar o tema da desigualdade fiscal, expressando apoio ao modelo de tributação progressiva do Imposto de Renda. Ele citou diretamente o economista Bernard Appy, secretário extraordinário da Reforma Tributária, que havia sido homenageado momentos antes.

“Bernard Appy estava aqui em cima e nos lembrou que temos a chance de construir um país mais justo e igualitário, corrigindo as distorções de um sistema que, como a gente sabe, cobra mais de quem tem menos. Quero deixar todo o meu apoio à tributação progressiva, meu apoio à taxação das grandes fortunas e à democracia com justiça tributária”, declarou Salles sob aplausos.

A fala gerou grande engajamento nas redes sociais, tanto por seu conteúdo quanto pela origem de quem a proferia — um integrante de uma das famílias mais ricas e influentes do Brasil.

Repercussão imediata nas redes e no meio político

O posicionamento público de Walter Salles repercutiu rapidamente na internet. O cineasta Kleber Mendonça Filho, conhecido por filmes como Bacurau e Aquarius, elogiou a coragem do colega. Já o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, usou as redes para afirmar que a fala de Salles foi “importante e corajosa”.

Em tempos em que a reforma tributária avança em meio a intensos debates no Congresso Nacional, o gesto de um herdeiro bilionário defendendo que os mais ricos contribuam mais com o Estado teve grande simbolismo.

A nova fase da Reforma Tributária e o papel da elite

A Reforma Tributária brasileira vive, em 2025, uma de suas etapas mais sensíveis: a tributação sobre a renda. Após a aprovação da primeira fase, voltada ao consumo, o governo federal encaminhou ao Congresso um novo projeto que busca reformular as alíquotas do Imposto de Renda.

A proposta prevê a isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês — uma promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em contrapartida, o texto sugere uma alíquota mínima para quem tem renda anual acima de R$ 600 mil, mirando os contribuintes de alta renda.

Desigualdade fiscal como obstáculo ao crescimento

Especialistas em economia apontam que o atual sistema tributário brasileiro é regressivo: ou seja, quem ganha menos proporcionalmente paga mais. Isso ocorre porque a maior parte da arrecadação vem de tributos sobre o consumo, que pesam igualmente para ricos e pobres, ao invés de se basearem na capacidade contributiva.

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É nesse contexto que a fala de Walter Salles ganha relevância. Ao defender a taxação de grandes fortunas, ele dá voz a uma proposta que, embora presente no debate político há décadas, ainda enfrenta forte resistência por parte de setores empresariais e de parte do Congresso.

O exemplo de outros países e a resistência no Brasil

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Imagem: rafapress / shutterstock.com

Países da OCDE — grupo que reúne as economias mais desenvolvidas do mundo — já adotam mecanismos de tributação progressiva mais sofisticados do que o Brasil. França, Alemanha e Canadá, por exemplo, possuem impostos sobre grandes heranças, lucros e patrimônios elevados.

No Brasil, porém, propostas que buscam implementar uma taxação de fortunas enfrentam entraves históricos. Projetos de lei nesse sentido já tramitaram no Congresso, mas foram engavetados ou desidratados. Em 2023, algumas sugestões voltaram à tona, mas com pouca adesão da elite econômica.

Um herdeiro contra os privilégios

O fato de Walter Salles, um integrante da elite econômica brasileira, defender abertamente mudanças que podem afetar diretamente seus interesses, confere um peso simbólico à discussão. Ao contrário de muitos empresários e investidores que silenciam sobre o tema ou se opõem a qualquer aumento tributário, o diretor usou sua visibilidade e prestígio para apontar o caminho da redistribuição de renda via impostos.

Sua trajetória como artista e cidadão consciente reforça o gesto. Em sua filmografia, Salles sempre demonstrou interesse por temas sociais e pela realidade brasileira, especialmente nos longas que retratam as desigualdades do país. Agora, no plano do discurso político, ele se junta a vozes que pedem um sistema fiscal mais justo.

Imagem: Etienne Laurent / AFP

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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